— Ah meu Deus! Finalmente uma colega de quarto. — exclamou sorridente. Sorriu tímida em resposta. — Eu sou Allyla Heins, mas pode me chamar de Ally. Todo mundo me chama assim. — falou estendendo a mão que logo foi apertada pela loira.
— Laura Bediévre. Não tenho apelido. — Tímida respondeu.
— Então vamos arrumar um!
Sorriu e concordou com a cabeça. Ally já havia escolhido a cama da direita, portanto ficou com a da esquerda. Após se trocar para um pijama de calça na cor rosa, guardou suas coisas no armário de sua cama enquanto conversavam sobre a academia, família e países de onde eram. Ally ficou muito interessada sobre o Brasil e contou muito sobre sua vida em Londres com sua mãe. Conversaram sobre tudo, inclusive de certas alunas que ela não se dava bem e que a uma delas apelidou de Darth Vader de tutu.
Allyla foi tomar banho e disse que sairia depois, até convidou a loira que negou educadamente. Estava feliz em fazer amizade, mas estava cansada, apesar de curiosa. Ela ficou deitada por alguns minutos trocando mensagens com sua mãe e irmão pelo celular. Seus pais ficaram felizes e mais aliviados com as notícias. Após um tempo depois que Ally já havia saído, a loira decidiu caminhar um pouco e o primeiro destino foi o topo do prédio. Laura subiu até o último andar, o terraço do prédio. Passava um pouco das dez. No quarto andar há várias salas fechadas, algumas com entulhos, cheias de poeira. Outras completamente vazias e havia essa porta para o terraço que estava destrancada por algum motivo que ela não sabia. A loira subiu os degraus de uma escada apertada até se ver livre no terraço.. Lá de cima dava pra ver toda a extensão da Garden, só não via a parte atrás do dormitório. Ao lado, estava o prédio de dormitórios da Roster. Apesar da pouca distância, parecia amedrontador se aproximar da ponta. O terraço era coberto de pedrinhas pelo chão, havia, com certeza, alguém tentando criar um pequeno jardim aqui em cima. A brasileira caminhou por toda a extensão do terraço tocando nas estruturas ali. O terraço da Garden era bem iluminado, mas o outro terraço, o da Roster, não era muito. Laura sentou no chão sobre as pedrinhas e recostou no beiral. Se questionou se era proibido estar ali e se fosse não queria desapontar a diretoria no seu primeiro dia, mas em poucos minutos já havia se tornado seu lugar favorito. O barulho de uma porta abrindo tomou a atenção da jovem que se encolheu se escondendo ali. A porta foi fechada e a loira observou para saber se era a do próprio terraço, mas não. Era alguém da Roster.
Levantou até a altura de seus olhos e observou o terraço vizinho e lá estava um cara com um violão. Ele estava de lado para o dormitório sentado no beiral. O terraço acabou se tornando melhor ainda já que o homem começou a dedilhar em seu violão uma música que não conhecia. Devido a falta de iluminação não era possível ver muito bem como ele era. Apenas que era alto e loiro. Laura sorriu se encantando por seu talento. Ele parou de tocar e anotou em um caderno alguma coisa e depois voltou a tocar outra vez. A loira então decidiu sair do telhado para não atrapalhar sua composição. Saiu agachada e tropeçou caindo sobre as pequenas e pontudas pedrinhas.
— Au! Aish! — doloridas. As pedrinhas eram bastante dolorosas. Ralou a palma da mão direita.
— Tá, tudo bem? — A voz aveludada e grossa ditou de trás. — Se virou abrupta para a voz.
— Sim! Sim! — Deu uma pausa e respirou fundo. — Sim! — sorriu.— Desculpe atrapalhar sua composição.
— Não — ergueu a canhota indicando que ela não havia atrapalhado. — Não, só me surpreendeu. — falou sorrindo sem graça. — Não costuma ter ninguém aqui, então achei estranho o barulho. Mas não se machucou, né?
— Ah só aqui — estendeu a palma ralada. — Mas nada sério. Eu cheguei hoje. Não sabia se era proibido vir pra cá e também não queria atrapalhar. E esse lugar é maravilhoso!. Não sou de multidões, então esse lugar é perfeito. Calmo, pouca luz e as estrelas. — contou gesticulando bastante.
— Sim. Aqui é sempre muito bom para apreciar as estrelas e pra tocar também. É muito inspirador. — falou olhando nos olhos. Agora estava mais pra ponta do dormitório, mais perto dela e era possível observá-lo. Era bonito, muito bonito. Seus olhos verdes se iluminaram com o clarão da lua e os músculos sobressaiam o tecido da camisa branca de mangas. — Ah, que educado eu sou . Nem me apresentei. Sou o Matthew. Mas todo mundo me chama de Matt.
— Todos mundo tem apelido aqui, menos eu. — disse, e ele a olhou sem entender com um sorriso confuso. — Ah perdão. — Riu e se aproximou do beiral. Sou a Laura, Laura Bediévre. — Ele sorri. Olha para o violão e disse enquanto caminhava até o instrumento.
— É um prazer conhecê-la, Laura, gostaria de ouvir uma música?
— Uhum!
— Qual música você quer? — fala com uma sobrancelha arqueada. Ele era tão bonito.
— Não sei. Me surpreenda!
— hm.. — Ele fica pensativo por alguns segundos e começa a dedilhar as cordas.
“Como ele pode ter acertado em cheio. Eu amo essa música, com certeza está na lista das favoritas.”
— Oh, there she goes again. Every morning it's the same. You walk on by my house. I wanna call out your name.
“Sua voz é incrível, amável. Ele canta tão bem.” Encantou o coração da loira que sibilava a letra junto com ele, mas não empunhava sua voz para não estragar o soneto de Matt.
— I wanna tell you how beautiful you are from where. I'm standing. You got me thinking what we could be 'cause. I keep craving, craving, you don't know it but it's true. Can't get my mouth to say the words they wanna say to you. This is typical of love. Can't wait anymore, I won't wait
I need to tell you how I feel when I see us together forever. — Laura o observa a meia luz. Ele é lindo e está tocando uma música ama. — In my dreams you're with me. We'll be everything I want us to be. And from there, who knows? Maybe this will be the night that we kiss for the first time. Or is that just me and my imagination?
Ele para de cantar quando termina o refrão e sorri para Laura que exibia um sorriso bobo e encantado. — Então conhece essa!
— Sim! Eu sou apaixonada por essa música. Você acertou na escolha. — Estendeu ambas as mãos com os polegares para cima.
— É.. o que significa isso? — imitou o movimento com a mão esquerda. — Significa algo bom?
— Ah! Eu esqueço. Significa muito bom ou então um cumprimento no Brasil. Tipo: E aí! Beleza? — Ela brinca explicando e ele exibe um enorme sorriso.
Passaram o resto da noite conversando sobre ela, sua família e sobre a música brasileira. Ele falou de Nevada, onde os pais dele moram. Falou que tem uma irmã incrível e que adorou conhecê-la. Infelizmente já era tarde. Passava um pouco da meia noite. Precisavam dormir pois ambos estudaram pela manhã.
— Boa noite, Matt!
— Boa noite, Laura!