Seis

4435 Words
Há algum tempo que, uma vez por semana, eu sempre me sentava naquele mesmo divã preto e confortável para reviver os pontos mais detalhados dessas histórias, junto a uma profissional. — Eu acho que fizemos novos avanços, Yoongi. — me notificou. — Suas novas concepções sobre seus ex-namorados parecem bem mais claras agora. Principalmente a respeito do primeiro senhor K. — ela me olhou por cima dos seus óculos de um modo sugestivo, enquanto citava o codinome do meu primeiro amante e fracasso amoroso, Kim Namjoon. Estremeci só de ouvir sua insinuação, porque de todos que me machucaram, ele era o que mais me enojava no momento, devido ao fato de entender o que aquele realmente fez comigo. E o que ele fez comigo era até pior que a agressão física que cheguei a receber do Jung, embora também não fosse tão diferente do Seokjin, mas Namjoon me trazia um sentimento bem pior, já que quando nos envolvemos eu ainda era um rapaz realmente ingênuo e inocente do qual ele tirou o máximo de proveito possível. — Como anda lidando com tudo no seu dia-a-dia? — me incentivou a falar, diante do meu silêncio. Suspirei antes de lhe dar minha resposta. Digamos que enxergar toda a realidade me trouxe novas dores. No início, eu pensei que certas coisas teriam sido melhores se eu tivesse continuado sem entender. Era o meu maior desejo, porém sabia que não faria sentido. Que não enxergar ou esquecer meu passado, só me deixaria suscetível a cometer novos erros e o motivo de estar aqui agora era para evitar que eu caísse em outros casos ardilosos como esses. — Às vezes é tudo em que penso. Sabe, o dia todo, até mesmo quando eu estou trabalhando na minha música. Ao menos nessas horas eu devia ter um pouco de paz, me concentrar mais. No entanto, essas lembranças me assombram. Elas ficam rondando minha cabeça e não são nada como eu me lembrava e, sim, como realmente foi. — fui sincero, apesar do assunto me deixar m*l, eu me sentia sempre mais leve depois de uma consulta. — Só que mesmo assim, eu sinto medo — confessei. — porque eu sinto que mesmo que meus olhos estejam abertos a essas coisas agora, eu não mudei muito. Eu ainda me sinto extremamente carente e morro medo de ficar sozinho. Eu preciso e quero ser amado, ainda que o amor me assuste. Minha psicóloga me encarou com sua expressão impenetrável. Era impossível dizer o que se passava em sua cabeça e eu evitava tentar adivinhar e muitas vezes ela conduzia a conversa por caminhos que eu não conseguia compreender. Como agora, onde ela achou que algo que eu disse, podia ser levado até aquele homem. — É isso que o terceiro senhor K representa? Ele é um homem capaz de suprir esse seu medo? — seus olhos redondos fixaram-se aos meus e sem me dar chance de responder vagamente, ela estendeu tudo o que precisava que eu elaborasse em minhas confissões. — Pode me falar mais sobre a sua relação com ele? Vocês estão indo bem ainda, certo? Você notou alguma alteração no comportamento dele? Algo que seja pertinente para falarmos aqui? "O terceiro Senhor K", Kim Taehyung ou como eu costumava lhe chamar, Tae, desde que o conheci se mostra como um homem maravilhoso, mas o que a gente tem não é nada sério, no fim das contas. Eu o conheci muito por acaso. Se me lembro bem, foram umas poucas semanas depois que o Jungkook me contou sobre o seu namoro. Eu estava em mais uma daquelas fases na qual não queria me envolver com ninguém. Um tempo depois do término com o Hoseok, eu comecei a ter essas consultas, esperei apenas que meus ferimentos se curassem, para depois cuidar da minha mente também. Não foi nada imediato. Primeiro porque eu precisei de um bom tempo até que as fraturas que meu ex deixara em minhas costelas — e que dificultavam minha movimentação — e das minhas mãos, se curassem. O caso das minhas mãos eram mais delicados e eu precisei fazer fisioterapia, para voltar a tocar piano plenamente como antes. O segundo motivo foi talvez o mais comum de todos. Eu não me sentia confortável com a ideia e Jungkook não parava de conversar sobre o assunto comigo. Cada vez que ele falava a