Capitulo 42

2335 Words
— Tudo isso é culpa sua! — ele resmungou, ignorando a pergunta dela. — Minha? — ela riu. — Não coloquei uma arma na sua cabeça para você vir me encontrar gato. — ela voltou a se deitar. — Vocês homens só pensam em sexo, fazer o que senão aproveitar? — observou ele vestir a blusa apressado. — Boa sorte com o seu pirralho. Ele pegou a chave do carro e sua carteira e saiu depressa. — O que esse aí tem de gostoso, tem de desnaturado. — riu e voltando a fechar os olhos. Joshua dirigia apressado, não estava acreditando que tinha dormido, não era possível. Any lhe mataria! Sabia que já tinha perdido a festa, agora o problema era a desculpa que inventaria. Noah e Bailey estavam na festa, portanto dizer que estava com eles, estava fora de cogitação. Dizer que estava na empresa também não daria certo, se bem conhecia sua mulher, ela já tinha ligado em busca de notícias dele e já tinha constatado que ele não estava lá. Merda, estava ferrado mesmo. Tinha que pensar em uma desculpa convincente. ¨¨¨¨ — Ah não mamãe... — Michelle choramingava. — Vamos ficar mais! Eu não quero ir embora. — Chega Michelle. — Vivian dizia estressada. — Todo mundo está indo embora, a festa já acabou. — Não acabou, ainda está tocando música. — chorosa. — Eu disse que nós já vamos. — disse estressada, Joshua tinha conseguido lhe tirar do sério. — Vá procurar a sua tia e diga que nós já estamos de saída. — guardando os brindes dos filhos na bolsa, junto com o celular. Michelle saiu emburrada. — E você para de comer menino! — bufou ao ver o filho se empanturrar de doces. Com tanta gula Fischer já estava um pouco acima do peso, era só o que faltava, ter um filho gordo. Se levantou com Miranda e foi atrás de Any, já que Michelle era extremamente lenta pra procurar os outros. ¨¨¨¨ Any estava conversando com Tomás, enquanto David dormia em seu colo. Estava profundamente triste por Joshua não ter chegado para a festa, David antes de dormir teve um ataque de choros pela falta do pai, alegando que Josh não gostava dele. Se não fosse por Tomás ele não pararia de chorar tão cedo, o homem o pôs no colo e começou a contar uma história sobre guerreiros, logo o pequeno estava dormindo. — Não fique assim Any. — Tomás dizia, a conformando. — Vai ver ele teve algum imprevisto. — Não sei, eu estou muito chateada Tomás. — ela mordeu o lábio. — Se fosse só por mim, eu nem ligava, mas ver o meu filho triste acaba comigo sabe? — entristecida. — Tanto que eu pedi para ele chegar cedo. — coçou a nuca e ouviu a voz da irmã. — Any, nós já estamos indo. — ela disse. — Ah sim, obrigada de verdade por virem. — ela agradeceu. Vivian ia responder e ficou muda ao ver a figura que estava ao lado de Any. — Tom? — Vivian? — ele levantou e a encarou confuso. — O que você está fazendo aqui? — ela perguntou amarela.  Any estava confusa. — Não sabia que se conheciam. — ela comentou acariciando os cabelinhos do filho, que ressonava tranquilamente. — Pois é, como esse mundo é pequeno não é? — Vivian cruzou os braços. — É meu ex-namorado. — Nossa, que coincidência. — Any sorriu de canto. — Vivian é minha irmã. — ela disse. — Você é irmã dela? — Tomás estava assustado.  Any e Vivian eram mulheres completamente diferentes, inacreditável que fossem irmãs. — Sim é minha irmã. — Vivian disse seca. — E vocês se conhecem de onde? — disse, extremamente incomodada com a forma que encontrou os dois, era inaceitável que um ex-namorado seu se interessasse por Any. — Da escola de David. — Any disse. Miranda estava se segurando para não rir, o tal Tomás era um homem lindo e parecia atencioso demais com Any. — Bem, eu vou embora. — Vivian disse, sentindo uma espécie de fadiga, já não bastava Joshua, e agora encontra Tom de repente. Ela precisava de um analgésico. — Vou atrás da Michelle e nós já vamos. — ela disse rápido. — Obrigada por virem. — Any agradeceu e a irmã se retirou, junto com Miranda e Fischer. — É, eu não sei o que dizer. — Tomás estava sem graça. — Não esperava que Vivian e você fossem irmãs. — Eu espero que não tenha ficado constrangido com