Capitulo 43

2317 Words
— Já conseguiu o perdão do nosso filho inventando festinhas imaginárias. Para que você ainda quer conversar? — tirou a lente do outro olho. — Não são festinhas imaginárias, vou levá-lo ao parque e vou comprar um bolo para ele e as velinhas. Eu vou cumprir. — Faça isso, você deixando-o feliz é o suficiente. — suspirou guardando as lentes. — Any eu não vim pra festa por que... Eu atropelei uma pessoa. — mentiu. — Como é que é? — se virou o encarando. — Atropelei uma velhinha. — suspirou e Any olhou o chão, perplexa. — Meu amor, foi bem na hora que eu estava vindo me arrumar para a festa. Ela entrou na pista do nada e foi inevitável. É claro que eu tive que prestar socorro, levá-la ao hospital, cuidar de tudo e arcar com tudo. — Mas que merda Joshua! Porque não me disse antes?! — ela passou a mão no rosto. — Você não me deixou explicar poxa. — ele disse obvio. — Porque não ligou me avisando? — Porque eu não queria estragar a festa do meu filho. — ele coçou a nuca com a expressão chorosa. — Se eu ligasse pra você avisando te deixaria preocupada ou então iria querer ir pra lá, e não foi nada demais. — Como nada demais? — ela arregalou os olhos. — Você atropelou uma pessoa Joshua, como está essa senhora? — Ela está bem, só quebrou umas duas costelas e o braço, já até tomou alta. — ele mentia tão bem que era impossível não acreditar. — Eu mesmo a levei para casa. — Bem, temos que visitá-la depois para ver como anda a recuperação e... — ele a interrompeu com os olhos arregalados. — Não meu amor, ela deixou bem claro para eu não voltar lá, pois quando o filho dela soubesse que ela foi atropelada iria ficar muito irritado e esse homem é muito agressivo. Já fiz tudo o que tinha que ser feito. — ele a olhou de r**o de olho, satisfeito ao ver a cara de choque dela. — Any eu jamais faltaria ao aniversário do meu filho por maldade. — ele finalizou. — Me desculpa por ter sido grossa. — ela mordeu o lábio. — Mas eu não vou retirar o que eu disse. — suspirou negando com a cabeça. — Não é de hoje que você anda ausente e o que mais sofre com isso é o David. Entendo que hoje não foi culpa sua, mas os outros dias sim. — Você sabe que não faço por m*l meu bem. — ele beijou a mão dela. — Queria que você nos priorizasse Josh. — ela o encarou. — Eu me entrego totalmente ao nosso casamento, ao nosso filho e não vejo o mesmo da sua parte. Ele a olhava profundamente, em seguida lhe beijou de forma delicada. — Me perdoa. — sussurrou assim que partiram o beijo.  Any abraçou o próprio corpo e o encarou. Ela assentiu com um sorriso entristecido.  — Olha, pra você ver que eu estou arrependido, amanhã vou te levar pra sair. Podemos jantar, e depois dar umas voltinhas pela cidade. O que você acha hm? — Eu vou adorar. — sorriu, mais alegre. Ele a beijou outra vez e ela foi vestir sua roupa. Joshua a olhou entrar no closet  aliviado, tinha conseguido se livrar, apesar do susto que tinha tomado ao ver Any tão furiosa, tudo enfim tinha se acertado. ¨¨¨¨ No dia seguinte, Josh levou o filho para o parque de diversões e passou a manhã e boa parte da tarde com o pequeno. Coisa que deixou David extremamente feliz. Como tinha prometido comprou um bolo e ajudou o filho a soprar as velinhas, coisa que o pequeno adorava. Enquanto David se divertia com o pai, Sofya e Sina chegaram para visitar Any e ver como ela estava. — E aí amiga! — Sina disse, lhe dando um beijinho no rosto. — Quero bolo e já! — disse acariciando a barriga protuberante.  