Capítulo Três

2907 Words
Olivia  É só respirar e ficar calma tudo vai dar certo Daniel disse que Logan é uma ótima pessoa e excelente pai, eu só tenho que não parecer muito estranha e com sorte ele gostará de mim, não que eu tenha um plano de como vou fazer um homem que nunca me viu deixar ver a filha dele, mas talvez se eu convencer ele de me encontrar para um almoço então contar toda a história e ele perceber que não sou uma maluca tentando roubar a filha dele, ele possa me deixar ver Amanda de perto. Tudo o que eu preciso é de um pouco de persuasão e sorte e tudo vai dar certo. Repito as palavras que ensaiei na frente do espelho por pelo menos duas horas antes de pegar o celular e ir até o contato com o nome de Logan, clico na figura de telefone e levo o celular ao ouvido, meus olhos estam no relógio do micro-ondas que marcam 20:30 da noite enquanto no meu ouvido o celular chama uma, duas, três... — Alô — A voz rouca atravessa o telefone e eu congelo, respiro tentando voltar ao foco — Alô — A voz impaciente atravessa meus ouvidos mais uma vez — Olha se isso é alguma brincadeira, você está brincando com a pessoa errada... — Não — Eu grito antes que ele desligue — Não é uma brincadeira Sr. Maddox, desculpe — Suspiro trocando o celular para o outro lado e limpo minha mão suada na calça de moletom — Meu nome é Olivia e eu... — O que eu deveria dizer? Sou a mãe da sua filha? Você não me conhece, mas eu preciso muito de um encontro? Tenho algo tão importante para te dizer que pode mudar sua vida para sempre e a minha e a de Amanda? — Eu... — Garota, se você é uma das candidatas à babá da Amanda, não devia estar ligando para esse telefone, ele é pessoal, aliás, como você consegiu... — Minha respiração para mais uma vez assim como todas as vezes que minha filha é mencionada. Inacreditável para mim que ontem há essa hora eu não sabia nada sobre ela além de que era só um amendoinzinho quando eu fiz meu ultrassom que está dentro da minha carteira coisa que eu levo para cima e para baixo, e agora eu sei seu nome, seu endereço e até estou falando com seu pai adotivo... Tão próxima... — Senhor... — Eu interrompo seu sermão incansável que não escuto nenhum terço do que foi dito, pronta para lhe dizer que não estava à procura de emprego como babá, mas algo me para, talvez tenha sido a voz brava do outro lado continuando com o discurso sobre privacidade ou talvez... — As entrevistas são amanhã, não ache que me ligar lhe dará alguma vantagem, na verdade é o contrário e se você tem alguma dúvida deve falar com Martha não comigo, não gosto de pessoas intrometidas muito menos das metidas a espertas, garota. — Qual a hora das entrevistas? — Pergunto preferindo ignorar todo o discurso rude. Muita coisa está em jogo aqui e eu não irei arriscar deixar Logan mais bravo do que ele está lhe falando para ter um pouco de mais educação com pessoas que ele não conhece. —Desculpe senhor eu me esqueci, só preciso saber isso, eu tentei falar com... Marta, mas não conseguir. Eu preciso muito desse emprego — Se precisasse lembraria-se de seu compromisso... —Eu sei, eu sei — Minha voz sai cortada no tamanho do meu desespero — Por favor, senhor, só isso que peço... O silêncio predomina por um momento, então um longo suspiro impaciente. — Você não parece alguém confiável com quem eu deixaria minha filha — O nó da minha garganta aumenta — Provavelmente sua entrevista será um desperdício do meu e do seu tempo — Ele fez uma pausa, pausa tão grande que acho que ele desligou em minha cara, mas ouço outro suspiro então um estalo parecendo um copo em contato com uma superfície — As entrevistas começam as nove, no prédio do meu escritório. Meu conselho é que não precisa ir... — Eu irei — Corto rapidamente — Estarei lá senhor — Falo antes de ouvir o bip e depois a linha morta. Logan Maddox não parece ser uma pessoa muito fácil de lidar, mas algo em sua proteção