respeito, eu me recusava veemente a aceitar a ideia, mas depois acabei me deixando convencer por si. Ele me olhou com um tom tão triste em seus olhos e me pediu, quase em súplica, para que ao menos uma vez na vida eu lhe escutar. O jeito como ele disse aquilo fez coração pesar, me fez lembrar de cada vez que ele me aconselhou e eu simplesmente não lhe dei ouvidos e me joguei no fogo. No fim das contas, resolvi seguir seu conselho. Me lembro como se fosse hoje, o momento em que contei ao meu amigo que ia seguir em frente. Ele estava me esperando na recepção — ele sempre ia comigo até a fisioterapia — saímos do consultório juntos e durante a curta caminhada até o estacionamento, eu lhe disse: “Jungkook, eu quero fazer o que me disse. Eu vou buscar ajuda profissional”. Ele sorriu daquele jeito infantil e largo que ele sempre fazia e me abraçou cautelosamente, devido a meu corpo ainda fragilizado. “Você vai ficar, Yoonie, você vai ver! E eu vou estar com você o tempo todo.”, foi o que ele me disse, quase como se fosse uma promessa e, honestamente, ele nunca deixou de cumpri-la. Eu devia isso a ele — que estava sempre sofrendo comigo e me apoiando — e a mim mesmo. Por mais que eu temesse esse novo passo, não tinha como lhe contestar. Meu melhor amigo sempre quis meu bem e sempre me disse a coisa certa a fazer, no entanto, eu nunca lhe ouvia e quebrava a cara. Claro que foi difícil me submeter a terapia e eu não conseguia falar no início. Também, por algum motivo desconhecido por mim, todas as perguntas e tudo o que acontecia naquela pequena sala me enchiam de ira. Agora eu sabia que havia sido minha melhor decisão. Fazia uns 2 anos que eu vinha nesse lugar e todos sabíamos que seria um longo trabalho, mas os resultados já eram bem evidentes no meu dia-a-dia. Afinal, eu tinha diversos sintomas de carência afetiva e a causa era bem óbvia, o desafeto de meu pai e a normalização de sua frieza como amor. Há algum tempo que eu já não pensava mais nos meus relacionamentos dessa forma; como amor. Depois de tantas sessões e crises, eu obtive completa noção de tudo o que tinha acontecido de verdade. Por trás de cada palavra e de cada gesto. Algumas vezes, eu queria poder ignorar certas realidades por serem apavorantes demais, coisas que a juventude me cegou e agora como um adulto recebendo ajuda, eu enxergava corretamente. Todos os casos se repetiam em minha cabeça, como haviam sido de fato, sem distorções amorosas, sem nenhum filtro cor de rosa. Então foi assim que eu saltei dos 21 anos até os 23 sem chegar perto de outro homem. Qualquer satisfação s****l que eu necessitasse, eu encontrava sozinho e o alento vinha da terapia e do apoio dos meus amigos. Principalmente de um em especial e foi quando esse amigo em particular despertou o amor em mim e me trouxe suas boas novas que eu comecei a me sentir para baixo de novo. Como uma forma de me consolar, eu acabei iniciando um costume de fazer passeios sozinho pela cidade e um dia uma pequena galeria me chamou atenção. Sem pensar muito e curioso pelo que encontraria lá dentro, eu entrei neste pequeno ateliê de arte e lá estava ele, com seus cabelos esverdeados e de raiz escura, que combinavam perfeitamente com sua pele limpa e as tatuagens escuras que enfeitavam a mesma. Ele tinha as mangas da camisa dobradas e o seu belo rosto viril estava sujo de tinta. Taehyung me encarou surpreso assim que entrei e me analisou de cima para baixo. Seu olhar era tão minucioso, que me perguntei se havia algo de errado comigo ou se eu simplesmente não fazia o tipo da sua clientela, enquanto o observava colocar o pincel molhado na boca e se erguer, para se aproximar de mim, ainda me vistoriando. De repente ele tirou o pincel da boca, o apontando para mim, e, por mais estranho que fosse, ele me fez uma proposta: “Você quer ser meu modelo vivo?”