Any sorriu. — Oi Sina, na cozinha ainda deve ter. — sorriu ao ver a grávida adentrar sua cozinha e sumir por lá. — Oi Sofya! — E então Any, como está? — a loira entrou também. — Estou bem, só com uma dorzinha de cabeça. — sorriu de leve. — Estava arrumando o quarto do David, ele abriu os presentes hoje de manhã e fez a maior bagunça. — E onde está o fofinho? — Saiu com o pai dele. — sorriu ao ver Sina chegando com a cara lambuzada de glacê. — Pelo visto achou o bolo. — Any riu da cara dela. — Isso, vai rindo. — Sina rolou os olhos, sentando-se no sofá com o pratinho de bolo. — Falando no pai dele, onde ele tinha se metido? — Acreditam que ele atropelou uma senhora? — Any sentou-se no sofá. — O QUE? — Sina e Sofya repetiram em um uníssono. — Atropelou uma pessoa? E como foi? — Sofya perguntou, assustada. Any contou tudo, exatamente como Beauchamp tinha lhe contado e as amigas ficaram chocadas. — Uau, isso é que é azar! — Sina disse, alarmada. — Logo na festa do filho ele atropela uma pessoa, pelo menos ele não negou socorro e fez tudo certo. — suspirou. — Mas ele levou o David pra onde? — Para o parque, o levou para terem um dia juntos, ia comprar um bolo e iam fazer outra comemoração. David adorou a ideia, precisava ver a felicidade dele hoje de manhã. — ela sorriu, lembrando-se da carinha do filho. — E você não foi com eles por quê? — Sina perguntou. — Porque eu estava com dor de cabeça e ainda estou. — ela acariciou a fonte. — E também eu achei melhor eles irem sozinhos para terem um dia de pai e filho. — sorriu conclusiva. — Nossa Any, você com dor de cabeça e a gente aqui te enchendo o saco. — Sina disse sem graça. — Imagina. — Any repreendeu. — Vocês não enchem o saco, o que é isso. — negou com a cabeça. — Já tomou remédio? — Sofya perguntou. — Já sim, mas não passou. — suspirou. — Logo vai passar. — Tem razão, venham, vou mostrar os presentes do David pra vocês, assim eu me distraio e quem sabe a dor passa não é? — levantou. As amigas assentiram e a seguiram. Ela mostrou os presentes do pequeno às amigas e ficou um tempo conversando, depois de uma hora Sina e Sofya se vão e Any decide deitar um pouco, pra ver se amenizava sua dor de cabeça. Mais tarde acorda com o barulho que David fazia. — Mamãe, olha o que eu ganhei no tiro ao alvo! — o pequeno pulava na cama com um grande urso. Ela sentou e sorriu. — Você ganhou? — ela perguntou. — Que lindo filho! — pegou o urso e o analisou, era branco e segurava uma bola verde, extremamente fofo. — Bem, não foi bem sozinho, o papai me ajudou a acertar! — ele sentou ao lado da mãe e logo Josh entra no quarto com a expressão sorridente. — E como foi? — ela perguntou. — Se divertiram muito? — Sim, foi muito bom. — Josh disse, tirando a camisa. Precisava de um banho urgente. — Eu andei na montanha-russa! — o menino disse. Any arregalou os olhos, assustada. — Mini. — Joshua enfatizou, vendo a expressão de Any voltar ao normal. — Ok, mini montanha-russa. — ele cruzou os bracinhos. — Mas é uma montanha-russa também, não é mamãe? Ela sorriu e lhe agarrou, lhe dando um beijo e um cheirinho na bochecha. — Sim meu bem. — Vou contar para os meus amiguinhos amanhã e eles vão ficar com inveja por que eu tive coragem pra andar na montanha-russa e eles não. — saiu correndo do quarto arrancando sorrisos bobos da mãe. — Ele é tão esperto. — ela disse olhando a porta por onde ele tinha saído. — Obrigada por ter levado ele, ele está muito feliz. — Bem, eu sou o pai dele... Também me interessa muito ver meu filho feliz. — Any assentiu. — E hoje a noite vamos sair, ok? — ele lembrou. Ela suspirou, não estava se sentindo muito bem, mas não iria desperdiçar a chance de sair sozinha com o marido. ¨¨¨¨ À noite, Any estava dando as recomendações à babá de David, uma adolescente que morava no andar de baixo e que sempre olhava o pequeno quando Joshua e ela tinham que sair. — E por último, nada de trazer seus namoradinhos pra cá, ouviu Bia? — deu um sorrisinho debochado. — Ai Any, como você é estraga prazeres. — ela se jogou no sofá. — Mas vem cá, os primos podem vir não é? — Any arregalou os olhos e Bia caiu na risada. — Af, é brincadeira. — Você é louca. — Any riu. — Mamãe, eu quero assistir desenho até tarde tá? — o pequeno coçava os olhinhos no sofá. — Pode assistir até as dez. — ela limitou. — Depois a Bia vai colocar você na cama, não se esqueça que amanhã tem escola. — Mas por quê? — choroso. — Porque