a Amanda me deixou mais calma, pego o celular e mando uma mensagem para Daniel perguntando sobre o endereço do escritório de Logan o que recebo em resposta um “Você está louca” e então em seguida o endereço. Eu pego a estrada assim que o sol sai, não quero dar nenhum motivo de Logan não me atender para a entrevista, ainda continuo sem nenhum plano na cabeça, eu posso me passar por uma candidata à babá, mas duvido que consiga o trabalho, o cara já não gostou de mim diretamente e pelo o que vi de Logan ele não parece ser um homem que muda de opinião facilmente, então a única saída que eu tenho é usar a oportunidade que tenho para lhe contar a verdade ou parte da verdade ou uma verdade distorcida ainda não decidir essa parte também. Pouso meus olhos verdes no espelho pequeno em minhas mãos e encaro o rosto cansado com olheiras causadas por uma noite quase não dormida e um choro desmedido enquanto silenciava com o travesseiro. Os cabelos ruivos que estão mais para loiros do que exatamente ruivos estão amarrados para fora do meu rosto em um r**o de cavalo firme, eu uso pouca maquiagem quase nada, nunca fui uma garota de maquiagem mesmo, vestida em jeans skinny e uma blusa com estampa de um gato comendo sorvete eu dou uma última respiração profunda canalizando toda minha coragem e saio do carro indo em direção ao grande arranha-céu pronta para qualquer luta que vier para conseguir chegar perto de Amanda pelo menos uma única vez. O andar é o último, sou informada pela recepcionista quando pergunto sobre Sr. Maddox, isso diz o quão importante o cara é naquele prédio. Amanda deve ter uma vida confortável, com dinheiro e tudo que uma criança deve querer o que não significa que ela seja feliz, também tive dinheiro e fui criada com tudo o que uma grande fortuna e um nome poderoso podem obter, mas meu pai nunca foi próximo de mim, sua preferência pelo seu negócio e prostitutas era muito evidente e minha mãe preferia a companhia de uma garrafa de chardonnay á sua filha então toda essa grana que Logan parece possuir não significa nada para mim. Saio do elevador assim que ele para indo para o espaço aberto que comporta móveis de luxo com uma decoração minimalista e grandes janelas que vão do chão ao teto mostrando a pequena cidade lá fora, no instante que olho em volta me sinto o mais pobre dos humanos que pisou na terra, ajeito a barra da minha blusa que teima há subir um pouco toda vez que mexo então ergo o queixo e caminho até a mulher sorridente de meia idade com um ar de pura classe, mas olhos muitos amigáveis. Posso dizer que ela é muito bonita apesar dos primeiros traços da idade. — Olá — Cumprimento assim que chego perto o suficiente dela — Olá querida — Seu sorriso não vacila — Eu sou Martha em que posso ajudá-la? Martha. Bingo! A assistente de Logan. — Olá Martha eu sou Olivia, eu falei com o Log... Com o Sr. Maddox ontem à noite e ele me disse que a entrevista para a vaga de babá de sua filha seria aqui... — Você falou com o Sr. Maddox? — Ela parece surpresa, talvez um pouco chocada. — Sim, ontem à noite — Lhe dou um pequeno sorriso — Ele disse que eu poderia vir hoje para a entrevista. — Você falou com ele ontem e ele disse que você poderia vir? — Ela está extremamente chocada agora. É como se o homem não tivesse a habilidade de falar com outras pessoas e só adquiriu comigo. E pelo jeito que Martha repete minhas palavras em forma de perguntas com seu rosto surpreso não estou duvidando nem um pouco dessa teoria. — Sim — Repito — As entrevistas já começaram? Ela me olha por um momento em silêncio como se eu fosse um ser místico na terra, então volta a sua expressão feliz e convidativa. — Sim querida, já começaram. — Martha olha o papel pousado na mesa, depois retorna seus olhos cor de amêndoas para mim — Estamos na segunda candidata, você pode se sentar e a próxima será você. Eu aceno, me sentando a sua frente estralando cada