Capítulo Dois

1512 Words
Olívia  Quando eu estava presa naquele internato logo depois que minha filha foi levada de mim, eu não fazia muito mais do que chorar e pensar... Pensar em todas as possibilidades de fazer aquela dor no meu peito parar, me envergonha dizer que a ideia de uma saída mais fácil passou por minha cabeça mais de uma vez, mas então eu me lembrava do som do chorinho da minha pequena e o pensamento de fazer uma escolha egoísta e deixá-la nesse mundo sozinha me causava náuseas e um m*l muito maior que a dor que eu sentia. Eu não era uma covarde, nunca fui e não seria naquele momento quando uma pequena vida dependia de mim mesmo que ela não estivesse comigo... Esse pensamento foi o que me fez sair daquele lugar horrível, cortar todos os laços com minha família miserável, fazer uma vida para mim, e tornar uma missão o desejo de encontrar minha filha, foi tudo o que fiz nesses cinco anos até esse exato momento, o momento em que posso finalmente saber como meu pequeno amendoim se parece, olhar seus lindos olhos e saber que tudo valeu a pena. Minha Amanda. Lágrimas descem em correntes em meu rosto e eu não consigo fazê-las parar, passo o dedo sobre o rosto da garotinha e sorrio e depois choro, choro e choro tanto que quando dou por mim Daniel se arrastou até o meu lado e me abraçou fortemente. Meu controle se foi assim que eu vi a imagem da menina agarrada a essa mulher, sua mãe que deveria ser eu e então a inundação de sentimentos que toma conta do meu corpo. Inveja, gratidão, tristeza, felicidade e revolta... E eu choro mais e mais até molhar parte da camisa de Daniel que me segura todo o tempo. Não sei quanto tempo passo ali apenas deixando todas as emoções tomarem conta de mim, mas quando meu choro cessa estou quase esgotada e a dor no meu peito que a tanto tempo eu sentir se foi. Os braços de Daniel se afrouxam do aperto á mim e ele me encara silenciosamente por um momento antes de se afastar e voltar à cadeira lentamente arrastando sua perna r**m, enquanto eu tento me recompor ainda com a foto da minha filha em minha mão. —Es-sa...Essa mulher é? — Olho novamente a foto dando atenção para mulher sorridente com cachos negros, pele morena e olhos doces, a inveja do momento atrás se transforma em um tipo de gratidão e eu agradeço a qualquer que seja a força do universo que levou minha garota para essa mulher de olhos doces, toda criança precisa de uma mãe assim, minha vó tinha esse tipo de olhar e ela foi a melhor mulher que já conheci. — A mãe dela... — Daniel fala com certa cautela que me fez olhar para ele novamente — Brianna Maddox, ela morreu Liv... Essa foto é de mais de um ano atrás... — Como?... — O ar falta em meus pulmões por um momento, não pode... Não deveria ser assim. Toda a dor que eu passei tinha se abrandado por saber que minha filha é amada por um pai e uma mãe como ela merece... Perder a mãe dela... Isso não é o que deveria acontecer. — Tumor cerebral... Foi rápido e inesperado. — Onde ela está agora? Quem está criando minha filha? — O pai dela — Daniel clica algumas vezes no computador então vira a tela para mim onde a foto de um homem bonito de rosto fechado me encara. Ele usa um terno sob medida de bom corte que deve custar alguns milhares de dólares e não parece a mais amigável das pessoas na foto, com maxilar quadrado e uma barba que passa de ser feita, assim como o cabelo a única coisa límpida no rosto do homem é a íris da cor de gelo. — Logan Maddox, advogado foi casado com Brianna por oito anos, eles tentaram por quase três anos antes de irem para adoção e encontrarem a Amanda, foi uma adoção sigilosa levou algum tempo para conseguir o registro deles, mas esses são os pais da sua filha, Olivia. — Ela não tem uma mãe... — É tudo que consigo dizer para ele, pois é o que está constantemente em minha cabeça agora. — Não, não há mais de um ano. Mas ela tem um pai, tias e avos, sua filha é bem cuidada, protegida e amada Olivia. Posso te garantir isso, eu fiz todo o meu trabalho antes de falar com você. Eu consigo ouvir