eu disse. — ela foi até ele e lhe deu um beijinho na testa. — A mamãe te ama. — fez o sinal da cruz nele. — Posso usar o telefone? — Bia perguntou. — Quando o David dormir Bia, eu te conheço, quando está no telefone se esquece do mundo. — sorriu e Bia bufou. — Cuida dele tá? — deu um beijinho nela. — Pode deixar, divirtam-se. — ela piscou. Any saiu e Joshua já a esperava no corredor enquanto falava no celular. — É, eu te ligo depois. — ele disse e desligou na cara de Vivian que estava soltando fogo pelas ventas do outro lado da linha. — Já meu amor? — ele perguntou a observando. Any usava um vestido branco, um sapato com um salto mediano, não tão alto, na cor creme, os cabelos estavam soltos e estava com uma maquiagem delicada. Nada demais. — Está linda. — deu um sorriso. — Você também. — ela lhe deu um selinho. — Vamos? — Claro. — entraram no elevador e seguiram para o estacionamento. Foram jantar em um restaurante japonês, já que Any adorava a comida oriental. Começaram a conversar sobre vários assuntos. — Sabe o que eu estava pensando amor? — ela perguntou. — Que eu poderia fazer vestibular esse ano. — ele fechou a cara. — O que acha? — perguntou sorrindo, mas parou de sorrir quando viu a expressão séria do marido. — Eu acho que não é certo. — ele tomou um gole de vinho. — Mas por que não meu bem? — ela coçou a nuca. — Porque você não precisa estudar. — respondeu seco. — Mas eu queria ter uma profissão. — Você já tem sua profissão, que é mãe e esposa de um homem bem sucedido que lhe dá tudo o que você quer. — ele a olhou. — Entendeu? — Aham. — ela assentiu entristecida, queria muito fazer uma faculdade. — Anda meu amor, tira esse bico. — deu um selinho nela. — Não sabe o que muitas mulheres dariam para estar no seu lugar. — Não sei por que tanto incomodo com o fato de eu querer voltar a estudar. — ela disse, sentida. — Porque sim, minha vida. — ele beijou a mãe dela. — Imagina só como a faculdade exploraria você, não teria mais tempo para cuidar do nosso filho, as coisas ficariam bastante difíceis, principalmente para David, que é acostumado a ter você vinte e quarto horas por dia. — Você acha? — ela mordeu o lábio, preocupada. — É claro. — assentiu satisfeito. Sabia que o ponto fraco de Any era o filho. E era bom que ela tirasse essas baboseiras da cabeça, jamais permitiria que ela fizesse faculdade. Pra correr o risco de ela encontrar um outro homem? Mas nem em sonho. Saiu de seus devaneios quando ouviu o celular tocar, viu o número e era Noah. Atendeu sob os olhares da esposa. — Fala Noah. — coçou o queixo. — E aí Josh. — o outro disse. — Escuta estamos aqui no Imperial, não quer vir? — Eu estou jantando com a Any. — ele disse olhando a esposa, que sorriu. — E o que tem? Vem com ela. — deu de ombros. — Está louco? — disse com um sorriso amarelo.  Noah gargalhou. — Larga de ser p*u no cu Josh, sua mulher é linda, para com essa frescura. — rolou os olhos. — Sabe que não é isso. — disse entre dentes. — Então é o que? — Noah bufou. — Tem tanto ciúme assim da mulher que não pode vir com ela a uma boate? Juro que ninguém vai agarrar ela. — Há-há! Que engraçado! — ele ironizou. — Vou ver se ela quer ir, Any não gosta desse tipo de lugar. — tapou a boca do telefone. — Meu bem, o Noah está perguntando se não queremos ir ao Imperial? Any mordeu o lábio. Odiava boates e barulho, principalmente por que estava com medo de sua dor de cabeça voltar. Mas sabia que se ela dissesse que não iria, Joshua iria do mesmo jeito. E era melhor ir junto do que deixá-lo só. — Claro. — ela assentiu e ele arregalou os olhos. — Ouvi Josh, ela quer vir. — Noah disse. — Estamos esperando vocês! — desligou. — Pensei que não gostasse de boates. — ele comeu um sushi. — Bem, não gosto. — ela assentiu. — Mas não custa nada eu ir com você. Ou custa? — ergueu a sobrancelha. — Claro que não meu amor. — ele acalantou a garganta, nervoso.
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