Pensei, falei dele há pouco e do nada ele veio atrás de mim no jardim. Coincidência ou não, fiquei completamente impactada.
— S-sim — gaguejei, igual uma i*****l, sentindo meu estômago se revirar e meu rosto aquecer. Inferno, não podia ficar vermelha igual a um pimentão diante dele, essa reação em faria parecer uma garota boba. Meu santinho, ele nunca havia chegado tão perto de mim assim antes.
— Você é gagá? Ou somente está nervosa por estar diante de mim? — questionou e uma linha fina apareceu entre suas sobrancelhas. Uma veia saltava em sua testa. Engoli em seco, sentindo minhas bochechas ruborizarem no mesmo instante. Sentia-me uma i****a por reagir como uma lesada diante de Lorenzo Caccini. — Hum, acho que a pré- julguei m*l, talvez não seja gagá, nem esteja nervosa. Será que é muda, então? Apesar de que, muda já vi que a senhorita não é, até porque respondeu à minha primeira pergunta. Foi uma breve palavra que demorou a sair dos lábios, mas saiu.
Ele pressionou os lábios uns nos outros e seus olhos ficaram repletos de humor. Lorenzo estava debochando de mim e seu humor era ácido. Fechei os olhos e respirei fundo, antes de novamente abri-los e voltar a fitar o mafioso.
— Desculpe, senhor Caccini, é que você me assustou, chegando de surpresa, com isso acabei ficando nervosa e quando fico nervosa, geralmente, eu gaguejo — expliquei, nervosa.
Por que Dio eu precisava ser tão tímida assim? Queria eu mesma estapear meu rosto por conta disso.
— Eu que lhe devo desculpas, não deveria ter chegado de forma sorrateira. Não era minha intenção assustá-la.
— Sem problemas, senhor Caccini — respondi em tom baixo quase que inaudível, ele novamente enrugou a testa. — É melhor eu voltar para festa, minha irmã deve estar sentindo minha falta — falei pronta para sair daquela situação embaraçosa, mas ele impediu, à medida que segurava meu braço.
— Espere um pouco, Carmine. Não vá agora.
Minha pele se arrepiou por completo, com o seu toque em meu braço, virei minha cabeça em sua direção, engolindo em seco, ao dar de cara com seu olhar escuro e intenso. Ele era ainda mais bonito de perto. Caramba!
— O que houve, o senhor deseja falar sobre algo comigo? — perguntei, gentil, e ele soltou meu braço.
— Desejo sim, mas não é nada importante, só me dei conta de que já a vi em várias festas, mas nunca cheguei a conversar com a senhorita. Hoje resolvi fazer diferente. Quando te olhei ao chegar ao evento senti vontade de conversar com você, de conhecê-la.
Coloquei a mecha da minha franja que caiu na frente do meu rosto atrás da orelha. Eu queria me beliscar para ter certeza de que isso estava acontecendo mesmo. E de que não era mais um devaneio e imaginação da minha cabeça.
— Realmente. Nunca chegamos a conversar.
— Bom, então aproveitando que o destino nos trouxe aqui, posso lhe fazer uma pergunta?
Ele colocou as mãos nos bolsos da calça e ajeitou a postura. A curiosidade tomou conta de mim.
— Claro — soltei em um fio de voz.
— O que você pensa sobre matrimônio?
Que pergunta mais inusitada era essa? Nem sabia o que responder, por isso fiquei muda
— — Primeiro, um homem que estabelece requisitos para julgar uma mulher como uma boa esposa, não merece a mulher em questão e nenhuma outra — rebati, ferozmente, fazendo-o se surpreender novamente. — Se quer obediência cega, adote um cachorro e não tenha uma esposa, senhor Caccini. Mas tenha cuidado, talvez até um animal não siga os mandados do dono sempre.
Xeque-mate.
O italiano me fitou com um brilho instigante no olhar.
— Tem atitude, ao menos — sussurrou com a voz rouca, deixando-me confusa e se aproximou de mim, o que me fez recuar. Sua presença me deixava acanhada. Ele era bem mais alto que eu e emanava poder. Seu perfume forte e de aroma marcante adentrou as minhas narinas, minhas pernas ficaram bambas de imediato. Ele me olhou nos olhos, deixando-me paralisada, e inclinou seu rosto ficou próximo ao meu. Ele nem chegou a me tocar, mas minha pele se arrepiou. — Peônias? que a assustei um pouco com minha pergunta um tanto inusitada. Tudo bem, vou refazer a pergunta. — Ele sorriu sarcástico. — Tem desejo em se casar? E se sim, acha que seria uma boa esposa?