. O encarei confuso. Ele queria me pintar? Me demorei tanto pensando nisso, que não o respondi. Eu havia sido pego de surpresa, então ele continuou, me disse que eu era muito lindo e que adoraria pintar um quadro inspirado em mim. Logo, fiquei envergonhado, por seus elogios e interesses, mas a partir dali ser pintado pelo Taehyung acabou se tornando meu hobby. Durante nossas sessões juntos, passamos a nos aproximar com conversas sobre nós. Taehyung tinha 36 anos e era viúvo. Esse seu romance, que iniciou-se na juventude, havia dado fruto e o homem tinha uma filha de sete anos que ele sempre chamava de "minha princesinha" e sempre se chateava quando eu lhe dizia que ele não sabia se ser uma princesa era o que sua garotinha desejava. Ele era um artista nato que amava o que fazia e vivia da forma como bem queria, um espírito completamente livre e que não se prendia a nenhum padrão. Sua vida era simples e feliz e eu acabei sendo envolvido de uma forma tão natural, que meu medo foi sumindo pouco a pouco. Tae sempre me fazia sentir bem e ter um pouco mais de fé na bondade das pessoas e isso me fez pensar que poderia ser hora de tentar de novo. Eu percebi que passei a adorar demais o jeito como ele me olhava, enquanto pintava tão concentrado. Seu rosto era bonito demais e ficava ainda mais quando ele sorria. Às vezes sua pequena — que era uma gracinha — chegava no estúdio e ficava brincando de pintar "assim como o papai". Ela só fazia diversos borrões coloridos, mas o pai a elogiava como se ela fosse uma artista nata, assim como ele e isso só o deixava mais atraente para mim, porque Taehyung era um homem que fazia completamente meu tipo. Sua idade, a aparência e o quão carinhoso ele era, tudo isso me cativava e eu comecei a pensar que já fazia tempo demais que estava sozinho e eu queria ao menos t*****r. Minha carência ainda precisava ser suprida e dessa vez — diferente de como foi com Jungkook no passado, onde pensei tantas vezes em seduzi-lo e desisti por medo — eu não tinha que temer por seduzir Kim Taehyung. A gente tinha algo, sim, uma relação legal, mas não era como meu melhor amigo de infância. Jeon Jungkook representava muito mais para mim do que qualquer outra pessoa, por isso eu tinha tanto medo do que minha carência poderia causar a nós dois. Eu tinha medos profundos, que tentava não pensar sobre. Com ou sem terapia, eu ainda estava sempre condicionado a pensar que meus relacionamentos costumavam acabar muito m*l e era difícil não atribuir a culpa a mim, mesmo nesse ponto. Então um dia, eu entrei no ateliê de Taehyung para uma das nossas tardes de conversa, enquanto eu posava para si, e o tranquei por dentro. Ele estava concentrado demais no que fazia para notar esse detalhe. Me aproximei dele e Taehyung se levantou para me cumprimentar como sempre, mas eu não queria o de sempre, eu queria algo diferente e só tinha que fazê-lo entender. Segurei sua nuca e acariciei os fios coloridos, mordi meu lábio, deixando minha intenção o mais clara possível, e ele simplesmente sorriu antes de me beijar. Fazia tanto tempo que eu não sentia o calor da boca de outra pessoa, que meu corpo inteiro estremeceu e eu o apertei ainda mais forte. Seu corpo era como um imã super forte, atraindo o meu para o mais perto possível. — Eu tranquei a porta. — sussurrei pra ele. — Somos apenas nós dois aqui agora. Ele arrastou suas mãos por minha lombar, mostrando que havia compreendido, e agarrou minhas nádegas. Nossos baixos-ventres começaram a se mover delicadamente à medida que iniciávamos outro beijo caloroso. Meu corpo estava em chamas por ele e eu adorava o sabor de café amargo em sua língua e o quão volumosa era a ereção que ele sarrava em mim. — p***a. — xinguei, porque aquele homem que me tocava tão bem, parecia ser o tipo perfeito. Ele me pegou em seus braços e me levou para sua pequena mesa de trabalho. Entre beijos e toques, a única coisa que restou para cobrir nossa nudez era nada mais que o corpo um do outro. Aquela foi a primeira vez que Taehyung e eu transamos no seu estúdio e o fizemos tão apaixonadamente, que eu quase saí de lá rouco. Ele me deu tanto prazer, que eu rasguei suas costas inteira. Era inevitável, cada vez que ele afundava seu p*u no meu cuzinho, era como se meu corpo inteiro fosse derreter e ele comandava seus quadris no ritmo certo e