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1652 Words
Dulce  O mundo silenciava quando nós dois nos amávamos. Nada me prendia tanto quanto minhas noites de amor com Christopher, que literalmente duravam uma noite inteira. Uma noite quente, cheia de prazeres e sussurros de juras de amor.  Já podia senti-lo estremecer enquanto se movia com vigor sobre mim, com suas estocadas que pareciam levá-lo ao fundo do meu interior, quase como se eu sentisse uma corrente elétrica percorrer todo o meu corpo.  Não tinha nada mais prazeroso do que fazer amor com ele. Eu o beijava apaixonadamente, enquanto nós rolávamos naquela cama e nos tornávamos um só, com todo o fogo que dois corpos poderiam compartilhar.  — Eu te amo... — ofegou contra os meus lábios.  — Eu te amo! — falei num gemido alto.  E mesmo depois de horas gastando energia, nos mantínhamos firmes, abraçados um no outro, deixando que nosso suor se misturasse, inalando todo aquele cheiro de luxúria que impregnava o quarto. Esses eram os melhores momentos pra mim.  E então chegamos ao ápice juntos, mas continuamos abraçados, respirando fundo e com um sorriso sincero em nossos lábios. Já era a segunda vez aquela noite, me sentia cansada, mas se ele estivesse pronto para outra, eu não me negaria.  Como se lesse o meu pensamento, ele afastou o seu rosto para me observar melhor e me deu um beijo sincero, anunciando o início de mais uma rodada.  — DULCEEEE!! — o grito vindo do corredor nos fez parar e tentar entender o que acontecia. — DULCEEE!! — outra vez.  Eu levantei da cama sentindo minhas pernas fracas cambalearem, peguei uma das camisas de Christopher que era longa o suficiente para cobrir o meu corpo e corri até onde se ouvia os gritos. Ele veio atrás de mim, usando seu roupão de forma desengonçada.  Minha mãe estava em pé na cama, segurando um de seus chinelos e com os olhos arregalados.  — O que houve? — perguntei com a respiração entrecortada.  — Eu levantei para ir ao banheiro quando vi uma barata correr para debaixo da cômoda! Bem ali! — apontou.  — É sério!? — a olhei incrédula.  Sem dizer nada, Christopher se agachou diante da cômoda para ter certeza de que havia mesmo uma barata ali.  — Mary, não tem barata alguma! — ele disse.  — Então ela deve ter se escondido em algum outro canto. Agora que eu não durmo! — choramingou.  — Mãe, só vai pra outro quarto, tá? Amanhã eu mando alguém revirar tudo aqui pra ter certeza de que você não vai ver mais nenhum bicho.  — Tudo bem, mas você pode dormir comigo, não é?  — Que? Não! — Christopher exclamou.  Mary intercalou o olhar entre nós dois, reparando de cima a baixo o nosso estado bagunçado e cansado.  — Talvez você tenha que tomar um banho antes, filha. E pentear o cabelo. — falou ela com um olhar sarcástico.  — Quantos anos você tem? Sete? Não acredito que precise dormir com a Dulce porque está com medinho. — ele cruzou os braços.  — Eu tenho certeza que o sexo pode esperar. — os dois me encararam como se esperassem uma resposta.  — Acho que não tem problema dormir só um dia com a minha mãe. — falei sem jeito. — Ela tem uma fobia muito forte a insetos. — dei de ombros.  — Tá. — Christopher assentiu nervosamente. — Tenham uma boa noite e eu espero que durma bem depois de ter acabado com a minha noite, Mary.  Ele saiu do quarto sem olhar para trás e no rosto da minha mãe, um olhar de satisfação se acendia.  — Você não fez isso pra irritar ele, fez?  — Não. Realmente tinha uma barata aqui. Mas veio a calhar. — riu. Eu cruzei os braços e a repreendi com o olhar. — O que? Sabe muito bem que não gosto dele.  — Mãe, o Christopher me prometeu que iria pensar em morar aqui e eu ficaria grata se você não o incomodasse enquanto ele toma essa decisão.  — Está com medo que eu o faça desistir? — colocou a mão sobre o peito em sinal de ofensa.  — Você seria bem capaz.  — A ideia de morar debaixo do mesmo teto que ele não me agrada em nada. Mas... é a sua casa, certo?  — Certo. Obrigada!  Depois de um banho quente, eu vesti um pijama confortável e dormi num quarto de hóspedes com a minha mãe.  Quando acordei na manhã seguinte, notei que ela havia levantado antes de mim, o que não era muito comum.  Calcei meus chinelos e desci as escadas direto para a sala de jantar, onde provavelmente o café da manhã já estava posto. E como eu previa, ela já estava se alimentando.  — Já? — franzi a testa.  — Vou fazer uma corrida matinal com uma amiga.  — Por acaso essa amiga é a Catarina? — cerrei os olhos.  — Dessa vez não.  — Sei que almoçou com ela ontem e eu tenho que dizer que não gosto nada dessa relação de vocês!  — Do mesmo jeito que eu não gosto da sua relação com o Christopher? — me olhou com ironia.  — É diferente! — me defendi. — O Christopher é uma pessoa boa!  — Catarina também é.  — Pra você!  — Exato! — ela deu uma piscadela para mim.  — Olha aqui, você que começou com essa birra com ele, tá? Já a Catarina, cria intriga por si só, por onde passa. Então, não os compare.  — Eles são tão iguais que se conviverem muito vão até acabar juntos. — alfinetou.  — Não, Mary. À mim você não irrita. Vou chamar o Christopher pra comer.  — Ele já saiu pra trabalhar. Nós tivemos um pequeno desentendimento matinal e ele resolveu comer em alguma cafeteria.  — Mary, por Deus! O que nós conversamos ontem?? — coloquei a mão sobre a testa. — Eu não prometi forçar simpatia. E como eu ia imaginar que ele não sabia do seu acordo com o Allan?  — O que? Como você sabia?  — Catarina me contou. Ela disse que só concordou porque envolvia o Christopher.  — Merda! Ele deve estar furioso!  — Relaxe, eu nem contei o principal. Tudo o que ele sabe é que você fechou um acordo com o Allan e que isso o envolve.  — Você não tinha o direito, mãe.  — Já disse que não sabia que você ia usá-lo sem aviso prévio.  — Claro que eu ia avisar!  — Deveria ter avisado antes de confirmar o acordo e sabe que eu tenho razão. — sorriu de lado.  — Droga! — bufei.  Rapidamente, eu comecei a me arrumar e nem me alimentei direito. Depois, fui dirigindo até a empresa o mais depressa que pude. Assim que cheguei, fui direto para a sala de Christopher e entrei sem bater. Ele estava trabalhando em algo e me olhou sério quando me viu ali, parada em sua frente.  — A gente tem que conversar. — eu disse. Ele fez sinal para que eu sentasse. — Então, eu sei que você deve estar zangado comigo, mas eu posso te garantir que foi a melhor decisão que eu pude tomar.  — Prossiga.  — A Morgan's Company sugeriu que as duas empresas fossem representadas por apenas um palestrante. Firmando nossas pazes diante da grande mídia e de eventuais clientes. Seria bom para a imagem e negócios.  — Está dizendo que eu vou representar os Morgan's na palestra? — perguntou como se o que eu disse não fosse sério.  — É algo inteiramente profissional. De certo modo, continuaremos rivais por trás das cortinas, mas fazer isso beneficiaria ambas as partes. É um interesse de todos. — tentei sorrir.  — Achei que não confiasse nele.  — Não é questão de confiança. Vamos usar o nome deles para o nosso benefício e vice-versa. Mais do que tudo, precisamos trabalhar o nosso próprio marketing.  — Dul, por que não para de falar comigo como uma empreendedora e começa a falar como minha namorada? Pra mim isso não tem nada a ver com os negócios, mas com o fato de que você se dispôs a deixar que eles usassem a minha imagem sem me consultar antes. — falou num tom baixo e sério.  — Eu sei. Isso foi terrível e eu sinto muito. — suspirei. — Já vai ser difícil viver debaixo do mesmo teto que a sua mãe, que vive me perturbando. Eu só quero estar com pelo menos uma pessoa em quem eu possa confiar. Não quebre a minha confiança, Dulce.  — Não vou. — segurei a mão dele que estava sobre a mesa. — Eu fui uma estúpida, eu sei! Te juro que o que eu mais quero é que você fique ao meu lado. — ele ergueu uma de minhas mãos e depositou um beijo.  — Ok. Mas saiba que só vou fazer isso pela promoção que você me prometeu. Tenho que pensar na minha carreira.  — Faz bem. — assenti.  — Melhor eu rever toda a minha palestra, já que representarei duas empresas.  — Tenho certeza que vai se sair muito bem. — dei a volta na mesa e sentei em seu colo. — Você é ótimo em tudo o que faz. — lhe dei um selinho. Ele sorriu de lado e acariciou o meu rosto.  — Com licen... — Maitê entrou na sala e paralisou assim que me viu sentada no colo de Christopher. Eu fiquei de pé rapidamente.  — Eu vou pra minha sala. — falei. — Tenham um bom dia.  — Você também, senhorita Saviñon. — Maitê disse quando passei por ela.  Aquela manhã havia começado difícil, mas ao menos eu consegui colocar as coisas no lugar, depois da minha mãe quase ter estragado tudo.  Não sei o quão arrasada eu ficaria se o Christopher decidisse se mudar. Os dias em que ele esteve comigo foram os melhores e eu não estava pronta pra deixar todos esses momentos de lado.
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