O nervosismo e a felicidade de estar ali se misturaram após as palavras da atendente. Laura lhe deu a quantia que foi guardada em seguida. Caminhou saindo detrás da bancada e pediu para que Laura a seguisse e caminharam por um corredor parando em frente a uma porta marrom. A ruiva bateu na porta apenas uma vez e logo a abriu. Indicou com uma das mãos para que Laura entrasse e lá estava a diretora. Sentada em uma poltrona macia na cor creme, parecia bem confortável.
— Olá! Sente-se! — falou sem tirar os olhos de uma folha. A essa altura a felicidade era o menor dos sentimentos presentes no coração e mente de Laura.
Ela se sentou em uma cadeira de madeira acolchoada com um almofada branca com quadrados azuis distintos em sua estampa. As mãos unidas à frente do corpo segurando a ponta do casaco. Seu destino estava olhando para ela neste momento. Era incerto, amedrontador e ao mesmo tempo esperançoso. Ela decidiria sua vida agora e a Bediévre torcia para que fosse positivamente. Ela precisava passar, pedia a Deus mentalmente para que isso acontecesse. A diretora enfim terminou o que fazia e buscou em uma gaveta à sua direita uns papéis. Buscou entre eles e selecionou um dali pondo sobre a mesa próximo a bailarina. Pegou sobre a mesa uma caneta que caiu de sua mão e rolou sobre o móvel de madeira escura o pegando no ar durante a queda. Ela sorriu para a bailarina que imitou seu ato. — Eu sou rápida, né? — Piscou e a entregou a caneta prateada com um nome entalhado: Astra Priet.
— Bom, você é a última dos que foram selecionados que vem fazer o cadastro. — Notando o nervosismo da mais nova comentou: — Isso é bom. — Sorriu amigável. Laura quis perguntar, bom como? Bom quanto? O que é bom? Mas apenas permaneceu no silêncio. — Meu nome é Astra Priet. Eu sou a diretora da Garden. Pra que você frequente as aulas é preciso um cadastro. Acredito que a Zoe deve ter lhe dito. Não?
— Sim, sim. Ela disse! Só não sabia que se chamava assim. — Sorriu sem graça e Astras abriu um sorriso largo e branco. A diretora era uma mulher próxima dos quarenta anos ou talvez tivesse mais, apenas não aparentava. Pele n***a e cabelos lisos. Era provida de curvas acentuadas, mas braços e pernas finas. Olhos verdes amarelados e lábios finos pintados por um batom nude.
— Você já pagou o cadastro? — meneou em afirmação. — Bom, infelizmente esse processo foi implementado a pouco tempo e por isso não enviamos nenhuma menção na carta. Então já peço desculpas pelo incómodo. Por mim eu já selecionaria todos pra participar, mas ordens são ordens, então vamos ao cadastro.
Ela começou perguntando coisas simples como nomes de toda a família , endereço, a renda familiar, e outras mais específicas como a sobre filho, se a jovem bailarina tivesse filhos. Ela segurou o riso em respeito, mas foi inevitável não pensar na sua falta de experiência. Sério, seu primeiro beijo havia sido no ano anterior com seus dezesseis anos durante um jogo na escola. Beijo esse que foi uma de suas piores experiências e que se arrependimento matasse estaria morta. A entrevista havia terminado com as palavras confortantes sendo ditas. — É isso, está aprovada. Assina aqui, depois passa ali na Zoe e escolhe um quarto disponível com ela. Parabéns senhorita Bediévre e bom estudo. Desejo vê-la em seis meses como a melhor da turma. — “ Quase não colocou um peso sobre os meus ombros. ”
— Vou tentar, obrigado! — Ditou e saiu da sala. Mordeu o lábio e assim que fechou a porta atrás de si deu saltinhos de felicidade em comemoração. Se conteve olhando para todos os lados, mas não havia ninguém e agradeceu mentalmente a Deus por essa vergonha não ter passado. — Oi de novo, senhorita Zoe! A Senhora Priet disse pra eu escolher um quarto. — Disse empolgada e com um sorriso estampado.
— Toma! — Entregou uma chave com um chaveiro de metal no formato de um escudo e nele havia o ícone da academia com as quatro letras separadas pelo objeto. O A na cor branca, o G na azul, o B na branca e o L na azul. Na parte de trás, no metal prateado o número do quarto entalhado: 12.
— Ah! Obrigado! Onde fica?
— Terceiro andar do prédio novo de dormitórios.— bocejou entediada.
— Obrigado!
Laura saiu sorrindo apertando a chave no centro da palma. Caminhou direto até a saída e desceu a escada de entrada, onde os mesmos rapazes estavam ali. Um mulato alto, cabelo raspado, músculos aparentes devido a camiseta branca que utilizava. Muito bonito. Outro era ruivo com olhos acinzentados. O terceiro era loiro. Olhos castanhos claros e sorriso encantador. Se ofereceu para me ajudar com as malas. Laura ficou animada a princípio, porém ele iria cobrar e ela não sabia de que forma seria essa cobrança. Preferiu não se arriscar. Agradeceu e continuou puxando sua mala e carregando a outra. Seguiu o caminho de ladrilhos cinzas. No final, antes do lago os dois prédios lado a lado com apenas dois ou três metros de distância um do outro. Eles eram distintos por cores. A loira continuou seu caminho para o seu e subiu a rampa do esquerdo, o dormitório dos bailarinos. Seguiu até o elevador, mas havia uma plaquinha em frente ao ele.
“Em manutenção.
Use a escada.”
“Que terror, subir com esse peso. Degrau em degrau empurrando isso. ”
Mas subiu. Conseguiu chegar ao terceiro andar após alguns minutos. Havia três corredores, o principal, em frente a escadaria, dois pras laterais e o quarto dela ficava no final do corredor principal. Era o segundo quarto do lado direito. Os andares eram separados em quatro quartos por andar, colocando até quatro alunos em cada, mas a maioria dividia com apenas um. Isso dava uma porta em cada corredor, sendo que no principal ficavam duas. Uma de frente para a outra. Bateu na porta. Mas ninguém atendeu, então destrancou e entrou. Era uma porta de madeira clara. Havia uma cama de solteiro na esquerda e outra na direita. Um pequeno armário nos pés de cada cama. Na parede de acesso ao banheiro, no meio, no alto, havia uma televisão não muito grande. As camas e os armários faziam um corredor que levava até um móvel baixo com duas portas que, seja lá quem for seu colega de quarto, guardava sapatos ali. O móvel é de madeira semelhante à cor dos armários e da porta. Sobre ele um jarro com um buquê feito de margaridas vermelhas e brancas e um girassol. Em ambos os lados havia uma porta, também de madeira clara. Atrás da porta a direita estava o banheiro. Pequeno, mas suficiente. No final um box com um chuveiro quadrado, ao entrar uma pia retangular de granito a esquerda e o sanitário entre a pia e o box. Havia um pano branco no chão sobre o piso preto e branco. Laura decidiu estrear o banheiro pegou em sua mala a toalha azul clara e tomou um banho. Seu primeiro banho em terras inglesas. Ela estava radiante e enquanto se secava ouviu o ruído da porta abrir e de passos dentro do quarto. Saiu do banheiro para ver quem era e se deparou com uma jovem de longos cabelos rosados. Seus olhos azuis brilhavam com muita intensidade e ela sorriu ao ver a bailarina enrolada em sua toalha.