com uma força deliciosa. Além do mais, ele era bom com suas mãos e cada vez que ele me acariciava ou estimulava, eu sentia um formigamento intenso sob minha pele. Eu nem lembro quantas vezes transamos naquela tarde, mas nós não paramos por ali. Nossa relação foi mudando e a gente passou a se encontrar sempre que dava vontade e não apenas como modelo e artista. Não tínhamos nenhum compromisso formalizado, mas a gente falava e sabia muito sobre o outro. Éramos mais que amantes casuais, havíamos nos tornado amigos e confidentes um do outro. Em resumo: — Tudo com ele é perfeito, o terceiro senhor K é incrível. — fui honesto. — Eu acho que ele preza demais a liberdade, então as coisas funcionam bem entre nós. — ri. — Isso é bom, Yoongi, é a sua primeira experiência saudável. Percebe isso? — Uhum. — confirmei, mas tinha algo que nunca parava de me incomodar e de mexer com meus sintomas mais assustadores. — Sim, mas... — me calei. E ela riu um pouco baixo e amigável. A essa altura, eu tinha quase certeza que ela costumava fazer isso para me deixar mais confortável. — Jungkook, certo? Era o único nome que minha terapeuta conhecia de verdade, o único nome que não me dava medo de falar ou expor. Além de que ele sempre vinha me trazer a todas as consultas, desde o começo, como tinha dito antes, ele estava sempre comigo, enfrentando cada pequeno passo meu. E ainda ficava esperando por mim na sala de espera do começo ao fim. Mexi a cabeça minimamente, cheio de receio. Eu não gostava de levar Jungkook para dentro daquela sala. — O que te assusta, Yoongi? — Honestamente? — Claro. Sempre honesto. — me incentivou. — Os meus sentimentos por ele me assustam muito. Eu não sei dizer ainda se eu amo o Jungkook ou se é o jeito que ele cuida de mim que me confunde. Eu estou sempre afirmando e em seguida negando para mim mesmo, esses sentimentos... — de repente caí em mim, de que eu não tinha com o que me preocupar tanto, porque nada ia mudar entre nós. Suspirei desanimado. — De todo jeito, agora ele tem um namorado. — dei de ombros, como se aquilo não me magoasse. — E isso te incomoda? — Pra c*****o. — confessei, encolhendo meus ombros. — Eu não suporto vê-los juntos e eu me sinto péssimo por sempre tentar sabotar o namoro dele. Jungkook é o meu melhor amigo e sempre me apoiou. Cada coisinha que passei, ele estava comigo e foi ele que me fez vir aqui, aí em troca eu “inconscientemente” tento acabar com sua alegria, só porque isso me machuca. — eu me odiava por isso. — Ele vai acabar percebendo e me odiando um dia. — Então é melhor que você pare de sabotá-lo antes que as coisas desandem, certo? Jungkook parece um bom rapaz e você também, Yoongi. Ter ciúmes é normal, mas você precisa traçar uma linha do que excede os limites. Pode tentar fazer isso? Fiz silêncio alguns segundos e ela respeitou meu tempo de pensamento. Eu sentia vontade de chorar só de pensar em fazer aquilo. Eu odiava ficar na minha cama a noite, imaginando que ele estava com outro nos braços e se eu parasse de lhe ligar para que ele viesse a mim, como eu poderia dormir tranquilamente? — Hyunmi, — a chamei, mudando o rumo da conversa. A gente costumava se tratar pelos nomes, para manter a sensação de i********e. — você é a profissional aqui. — lhe acusei. — Não consegue me tirar essa dúvida? O que eu sinto por ele é só mais um sintoma ou eu realmente amo Jungkook? — talvez se eu soubesse a resposta, eu pudesse ser menos egoísta. Ela ajeitou seus óculos e me encarou pensativa. — Yoongi, é claro que eu não posso te dizer se ama ou não alguém, mas você já parou para analisar a situação de um modo geral e sem medo? — É, eu meio que já fiz alguma análise, mas continuo com medo... Sempre. — Vamos usar o terceiro senhor K como exemplo. O que ele é? Um homem de 36 anos, atraente, atencioso e um pai super carinhoso, certo? O que isso nos diz? — começou. Corei muito forte, percebendo onde ela queria chegar. Eu mesmo já tinha pensado nisso, mas achava que era loucura tirar uma conclusão a partir disso. — Que ele é exatamente o tipo de homem que eu sempre busco... Hm, meu