isso. — Any mordeu o lábio. — Vocês terminaram brigados? — Na verdade sim. — ele suspirou. — Mas isso é um assunto para outro dia. — ele deu um sorriso. — Como quiser. — ela riu de leve. — Bem, eu vou colocar essa ferinha na cama. — ela disse, levantando com o filho. — Se quiser posso te acompanhar, ele deve estar pesado. — ele se ofereceu. — Eu agradeço. — ela mordeu o lábio. Tomás o pegou no colo com cuidado. David abriu os olhinhos, de forma sonolenta e deitou a cabecinha no ombro de Tomás, agarrando no sono de novo. Any beijou a mãozinha dele e saíram do salão. Ao adentrarem o apartamento Any suspirou entristecida. Josh também não estava lá, saiu de seus pensamentos quando Tomás falou. — Que casa cheirosa. — olhou ao redor, vendo como era limpa e organizada. Any sorriu. — Você mesmo que cuida? — Sim, meu marido queria contratar uma pessoa pra trabalhar aqui, mas eu achei desnecessário, faço questão de cuidar da minha casa. — Any comentou, colocando as chaves na mesinha. — Vem Tomás, deita ele aqui. — caminhando até o quartinho do pequeno.  Tomás o deitou na cama e Any tirou a roupinha dele e os sapatos, deixando-o só de cueca.  — Boa noite minha vida. — deu um beijinho nele e saiu junto com Tomás. — Vamos. — ela chamou e ele assentiu. — Você vai deixá-lo sozinho? — Sim, ele não vai mais acordar hoje. — ela disse, enquanto fechava a porta. Chegaram ao salão e alguns minutos depois Tomás se despede de Any e vai embora. ¨¨¨¨ Joshua estacionou o carro no estacionamento e ficou pensando na desculpa que inventaria. Tinha certeza que Any iria acreditar. Respirou fundo e saiu do carro. Foi até o salão e tinha apenas o pessoal da manutenção desmontando os brinquedos e Any, que estava arrumando os presentes, já usava um coque m*l feito e estava sem os óculos, provavelmente estava de lentes. Um dos homens foi até ela com uma prancheta e ela sorriu e assinou. — Obrigada, o meu filho adorou. — ela agradeceu. O homem assentiu e se afastou com um sorriso. Any por sua vez, fechou o seu ao ver o marido. Ele se aproximou dela e respirou fundo. — Any eu... — ele começou, mas ela o interrompeu. — Cala a boca, eu não quero ouvir sua voz. — ela lhe deu as costas e voltou a fazer o que estava fazendo.  Ele rolou os olhos e se aproximou dela. — Meu amor, tudo isso tem uma explicação. — Explicação? — ela se virou, e o encarou, vermelha de raiva. — Eu já estou cheia de ver você priorizando outras coisas, enquanto eu e seu filho ficamos sempre em segundo plano Joshua! — Mas eu... — ela fechou os olhos, dando a entender que ainda não tinha terminado. — Eu te pedi inúmeras vezes para você chegar cedo, e olha só o que você faz! Você não estava aqui com ele na festinha, sabe muito bem por que ele quis fazer a festa no fim de semana e nem assim se comoveu em estar presente. Joshua suspirou e coçou a nuca. Está certo que ele tinha feito uma merda, mas não foi de propósito. — Joshua, antes de ser sua mulher, eu sou mãe e meu filho é o que mais me importa. Se você não está feliz em ser um pai e um marido presente, tudo bem, eu nunca forcei você a ficar comigo e sabe disso. Só não entendo por que te dá tanto prazer ficar nos magoando. — Não é bem assim. — ele engoliu o seco, não estava gostando de ter que escutar tudo aquilo. — Ah não? E como é? Conto nos dedos às vezes que jantou conosco esse mês, as vezes que saímos só nós dois, ou as vezes que levamos nosso filho a algum passeio. Você nunca está disposto, nem para levar ele a casa do Noah você quis... Porque você faz isso? Você é o primeiro pai que eu vejo que não se importa com o filho. — É CLARO QUE EU ME IMPORTO COM O MEU FILHO! — ele berrou. — NÃO SE IMPORTA! — ela respondeu no mesmo tom. — Se você se importasse não teria feito o que fez hoje. Não tem noção de como o machucou. — disse passando a mão no rosto. — Até os seus amigos vieram, seus amigos estavam aqui e você não. Tem noção de como foi constrangedor ver todo mundo perguntando onde você estava e eu ter que encarar isso como se não me afetasse? — Eu já disse que tem uma explicação... — QUE EU NÃO QUERO OUVIR! — ela o interrompeu, terminando a frase. — Eu não quero mais falar com você, sai daqui. — Me perdoa meu amor. — ele pediu choroso. Não esperava que Any ficasse tão irritada. — Não é pra mim que você deve perdão Joshua. — ela disse pegando a travessa com apenas um pedaço mediano do bolo e colocando dentro os docinhos e salgadinhos que ainda estavam na grande mesa.  