todas as palavras de Daniel, mas não consigo absorvê-las, há uma urgência em mim que não existia antes, talvez porque antes eu não podia fazer mais nada do quê o que eu já estava fazendo, mas agora às coisas mudaram eu posso fazer... Posso fazer mais. Eu sempre jurei a mim mesma que se minha filha estivesse uma vida estável com bons pais eu nunca interferiria nisso, provavelmente isso me mataria, assistir sua vida de longe sem nunca poder fazer parte dela, mas eu faria por sua própria felicidade, mas agora depois de tudo, depois de saber de Brianna eu sei que nunca conseguirei cumprir essa promessa. — Eu vou precisar do endereço ou de alguma forma de contato com esse Logan... — Olivia... — O tom de repreensão na voz de Daniel denuncia que ele não está nada feliz com minha declaração, ele está ciente das minhas intenções de encontrar minha filha desde o começo, passamos muitas noites no mesmo bar onde nos encontramos pela primeira vez falando sobre nossas merdas de vidas e todos os nossos arrependimentos de um jeito estranho tínhamos construído uma amizade— Você disse que se ela estivesse bem que se a família... —Eu sei o que eu disse Daniel! — O corto consternada com a nova realidade— E eu estava disposta a fazer isso, até descobrir que a mãe dela está morta. — O que você vai fazer? Dizer a uma criança de cinco anos que a mãe dela morreu, mas que você é a nova que apareceu para ficar no lugar dela? — Vacilo com as palavras de Daniel, ele pode ser bem claro e um pouco c***l quando quer. — Eu não sei, mas não vou deixar minha filha sozinha novamente... — Declaro me levantando da cadeira, abro minha bolsa e tiro o dinheiro que já tinha separado para pagar suas horas então jogo em cima da mesa — Me mande o endereço ou número de contato desse Logan, afinal foi para isso que eu te contratei — Dou as costas a Lenox e caminho até a porta em piloto automático, mas antes de sair um pouco arrependida de como falei na hora da raiva me viro para homem atrás da mesa em pé me encarando enquanto eu vou embora — Muito obrigada Daniel, eu nunca vou conseguir pagar por isso. Você me deu tudo o que desejei nesses cinco anos desde que a levaram de mim, mas a partir de agora é comigo — Lhe dou um pequeno sorriso então sem esperar que ele me responda passo pela porta fechando-a atrás de mim. Eu não tenho ideia do que irei fazer, mas eu estou certa de uma coisa que eu farei de qualquer maneira. Eu quero vê-la, ver minha filha além de uma foto sem barreira nenhuma, olhá-la de perto, mesmo que eu não possa tocá-la, ouvir o som da sua voz, sentir sua presença, perceber seus pequenos detalhes que só meus olhos de mãe podem captar, sentir seu cheiro... Seu cheiro. Oh Deus! Como eu daria tudo o que tenho para saber como ela cheira e o primeiro passo pra isso é saber quem é esse Logan e me aproximar mesmo que só para conseguir um encontro com minha filha, talvez se eu ver com os meus próprios olhos que ela é feliz mesmo que sua mãe não esteja com ela, talvez esse aperto no meu peito e essa ferocidade de querê-la perto diminua e eu poderei finalmente seguir em frente longe da vida da minha filha, mas próxima o suficiente para acalentar meu coração de mãe. Meu telefone apita enquanto eu atravesso a rua para o meu carro estacionado do outro lado do prédio de Lenox, é uma mensagem de Daniel com um endereço de uma cidade alguns quilômetros daqui não muito longe e um número de telefone, solto os ar dos pulmões e sorrio para tela enquanto sinto a brisa do final de tarde contra minha pele, um pequeno arrepio sobe em minha espinha e eu olho para cima no mesmo momento que vejo um pequeno dente de leão voar em minha direção e pousar na tela do celular que apagou, pego delicadamente e o coloco em frente ao meu rosto antes de fechar meus olhos e fazer um novo pedido finalmente diferente do que venho fazendo todos esses anos “Que Logan Maddox seja a ponte até minha filha” então abro devagar e sopro em direção as pétalas que se espalham pelo ar.
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