problema. — Em base ele seria “seu problema”, sim, mas ele não te machuca. Vocês poderiam ter um relacionamento saudável. O terceiro senhor K é seu tipo ideal, Yoongi, tudo o que você busca em uma só pessoa, mas ainda assim você afirma não estar apaixonado por ele. Agora vamos ao Jungkook, você costuma dizer que ele é o oposto do seu tipo, certo? — Sim. — Já teve dúvidas sobre amar ou não o terceiro senhor K? — Hm, não. Eu tenho certeza que não o amo, só temos um lance legal. Ele me faz bem, mas é só isso. — Achou sua resposta? Porque esse homem que deveria ser capaz de suprir todas as suas necessidades não te deixa em dúvida se é um sintoma e Jungkook sim? — perguntou com um sorriso vitorioso e no meio do meu silêncio, enquanto eu percebia que ela apenas confirmava o que eu já tinha pensado sozinho, ela usou sua voz suave para dizer: — Bem, isso é tudo o que eu vou dizer a respeito. Apenas você pode achar a resposta e... Acabamos por hoje, Yoongi. Vamos abordar mais isso na próxima sessão. Você não precisa ter medo do amor. Lembre-se disso. — concluiu. Concordei com um sorriso forçado e me levantei, saindo da sala. Minha cabeça estava a mil, como sempre ficava após uma consulta. Não que fosse incomodo, porque eu me sentia mais leve e seguro à medida que ia absorvendo cada aprendizado ali, mas eram muitas coisas para refletir. Coisas essas que desapareciam por alguns segundos, ou melhor, se ofuscavam, quando eu abria a porta e o via ali como sempre me esperando. Meu coração acelerava de um jeito que não fazia para nenhum outro. — Como foi? — Jungkook, levantou-se assim que me viu e veio para junto. Seus dedos compridos deslizaram por meu rosto, me fazendo uma caricia suave, ao mesmo tempo em que me mostrava seu sorriso de apoio. O encarei e sorri de volta, com o coração ainda mais descompassado. Quase como seu aquele órgão quisesse me confirmar que não tinha como nada daquilo ser falso. Eu o amava... — Você sabe, foi como sempre. Meio constrangedor e outros sentimentos confusos. — ri timidamente. — Vamos tomar um sorvete? — Vamos. Saímos do consultório juntos e tomar sorvete era sempre a recompensa que ele me dava por ter lutado mais um dia, no entanto, eu ia apenas por causa da sua companhia, por causa daquele nosso momento junto. Havia uma bem perto do consultório, que acabou virando nosso point. Sentamos na sorveteria que ficava na mesma rua e fizemos nosso pedido. Jungkook e eu conversamos um pouco sobre a faculdade e como estava perto de concluir. Para mim, ter conversas tão corriqueiras após uma sessão era reconfortante e, mesmo sendo incômodo para mim, eu acabava o escutando falar do seu namorado. Porém, quando o assunto era esse, eu m*l prestava atenção no que ele dizia. Eu só percebia que Hyunmi estava certa, isso era diferente. Se eu fosse me apaixonar por alguém deveria ser por Taehyung, isso faria mais sentido, e não por Jungkook. Eu só tinha medo de errar e confundir o que era estar apaixonado ou apenas eu novamente me agarrando a qualquer sinal de afeto. Porque eu sempre tinha medo de abrir meu coração e aceitar que eu sentia algo a mais por ele há algum tempo. Desde antes do Hoseok, quando eu mascarei para mim mesmo, o meu interesse pelo meu melhor amigo, com frustração s****l. Na realidade, eu só nunca quis arriscar, porque eu estava sempre com a sensação de que estragava todos os meus relacionamentos e não poderia fazer o mesmo com esse. Eu amava nossa estabilidade, amava a segurança que nossa amizade passava de eternidade. Além do mais, Jungkook jamais me olharia assim. Eu era um cara patético e todo quebrado... Ele era meu primeiro amor de verdade e eu tinha que aceitar que seria sempre platônico, já que eu tinha perdido tempo demais buscando um tipo de amor que só estava me destruindo e que nunca foi capaz de suprir totalmente o vazio que crescia junto comigo. — Ah, eu tenho que ir. Marquei com o Yugyeom, não vou poder te deixar em casa. — capturou minha atenção repentinamente. Meus pensamentos saíram dele e voltaram para si. Meu coração acelerou, eu ficava assim quando sentia