Ele vendo que estava sendo totalmente ignorado saiu bufando. Any o viu saindo e engoliu o seco. Já estava na hora de Joshua entender que ela e David também tinham sentimentos, já estava cansada de vê-lo tão ausente com o pequeno. Joshua entrou em casa e se jogou no sofá, pensando em tudo o que Any tinha dito. Está certo que ele não era um super pai, mas ela exagerou quando disse que ele não se importava com David, passou a mão no rosto e foi até o quarto do filho. Apesar de não querer, estava se sentindo um pouco culpado por não ter ido a festa. Entrou e viu o menino dormindo, sentiu ao lado dele e acariciou sua costinha, querendo que ele acordasse. Não demorou e ele acordou, coçando o olhinho. — Papai. — ele disse, com os olhos semiabertos. — Ei garotão. — ele sorriu de leve. — Porque você não tava na minha festa? — disse com um bico de choro que deixou Joshua incomodado. — É que... — ele coçou a cabeça, olhando para os lados. — Teve um imprevisto filhão. — Mas eu queria que você viesse. — disse a ponto de chorar e Josh sabia que ele não demoraria a cair no choro. — Eu sei meu filho. — ele gemeu, agoniado. — Acontece que não deu tempo do papai chegar. — o pequeno caiu no choro. — Não chora filho, o que eu disse pra você a respeito disso? Homens não choram. — Mas eu tô com vontade de chorar! — ele soluçava. — Desculpa o papai. — ele deitou ao lado do pequeno e beijou sua cabecinha. — Amanhã vamos passar o dia inteiro no parque de diversões, o papai vai comprar um bolo e vai ser muito legal. Vai ser como uma segunda festinha, o que você acha? — Mas você sempre promete e nunca cumpre papai! — olhando o pai, com os olhinhos vermelhos. — Mas eu vou cumprir. — ele mordeu o lábio. — Amanhã vamos passar o dia inteiro juntos, vamos passear muito, vamos aonde você quiser. Eu só quero que você me perdoe. — Mas você vai cumprir de verdade? — limpando as lágrimas. — Sim, eu vou cumprir. — ele estendeu a mão. — Bate aqui! David sorriu por fim e chocou sua mão com a do pai. Joshua sorriu. — Eu desculpo. — Valeu filhão. — beijou a cabeça dele. — Agora está na hora de voltar a dormir, o papai vai ficar aqui com você até que durma. David sorriu e se aconchegou com o pai, feliz por saber que o dia seguinte passaria com Joshua. ¨¨¨¨ Any terminou de distribuir bolo e as outras guloseimas aos porteiros e outros funcionários do prédio e subiu desajeitadamente com a caixa de presentes, amanhã limparia do salão logo pela manhã. Entrou em casa e arrastou a caixa até o quarto de Davi. Viu Joshua deitado ao lado do pequeno, acariciando sua costinha, David já estava quase pegando no sono e Any suspirou. — Mamãe, amanhã o papai vai fazer uma festinha só pra gente. — o pequeno comentou, sonolento. — Que bom meu bem. — beijou a mãozinha dele. — Agora dorme tá bom? — deu um beijinho na cabecinha dele. — Boa noite, a mamãe te ama. — saiu do quarto e fechou a porta. Tinha medo de ver David tão entusiasmado com essa suposta festinha, afinal se Josh não cumprisse o combinado e o pequeno ficaria mais triste ainda. Decidiu tomar um banho para dormir, afinal o dia tinha sido longo e exaustivo. Quando David por fim pegou no sono Josh foi para seu quarto, ouviu o barulho do chuveiro e decidiu espera-la sair do banho, não permitiria que ela fosse dormir com raiva dele. Não demorou e a mulher saiu, coberta por um roupão. — Any, nós temos que conversar. — ele começou, a observando ir até a cômoda. — Sobre o que? — ela abriu os olhos bem abertos e tirou a lente do olho esquerdo. — Você sabe que é sobre o fato de eu ter faltado a festa. — ele rolou os olhos, odiava quando Any agia ironicamente, não combinava com ela.
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