Três

2636 Words
Claro que depois de tudo que havia passado no meu primeiro período da faculdade, eu acabei removendo todas as aulas lecionadas pelo professor Seokjin do meu horário. Busquei por outros professores para repor o conteúdo e, a partir daí, começamos a nos evitar completamente, mas ainda assim nos víamos e sabíamos sobre o outro. Por isso, eu percebi de imediato quando ele arranjou outro bonequinho para controlar, mais uma vítima. Para mim, que já havia passado por tudo aquilo, era extremamente notável como o seu padrão se repetia. Às vezes eu pensava que poderia ajudar aquele garoto a escapar daquela, antes que ele se tornasse tão deprimente quanto eu havia sido, porém eu não estava disposto a abrir velhas feridas indo alertá-lo do que viria. Além do mais eu sempre pensava também que Seokjin era um ótimo manipulador e que com certeza abrir o bico só ia me prejudicar ainda mais e o rapaz poderia muito bem nem acreditar em mim — inclusive a probabilidade estava a esse favor — e o assunto que já estava morto para mim apenas voltaria a ser um grande transtorno em minha vida. Ainda assim era difícil ver aquilo, ver um outro rapaz como eu achar que estava sendo amado e protegido por alguém que na realidade só o estava tornando ainda mais frágil, para que ele se tornasse totalmente dependente de si. Aquele incômodo crescia cada vez mais dentro de mim, junto a angústia de pensar nas consequências que recairiam sobre mim. Eu cheguei até a falar sobre o assunto com Jungkook, lhe contei o que via e meus receios sobre me manter calado ou acudir alguém e ele disse que eu não devia me sentir culpado e fazer exatamente aquilo que eu considerasse ser melhor para mim e que se era deixar aquele assunto quieto, ele me apoiaria, como sempre fazia. — Por mais que houvesse sinais e que tivessem me alertado, eu não quis acreditar quando era eu. — confessei. Então, eu deixei tudo como estava, Seokjin, aquele novo rapaz e qualquer coisa que acontecesse entre eles estava fora da minha vida. Assim veio Park Jimin, o garoto mais jovem com quem me envolvi. Embora Jimin fosse mais velho do que eu, não era muita coisa. Ele tinha apenas dois anos a mais que eu e essa não era a única coisa que eu poderia nomear como não atraente nele. Park Jimin era um típico filhinho de papai acostumado a ter tudo aquilo que queria e por mais que eu não tenha achado bons homens no meu caminho, eles eram maduros em suas conversas e no modo como me guardavam sob suas asas. Totalmente diferente daquele garoto que apenas se decidiu, aleatoriamente em um dia, que do mesmo jeito que ele deseja objetos, o que ele queria naquele momento era eu. Eu acho que o interesse de Jimin vinha disso. Sabe, ele era tão cobiçado por todos. Era um jovem bonito, inteligente e rico que estava acostumado a causar um leve alvoroço nas pessoas, sempre que chegava a algum local. Mas comigo as coisas não eram assim. Embora eu o achasse bonito e um cara divertido, eu não tinha interesse em estar na sua cama, como boa parte das pessoas no campus cochichavam por aí. Jimin se mostrou um cara realmente insistente, não importava o quanto eu o cortasse ou rejeitasse, ele continuava vindo atrás de mim, de novo e de novo, como se todo aquele assédio fosse descolado ou uma prova do quanto ele gostava de mim. Um dia, não sei se por cansaço ou por causa do sorriso bonito que ele tinha no rosto — eu gostava do quão doce ele era — eu o deixei me convencer a ir em um encontro com ele. Claro que eu lhe disse que aquele avanço entre nós viria com alguma condição. Apenas uma. Se o encontro fosse muito r**m e ele continuasse sem capturar meu interesse, ele teria que parar com toda aquela sua insistência e não encheria mais meu saco. Ele concordou, sem pestanejar, ainda com um sorriso gentil no rosto, tão largo e brilhante que o fazia parecer incrível. Jimin tinha uma confiança de dar inveja em qualquer um. Ele tinha certeza que me conquistaria se eu lhe desse apenas uma chance, enquanto eu me mantinha cético. Eu o segui para o que eu poderia chamar de meu primeiro encontro. Algo que eu nunca tinha tido de verdade com Namjoon e Seokjin e que eu só percebi enquanto vivia aquele momento. Não que ele tenha feito algo grandioso, mas as coisas simples que ele me mostrou naquela tarde, manteve meu coração acelerado o dia inteiro. Embora não fosse exatamente por ele e, sim, pelas coisas que eu estava experimentando sem receio. Coisas tão simplórias como andar de mãos dadas com um cara que não tem que te esconder ou que simplesmente acha que aquilo é muito sem tom de se fazer em público; ou os cochichos sacanas ao pé do ouvido, em meio a alguns drinks. Jimin dizia coisas melosas e coisas indecentes com a mesma naturalidade, como se ele não tivesse nenhum medo de esconder suas intenções. Sua personalidade e seus pensamentos estavam escancarados