esse ciúme sufocante. Eu não conseguia me acostumar a imaginar Jungkook em uma relação séria, isso me deixava nervoso e com ideias idiotas, por isso eu rapidamente encarei meu relógio e exclamei: — Uau, já é essa hora? Eu também preciso ir ver o Taehyung! — eu pareci muito mais animado do que realmente estava, como se eu pudesse lhe magoar de volta também. Me levantei, arrastando a cadeira, e fui surpreendido por sua mão agarrando a minha com firmeza, no intuito de me parar. Foi quando eu percebi como eu estava sendo exagerado, tentando fugir dele e daquela vontade sufocante de chorar, por ele estar me deixando para trás para ver aquele que realmente amava. E como se não bastasse, ainda joguei um encontro falso com Taehyung como se isso pudesse deixá-lo tão irritado quanto a mim, sempre que ele falava de seu namorado. Eu queria tanto poder lhe provocar ciúmes, mas só lhe provocava preocupação. Essa era a imagem patética que meu amigo tinha de mim, de alguém extremamente frágil e com péssimo julgamento para caráter. Jungkook apertou um pouco minha mão e me encarou com uma expressão tensa, mordiscando seu lábio inferior. — Yoongi, espera um pouco. — ele pausou. — Eu fico sem jeito de perguntar, mas... — ele parecia mesmo sem jeito. — O Taehyung, ele… Ele é um cara legal mesmo, né? Ele te trata bem e te dá carinho como você merece? — me encarou preocupado e suas orbes negras me fizeram vacilar. Mexi nos meus cabelos e senti um leve ardor no meu rosto. Eu odiava pra valer tocar nesses assuntos com ele agora, porque eu sentia muita vergonha e vários outros sentimentos desagradáveis. Agora que a terapia tinha mudado minha visão sobre muita coisa — coisas que eu sabia que qualquer um podia enxergar, menos eu — eu sempre pensava que todos à minha volta me achavam ridículo e digno de piedade. — Você sabe que sim. — respondi o mais breve possível. Taehyung sempre ia nas minhas apresentações de piano na faculdade. Dessa forma, Jungkook e ele acabaram se conhecendo. Chegamos até a sair para beber juntos depois e eu notava como Jungkook sempre o olhava com receio, como se estivesse analisando qualquer vestígio de comportamento agressivo. Fazia um tempo que eu tentava manter meu amigo longe de qualquer assunto que envolvesse minha vida romântica. Primeiro porque eu tinha dado um longo tempo dela e quando a reiniciei, queria que ele apagasse a imagem que tinha de mim, porque eu estava trabalhando duro para construir uma nova. Não queria que Jungkook se preocupasse mais comigo, como se eu fosse um i****a, era como eu me sentia muitas vezes, mesmo que eu estivesse pouco a pouco aprendendo que não era culpa minha que alguns homens fizeram mau uso do meu amor. — Mas eu não sei como é quando estão a sós. Você nunca fala muito sobre vocês.. — enquanto eu não suportava nem ouvir o nome do seu namorado, ele queria me ouvir falar sobre Taehyung e eu? Que desanimador. — Kookie, não estou te escondendo nada, é só que a doutora Hyunmi cuida disso agora, não precisa se preocupar. Eu conto tudo a ela e o Taehyung é simplesmente… Hm, não tem nada errado com ele. Fazemos bem ao outro e somos honestos com nossas intenções. — Desculpe, eu não queria ser invasivo. — soltou minha mão, com o rosto avermelhado. Mas eu não queria deixá-lo ir assim. Ele não tinha porque se desculpar de nada, porque eu sabia que ele só estava sendo cauteloso, que Jungkook não queria mais ir me buscar em um hospital... Toquei seu rosto e sorri, lhe dizendo que estava tudo bem e que dessa vez se acontecesse algo, eu lhe diria. Me aproximei dele, me sentindo um tanto manhoso. Acima de qualquer vergonha, eu me sentia afetado pelo jeito que ele era sempre atencioso comigo. Abracei seu corpo, fazendo uma carícia terna nas suas costas. Eu sempre tocava Jungkook com certa ousadia agora e ele parecia não ligar ou perceber as minhas segundas intenções, então eu tirava um pouco de proveito da situação para poder senti-lo em meus braços e para depois de sua partida, ainda ficar com a presença do seu perfume em mim.
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