dedo das minhas mãos para tentar me acalmar enquanto candidatas chegam e se sentam no sofá grande e redondo de couro em uma sala de espera logo ao lado da mesa de Martha. Passa-se quase uma hora quando a porta é aberta e uma moça com um rosto de horror e olhos vermelhos sai pela porta, ouço Martha suspirar olhando a pobre moça e murmurar um “coitada” baixinho. O telefone toca na mesa e antes do segundo Martha está com ele no ouvido, há uma voz muito brava e retumbante do outro lado eu não posso ouvi-la direito, mas aposto meu carro que é um Logan bravo, não que eu ache que há outras versões dele, além dessa. — Sim senhor... Eu entendi Logan — Martha fala sem paciência e eu gosto mais um pouquinho dela. Ela não parece mulher a se sujeitar ouvir merdas de homens como Logan e eu a admiro muito por isso — Joel ligou. Ele trará Amanda com ele assim que ela sair da aula de balé... — Levanto minha cabeça que estava abaixada desde hora que a assistente atendeu ao telefone com o simples mencionar do nome de Amanda. Ela estará aqui! Aqui! Meus pulmões vacilam mais uma vez e por um segundo desaprendo como respirar. Meus olhos brilham com lágrimas, a figura de Martha está embaçada e eu tento o máximo a voltar à compostura. Se eu conseguir ficar aqui até que ela chegue... Eu só preciso enrolar Logan então eu poderei ver minha filha... — Querida você está bem? Parece pálida... Olivia — Forço os pulmões e respiro encarando Martha ainda um pouco fora, dou um pequeno sorriso e balanço a cabeça engolindo o nó em minha garganta. — Claro, é só o calor... Eu estou ótima — Garanto tentando não vacilar na voz —Okay, Logan irá vê-la agora. Você pode entrar... Flutuo até a porta de madeira escura girando a maçaneta eu entro no cômodo sem pensar em muita coisa além de que se eu conseguir segurar o homem alguns metros de mim por um tempo eu poderei ver minha filha. — Você ficará parada aí? Eu não tenho tempo para o seu contemplamento — A voz da noite passada me acorda do mesmo jeito que me fez congelar. Viro meu rosto em direção a ela então vejo o homem que tem minha felicidade com ele, no entanto, a última coisa que ele parece é ter alguma para si mesmo. O mesmo homem da foto que vi está alguns centímetros de mim me encarando com uma carranca, ele é inegavelmente um homem bonito, mas toda a barba e o cabelo só o deixam temível, talvez esse seja o propósito a final, fazer todas as pessoas mijarem nas calças assim que o ver, isso explica a expressão chocada de Martha quando disse que seu patrão falou comigo. — Eu sou Olivia — Engulo os sentimentos e sorrio — Nos falamos ontem à noite, senhor — Ah! você — O desgosto por mim fica bem evidente — Eu não te aconselhei a não vim? — Eu não sou conhecida por seguir muitos conselhos, senhor — Caminho em sua direção e paro em uma distância confortável para nós dois — Tudo bem perder a vaga porque o senhor me acha irresponsável ou não goste de mim, mas não ficaria bem se perdesse a vaga só porque não tentei Ele me estuda por um momento olhando além de mim, me movimento desconfortável de um pé para o outro e ele se vira abruptamente indo para trás da sua mesa e se sentando logo depois de desabotoar um botão do seu terno chique, eu caminho e me sento em uma das cadeiras acolchoadas pego duas cartas de recomendações que tinha como babá e coloco na mesa. Graças à ruptura com minha família eu não ter nada quando sair do internato eu me virei como pude até conseguir o trabalho de transcrição e alguns deles foram como babá o que agora me sinto mais agradecida do que nunca, mesmo que na época fosse uma tortura para o coração de uma mãe que perdeu seu filho, ter que cuidar do filho de outras pessoas. Logan alcança e ler com muita atenção os papeis, parece até que mais de uma vez antes de levantar os olhos para mim novamente. — Você não tem muita experiência — Não senhor, mas me dou muito bem com crianças, sou ótima