Sabia que não deveria ter me aproximado de Carmine no jardim, sem antes ter feito um planejamento de como abordá-la sem parecer muito suspeito, mas a vontade em descobrir mais sobre a mulher com que teria que me casar era maior, precisava descobrir quem era Carmine Marino.
O que de interessante talvez pudesse existir por trás daquele rosto puro, como de um angelo. E o pouco que percebi da sua personalidade, já me fez gostar muito da ragazza.
Fiquei surpreendido com Carmine, sua personalidade não condizia com a que imaginava que ela tinha. A ragazza tinha muita atitude, pensamentos próprios, inteligência acima do imaginado. E sobre a sua aparência, também foi algo que me surpreendeu ao notá-la dentro tão perto. Sua beleza era inegável.
Carmine era impressionante, essa era a palavra mais adequada para descrevê-la. A menina tinha um olhar marcante com resquício de inocência, os olhos tinham um tom de verde-escuro. O nariz era afinado, pequeno e pontudo, as bochechas magras, os lábios carnudos, o queixo e rosto finos.
Havia gostado de conhecê-la melhor, embora achasse que teria sido um tanto sarcástico e inconveniente em alguns momentos. No entanto, isso era perdoável, afinal, não era somente Carmine a sentir nervosismo
naquele momento, eu também estava bem nervoso e ansioso por descobrir mais sobre ela.
Quando suas bochechas coraram ao começar falar comigo, ao escutar minhas provocações, percebi que ela era inocente demais. Sim, a ragazza respirava inocência e pureza, ao mesmo tempo demonstrava uma personalidade forte e intensa.
Quando rebateu as minhas perguntas, fiquei surpreso com as respostas e notei o quão inteligente e dona de uma língua afiada ela era. Logo gostei disso nela, não curtia mulheres sem opinião, apesar de ter imposto obediência para o quesito de esposa perfeita, ainda assim, gostava de um desafio, de uma tensão.
Ao voltar para festa, pensei bastante sobre minha conversa com Carmine e sentia vontade em ter mais momentos daquele com ela, de conhecê-la ainda mais. E, com certeza, desejava sentir novamente seu perfume, ela tinha acertado em cheio na escolha dele. Ainda conseguia sentir o cheiro das peônias, sem nem mesmo ela estar próxima de mim. p***a.
Durante a festa não consegui tirar os olhos de Ambra, a irmã da minha prometida. Ela estava graciosa nessa noite, e roubou toda a minha atenção como sempre. A todo momento tentava me lembrar de que não adiantava nada admirá-la de longe, afinal, eu me casaria com a sua irmã. Estava perdendo tempo contemplando uma mulher que nunca seria minha. Portanto, para evitar cair em tentação, resolvi me retirar da festa muito cedo.
Antes de ir para casa, passei no Alcouce para tentar me distrair um pouco. Precisava de alívio. Escolhi uma p**a qualquer, a levei para um dos quartos vagos em seguida. Depois do sexo, acabei bebendo mais do deveria, por querer afogar as mágoas na bebida, sequer me lembrava de como fui para casa naquela noite.
Uma semana depois do evento, um jantar na casa dos Marino foi marcado. O jantar aconteceria antes de formalizarmos a união minha com Carmine. Ainda não tinha conhecimento se minha prometida já sabia que em breve se casaria comigo, mas certamente já deveria ter sido notificada pelos seus pais do possível acordo de casamento. Me perguntava se ela iria ficar feliz com essa união, ou reagiria de forma negativa, assim como eu reagi. Sabia que para nossa relação progredir de alguma forma e termos um casamento duradouro, precisaria de esforço de ambas as partes. Carmine precisa gostar de mim, ser entregue a mim e se deixar ser comandada, para não termos desavenças, pois apesar de não parecer, era um homem que tinha sede por controle e adorava comandar.
Ela também precisava saber que teríamos tudo que um casal normal tinha. Filhos, uma família, sexo árduo, cumplicidade, uma boa casa para morar. Eu faria de tudo para manter a relação baunilha bem regada para não acabar de forma trágica ou algo do tipo. Daria o que Carmine merecesse e retribuísse. Menos amor, esse sentimento fraco e impotente ela nunca iria ter da minha parte.
Isso era o máximo que conseguiria proporcionar a uma mulher que se casaria por dever. Por ordem do chefe.
Sentia-me nervoso para o jantar. Há muito tempo que não sentia tanta ansiedade e receio do que estaria por vir. Estava caminhando para um destino incerto e isso me perturbava muito o juízo.
— Se acalme, Lorenzo, você me parece estar à beira de um colapso nervoso — exprimiu Sienna Caccini, olhando- me de forma compreensiva e amigável. A ruiva estava acompanhada pelo marido, Nicolo Caccini. Eles iriam substituir o Don Tommasso e sua esposa Kiara no jantar, já que infelizmente eles não puderam estar presentes essa noite na residência dos Marinos.
Tínhamos acabado de chegar à mansão dos Marino. Estávamos caminhando em direção à porta de entrada da casa.
— É difícil não suar frio diante de uma situação dessa. Esse será o único jantar que poderei avaliar minha futura esposa, e mesmo se eu não gostar do que irei descobrir sobre a ragazza, ainda assim o próximo jantar já será o de nosso noivado. Dá para notar o quanto estou feliz e ansioso por me tornar o novo Caccini comprometido da vez, não dá, senhora Caccini?
Sienna abriu um sorriso, enquanto Nicolo seguia sério e ouvinte ao seu lado.
— Dá para notar que está tão feliz por noivar com Carmine Marino quanto eu fiquei feliz ao ser obrigada a me casar com Nicolo Caccini — ela disse, com a voz repleta de zombaria, provocando o marido, que até então estava sério ao lado dela, mas logo sua postura mudou.