— Por que está me fazendo essas perguntas estranhas? Desculpe, senhor Caccini, mas me recuso a respondê-lo sobre os meus desejos matrimoniais. Não sem saber a intenção do senhor por trás dessas questões — disse um tanto estressada com as perguntas estranhas. — E sobre ser uma boa esposa, acho não há resposta para essa sua pergunta, porque não dá para uma mulher ser julgada como boa esposa se depende do parceiro considerar ou não a mulher assim. Bem, para reformular uma resposta mais adequada a sua pergunta, me responda você, quais quesitos uma mulher teria que ter para ser boa esposa?
Ele arqueou a sobrancelha surpreso.
— Os quesitos que considero são os seguintes: ser educada, amorosa, obediente, gostar da ideia de filhos e, com certeza, ser fogosa na cama. Esses seriam alguns dos requisitos para eu considerar uma mulher uma boa esposa.
Ele sorriu apenas com o olhar e eu cruzei os braços, inclinando o queixo. Ora, que afronte. Sério? Obediente?
A conversa já estava estranha, nesse momento estressante também.
— Quando se refere à palavra obediente, diz que a mulher para ser boa esposa precisa obedecer completamente a você.
— Sim, completamente, sem contestações.
Ele pareceu bem sério ao responder, e mordi o lábio inferior para não rir.
Engoli em seco, sentindo meu corpo ficar quente com sua aproximação. Meu coração estava batendo, quase como uma bateria. O que diabos ele estava fazendo comigo?
Por que tinha se aproximado de mim com perguntas confusas e um charme avassalador?
Estava tão intrigada, completamente perdida e excitada com sua presença.
— Oi? — questionei baixinho, quase sem voz.
— Você tem cheiro de peônia. — Franzi o cenho e voltei a olhar em seus olhos. — Tenho um jardim dessas flores lá em casa, consigo reconhecer bem. Peônia é minha flor favorita, tem um cheiro único, assim como o seu — completou, deixando-me em êxtase.
— Sim, meu perfume é de aroma de peônia porque também adoro cheiro de flores — respondi, secamente. Queria entender se ele estava flertando ou não comigo, ou se estava apenas me iludindo por não estar acostumada com elogios masculinos. — É melhor eu voltar para festa, se alguém nos vir aqui, podem pensar algum tipo de maldade. Estamos sozinhos, não há mais ninguém no jardim.
Lorenzo passou a língua pelos lábios no mesmo instante que me mediu de cima a baixo, pousando os olhos por um instante no meu decote. Ele parecia a todo momento observar cada detalhe do meu rosto e corpo, como se precisasse me descobrir por completo. Ou talvez me conhecer como tinha informado que queria. Sua avaliação me incomodava e intimidava.
— Está certa, mio angelo, vá, volte para dentro — sussurrou, articulou com as mãos e saiu de perto de mim. — Foi um prazer conhecê-la um pouco, senhorita Marino!
— O prazer foi meu, senhor Caccini!
Dito isso, caminhei mais desengonçada do que nunca, pois estava nervosa, em direção ao interior da mansão. Logo procurei algo para beber, pois estava ansiosa, sentindo-me tensa e com coração aflito. Fitei a porta que ia para o jardim e logo Lorenzo apareceu.
Tomara que ninguém tenha notado que nós dois nos ausentamos juntos, pensei.
A festa prosseguiu e Lorenzo não me olhou mais nenhuma vez, não falou comigo, ou sequer prestou atenção em mim. Parecia o mesmo homem de todos os outros eventos, não o homem que conversou comigo no jardim e reparou que cheirava a peônias.
Já a minha irmã, notei que seu olhar não saía de cima dela, ele até disfarçava os olhares para Ambra, mas toda hora ele a observou, seria até impossível não os notar. Senti uma fisgada dentro de mim e não consegui evitar ficar enciumada com a intensidade que ele fitava minha irmã e não a mim.
Quando Lorenzo veio até mim no jardim, pensei que ele, por um milagre, estaria interessado em mim, mas ao ver a forma que ele olhava para Ambra, percebi que talvez ele pudesse só querer conhecer a sua futura cunhada.
Visto que era Ambra que ele queria e desejava. Certamente, Lorenzo só estava aguardando que eu me se casasse para ter a mão de Ambra em casamento. Como fui ingênua, iludida e boba!
Lorenzo Caccini não quer a mim e sim Ambra! p***a.