em cada gesto seu. E o eu que não me via me apaixonando por Park Jimin, percebeu que talvez isso fosse possível ou ao menos que seria bom se acontecesse, porque eu realmente me diverti naquela coisa, como em nenhuma outra. Ao menos no que se tratava de romance, porque eu tinha as melhores noites da minha vida ao lado do meu melhor amigo, Jeon. Só que Jungkook não faria, nem tinha permissão para me beijar no fim do dia, assim como eu permiti que aquele rapaz o fizesse. Eu senti que devia experimentar. Jimin se mostrou tão a fim o dia todo e ele havia sido muito legal o dia inteiro. De longe aquele havia sido um encontro r**m, como eu imaginava que seria. Embora eu ainda sentisse que Jimin não podia me dar o que eu buscava em um homem naquela época. Ele estacionou seu carro na frente da minha casa e quando soltei o cinto de segurança e desejei boa noite, fazendo menção de sair, ele segurou meu braço e me impediu. Quando eu virei o rosto, dei de cara com seu olhar persuasivo, tão estreito e sexy. Além dos lábios grossos contorcidos em um sorriso sutil que foi facilmente desfeito pela mordida que ele lhe deu. Seus olhos eram tão óbvios, indo em direção a minha boca e depois subindo para pedir permissão aos meus. Me ajeitei no banco, mostrando que eu não sairia ainda, que ele havia conseguido minha atenção, e me inclinei na sua direção. A mão pequena do Park deslizou por minha nuca e isso me surpreendeu, já que normalmente eu estava acostumado a caras que iam direto ao ponto, me agarrando pela cintura e me empurrando para baixo de si em uma explosão de desejo que eu não sabia negar, por medo de perder. Apoiei a mão em seu ombro e degustei o momento. O jeito como seus dedos delicados acariciavam minha nuca e passavam para minha orelha. Como sua boca carnuda era calma à medida que engolia meus lábios pequenos em um beijo sem língua. Talvez fosse cedo demais pra gente ser tão íntimo assim? Foi o que ele me fez pensar, que ele estava respeitando meu ritmo e não queria dar nenhum passo maior que as pernas. — Eu acho que foi um encontro bom, certo? — sua voz era um cochicho gostoso que me fez estremecer levemente e agitar minha cabeça em afirmativa. Eu não podia mentir, havia sido o único encontro que eu poderia chamar assim e dar bons adjetivos para ilustrá-lo. Então, interessado nele ou não, assim como havíamos combinado tivemos outro encontro — com beijos mais vorazes e sensuais, onde eu conheci o sabor inebriante da língua habilidosa do Park por toda a minha boca. — que culminou em outro, que foi quando ele, finalmente, conseguiu me levar para sua cama pela primeira vez. Daquela vez, no lugar de me deixar na porta de casa, Jimin dirigiu para o seu apartamento. Ele morava sozinho, então eu soube logo suas intenções. Ainda no carro, ele me disse que sabia que eu gostava de homens velhos e experientes, mas que ele seria tão bom pra mim, quanto qualquer um que já tivesse me tocado. Explicitando mais uma vez o que queria, sem enrolações, sem meios caminhos. Aquele cara queria t*****r comigo e não fez nada além de me perguntar se eu queria e cumprir todas as suas promessas. Assim como tinha dito, Jimin fez comigo o sexo mais gostoso da minha vida, algo que eu nunca tinha experimentado. Quando ele disse aquilo, quando ele pensou que estava acostumado a ter amantes experientes, eu fiquei quieto. Eu nunca contei a ele que, na realidade, eu nunca tinha encontrado satisfação s****l em nenhum dos meus antigos relacionamentos, que aquele meu padrão não tinha nada a ver com o quão bom um homem mais velho pareceria ser. E tudo o que ele fez comigo naquela noite, me fez ver como ele era mesmo diferente dos outros. Enquanto nossos corpos suavam naquele vai-e-vem incessante entre os lençóis, eu percebia que Jimin não era egoísta como Namjoon. Ele gostava de beijar todo o meu corpo, gostava de me ver gemendo a cada ação sua contra mim. Além de ser boa em falar coisas sacanas, sua boca também era habilidosa em chupar meu p*u e Jimin não se importou de fazer isso, até que eu gozasse dentro dela, enquanto ele metia seus dedos lubrificados no meu cuzinho. Eu pensei que ele ia se chatear, pensei que era egoísmo meu acabar antes do meu parceiro, mas ele me encarou sorrindo satisfeito e lambeu os lábios lambuzados, dizendo que eu tinha gozado bastante, como se aquilo fosse incrível. Ele voltou para cima do meu corpo e me beijou, me instigou a tocá-lo e quando me dei conta, eu já estava duro de novo e ainda mais e******o que antes. Eu o queria dentro de mim, queria que ele me mostrasse o quão delicioso e não doloroso seria tê-lo se socando o mais fundo que pudesse entre as minhas pernas meladas. Jimin não tardou a realizar meu desejo e se encaixar em meu corpo, me fazendo crer que ele também não era obsessivo como Seokjin, que ele não queria mandar e desmandar em tudo. Ele queria me