professora, cozinho razoavelmente bem se preciso, e sou ótima em seguir regras — Fiz isso por tempo demais, acrescento em minha cabeça — Sou organizada mesmo que o senhor ache o contrário e tenho uma ótima memória mesmo que provas recentes mostrem o oposto. Ele me estuda por um longo tempo em silêncio, olha novamente os papeis em sua mão então os deposita em minha frente. — Aprecio que tenha vindo senhorita... — Olivia... — Respondo, mas o homem continua em silêncio com olhos em mim — Graysson. — Srt. Graysson e até impressionado com a coragem, mas como disse no telefone isso foi uma grande perda de tempo minha e sua. Você não tem as demandas de uma babá para minha filha — O rosto de Logan se contrai um segundo enquanto meu desespero aumenta — Estamos acabados aqui — Não — Falo mais rápido que consigo controlar. Eu não posso sair agora, não ainda, eu preciso de mais tempo. — O que? — Sua expressão sempre ranzinza parece mudar um segundo para algo como surpresa á minha reação — Eu disse não, senhor — Repito desafiando o d***o. — Eu posso chamar a segurança para tirar a senhorita daqui a força se preferir — Logan fala calmo me desafiando a continuar com minha petulância. Só mais um tempo, só preciso de mais tempo... — Quais são as demandas senhor? — Pergunto rezando para que ele tenha mais paciência do que aparenta — O que? — Quais as demandas que eu preciso ter para me qualificar para ser babá da sua filha? O homem suspira e passa a mão pela barba cada vez parecendo com mais vontade de me chutar dessa sala. —Primeiro use roupas para a sua idade, a única criança deve ser Amanda aqui, estou contratando uma babá não uma amiga para ela — Ele fala enquanto meus olhos vão para minhas roupas. O que é que tinham de errado com elas? Eu ia trabalhar com uma criança afinal. — Segundo, não sei se gosto muito da sua petulância, empregados devem saber o seu lugar... Petulância? Esse homem existe? Estou pronta para falar com nada de paciência que me sobra que sei muito bem o meu lugar, ele que provavelmente não sabe o dele e acha que é o rei soberano do mundo, mas sou salva pelo telefone tocando. Respiro fundo e tento me acalmar, atacar a única pessoa que pode deixar que eu veja minha filha não é o melhor movimento. Logan exaspera no telefone depois o desliga se levantando e saindo de sua cadeira, o homem extremamente alto contorna a mesa e caminha em direção á porta me deixando para trás sem nenhuma palavra. —Srt. Graysson terminamos aqui, não quero vê-la quando voltar — E com essas palavras sem me olhar uma única vez nos olhos e ele se vai e me deixa sozinha no escritório. Covarde! Fico sentada olhando as janelas gigantes enquanto o tempo passa, Logan voltará a qualquer momento e tudo estará terminado, eu terei que falar a verdade se quero alguma chance de ver Amanda. Talvez o coração dele se enterneça quando eu contar tudo, talvez tudo fique bem e a sorte finalmente bata na minha porta. Suspiro passando as mãos pelo meu rosto então coloco minha testa na madeira gelada da mesa de Logan querendo um cantinho para me dobrar e chorar até dormir. Quem eu quero enganar? Esse Logan não deve se enternecer por ninguém, espero que por Amanda, mas não com tantas esperanças assim. Ouço a porta se abrir e estou pronta para a voz brava com um discurso medonho vir, mas ao invés disso o som que eu ouço é outro, uma pequena e melódica risadinha, que faz meu coração palpitar e eu levanto minha cabeça rapidamente da madeira onde repousava. Me viro em um solavanco e meus olhos se enchem de lágrimas com a pequena figura que me fita com um belo sorriso e suas pequenas mãos brincando com suas duas tranças penduradas de cada lado do rosto perfeito e redondinho. — Quem é você moça? E por que está chorando? — Meu pequeno amendoim pergunta e tudo o que eu quero agora é agarrá-la e não soltar nunca mais.
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