ver sentindo prazer, queria me ver cavalgando sobre seu p*u, enquanto meu corpo todo ficava avermelhado e suas mãos, ainda que pesadas, só se chocavam contra minha pele em um ato de prazer, sem nenhuma dor, punição ou culpa. Ele apenas queria saciar seu desejo no meu corpo e eu gostava de como minha pele ardia devido às suas palmadas moderadas. Nós transamos a noite toda, eu me senti insaciável pela primeira vez, desejando ter sexo mais do que o pós-sexo. Então nós começamos nossa relação, não do tipo casual, nós começamos a namorar pra valer e logo percebi que por mais atencioso e gostoso que ele fosse na cama, assim como meus dois ex-namorados Park Jimin tinha o mesmo interesse em usar meu corpo como bem queria e prazer era só algo que ele me dava em troca ou que abastecia seu ego. Jimin sempre foi persuasivo e ele tinha um jeito manhoso de conseguir as coisas. Era por causa daquele seu jeitinho doce, quando ele pedia algo, dificilmente alguém negava, ainda que fossem meros carinhos ou pedidos mais sórdidos. Então, logo me vi em situações inusitadas, fazendo sexo com ele em lugares indevidos e por mais que a situação me deixasse nervoso, ainda era gostoso pra p***a ser fodido por ele. Fora que seu apetite s****l era incontrolável, tanto que eu sozinho não podia suprir e era por isso que vez ou outra Jimin arranjava outros parceiros e com o mesmo jeito manhoso que me dava carinho e dizia me amar, ele pedia desculpas e mais desculpas e implorava para que eu entendesse que ele não resistiu a tentação, mas que era só uma f**a sem significado, no fim das contas, quem ele amava era eu. Ele ainda afirmava que aquilo jamais ia voltar a se repetir, mas sempre voltava e aí eu voltei a ouvir aquela mesma frase da minha infância. Quando Jimin jurou de pés juntos me amar, mas que aquele era seu jeito de amar e me pediu mais uma vez para entendê-lo. Então, eu entendi. Eu entendi o jeito como ele foi se tornando gradativamente frio e como ele se distanciou de mim. Sem mais encontros, sem mais toda aquela aura melosa usada na conquista. No entanto, ele sempre vinha procurar por sexo comigo, sem muita conversa, apenas um "eu te amo" jogado ao vento para facilitar minhas pernas de abrirem. Eu também entendi todas as vezes que ele veio até mim com marcas em seu corpo que eu não havia feito e todas as vezes em que ele flertou com outras pessoas na minha frente... Porque depois de um tempo, eu o deixei me convencer que eu não era mesmo suficiente para ele e ainda assim, apesar de tudo, ele ainda me amava e eu devia estar agradecido por isso. Eu acabei sendo realmente grato pelo seu amor por longos cinco meses, onde Jimin nunca foi completamente meu. Eu o dividia com tantas outras pessoas e, no fim — igual àqueles dois com quem o comparava e o julgava ser diferente — foi ele que se desfez de mim, como se não fosse nada. No momento em que Jimin disse que já não me amava mais, ele não sorria, sua expressão era meio indiferente e me fazia me perguntar se algum dia ele me amou de verdade ou se apenas estava curtindo sua vitória, afinal de contas, Park Jimin sempre tinha tudo o que queria e por um tempo ele teve a mim, depois de alguma relutância. Eu já estava tão apático com nossa situação, que eu também não disse nada. Apenas deixei sua cama, tomei um banho e saí do seu apartamento, meio chateado por ele ter sido um babaca. Ele havia me convidado pra ir a sua casa, havia transado comigo e logo depois de gozar, ele fez aquela cara insatisfeita e disse que as coisas não estavam mais funcionando, que a química havia terminado entre a gente. Percebi que eu não gostava mesmo de garotos jovens porque eles eram imaturos como Park Jimin e aquela droga do seu jeito de amar não era o que eu buscava em um relacionamento de jeito nenhum. Até hoje eu não sei dizer se eu cheguei a amá-lo de volta, mas eu, com certeza, criei uma certa dependência por ele. Como sempre acabava fazendo com todos. Eu nunca sabia dizer não ou dar um basta nas suas merdas, por mais babaca que ele fosse com todos os seus casos extras. Às vezes eu até mesmo achava suas desculpas ridículas e no fundo eu não me importava de verdade se ele fodia outras pessoas. Eu só o queria para suprir minha solidão e ele era bom nisso, ao menos no começo, além de que ele foi o primeiro homem que me deu prazer de verdade, então, eu acabei aceitando esse seu jeito de amar. Quando eu paro para pensar um pouco mais a fundo sobre nós dois e o quão r**m foi esse relacionamento, ainda consigo dizer que Jimin — mesmo sendo um babaca egocêntrico — não chegou nem perto de ser o pior amor que recebi. Não, não, de jeito nenhum. Não quando eu ainda guardo em minha pele até hoje e guardarei para sempre as marcas de Jung Hoseok. Um lobo em pele de cordeiro que me amou de uma forma perigosa.
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