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1582 Words
Christopher  Fui até o apartamento que havia me interessado e conheci todo o local junto com mais alguns compradores. Como imaginei, o ambiente era perfeito para as minhas necessidades. Era espaçoso o suficiente, mas não em um tamanho exagerado. O condomínio ficava numa área mais calma da cidade, portanto eu não seria atormentado com o barulho do trânsito. Além de que, o apartamento já vinha mobiliado.  Estava certo de que havia encontrado o lar perfeito para mim e estava pronto pra assinar o contrato. Por sorte, apenas eu havia decidido ficar com o apartamento, então não tive que lidar com concorrentes. Agendei uma reunião para resolver a minha forma de pagamento e logo depois, resolvi passar no apartamento de Annie.  Toquei a campainha e fui atendido por ela mesma, que me recebeu com um forte abraço e logo puxou minha mão para que eu entrasse.  — Que honra te ter aqui! — ela disse fazendo graça.  — Fiquei com saudade daqui. — sorri de lado.  — E como andam as coisas com a Dulce?  — Com ela, tudo ótimo. O problema é a Mary. Eu sinto que a convivência com ela vai ser insuportável, mas ainda bem que já consegui encontrar um apartamento pra mim.  — Sério? Que legal! E está pronto pra morar sozinho?  — Totalmente.  — Que tal ficar pra almoçar? Não sou tão boa na cozinha quanto você, mas hoje eu me esforcei.  — Não é má ideia, mas e a Maitê?  — Ela e Christian estão fora. E também, não tem que se preocupar com ela. Te juro que Christian está se tornando bem especial na vida dela.  — Isso é muito bom. O que eu menos quero é que ela siga com raiva de mim.  — No final, nós vamos sempre ser uma família. — deu um beijo na minha bochecha. — Agora vem, me ajuda a arrumar a mesa.  — Só um minuto, eu preciso avisar à Dulce que eu não vou almoçar com ela.  — Ok. Te espero na cozinha. — assim que ela saiu da sala, eu disquei o número da Dulce. Ela atendeu no segundo toque.  — Oi, amor! Já ia te ligar pra perguntar em que restaurante você prefere almoçar. — disparou a falar assim que atendeu.  — Então, eu não vou poder almoçar com você e com a Mary hoje. A Anahi me convidou pra almoçar com ela e eu aceitei.  — Ah... sério?  — Pois é, tudo bem pra você?  — Sim... — dava pra sentir o seu desapontamento.  — Não se preocupe, ainda vai ter a sua mãe pra te acompanhar no almoço, meu amor.  — Pois é... e então, gostou do apartamento?  — Amei! Eu vou comprar.  — Uau... rápido.  — É melhor ter onde morar logo. — ri.  — Mas você tem. Aqui comigo.  — Eu sei, mas ainda assim não é o meu lar. Só ia passar um tempo com você, lembra?  — Sim, sim, claro.  — Tenho que ir, quando eu chegar aí a gente conversa. — Ok, bom almoço.  — Você também, amor.  Almocei com Anahi e ainda fiquei por lá por mais um bom tempo, conversando sobre diversos assuntos. Voltei para a casa de Dulce por volta das três da tarde e assim que passei pela porta da frente, avistei Mary sentada no sofá, lendo uma revista.  Eu ia passar direto, sem olhá-la, mas quando ouvi ela soltar um risinho para mim, eu tive que dizer algo.  — Algum problema, sogrinha? — perguntei.  — Almocei com uma amiga hoje. Alguém que você conhece muito bem. — falou em tom de insinuação.  — Quem?  — Catarina.  — Ah, caramba! — bufei. — Seja lá o que ela tenha te dito, nem ela e nem você vão poder usar isso contra mim. — deixei claro.  — Você se sente muito importante, não é? Eu sei que provavelmente a Dulce sabe que você transava com a Catarina, o que torna o relacionamento de vocês ainda mais esquisito. Entretanto, eu tenho que admitir que adorei saber que você possui alguns podres. — riu.  — Primeiro, eu só transei com a Catarina uma única vez. Meu relacionamento com ela não durou nem uma semana, portanto, foi irrelevante. Segundo, não acho que tenha sido podre da minha parte dormir com a Catarina. Eu era solteiro e tinha total liberdade de sair com a mulher que quisesse.  — Então, você se orgulha de ter dormido com a Catarina? — ela arqueou as sobrancelhas, quase como se esperasse que eu dissesse que sim.  — Claro que não! Eu só não vejo o lado negativo disso! — dei de ombros.  — Não vê o lado negativo de que? — ouvi Dulce perguntar atrás de mim e meu coração gelou.  — Amor! Não te vi aí! — sorri pra ela nervosamente.  — A Dulce fez uma pergunta, Christopher. Não vai responder? — fuzilei Mary com o olhar, mas continuei em silêncio. — Bom, eu respondo pra você. O Christopher disse que não vê o lado negativo de ter dormido com a Catarina Morgan. — sorriu vitoriosa.  — O que? — Dulce me olhou com uma expressão confusa. — Me diz que a minha mãe só tá mentindo pra te encher o saco.  — Ah... eu...  — Acho melhor deixar vocês conversarem. — Mary se levantou e subiu as escadas cantarolando. — Sua mãe explicou fora de contexto. — comecei.  — Então você acha mesmo que não tem algo negativo em ter dormido com a Catarina? — franziu a testa, incrédula.  — Bom... talvez ela me alfinetasse menos se eu não tivesse feito isso... — eu me sentia sem saída.  — Só isso? Te alfinetar? — cruzou os braços. — Todo o resto foi ótimo?  — Se tivesse sido, eu ainda estaria com ela.  — Então me diga o que a Catarina demonstrou de r**m.  — O óbvio. Ela é uma mulher detestável, com um ego inflado e um humor super ácido. — enumerei.  — E na cama? Ela era boa? — me encarou.  — Er... você vai mesmo me perguntar isso? É tão... desnecessário... — desviei o olhar.  — Então, ela era boa? — cerrou os olhos. Fiquei em silêncio pedindo que Deus me mostrasse as palavras corretas a se dizer. — O silêncio é a melhor resposta! — ela disse com raiva.  — Amor, me escuta. Aquilo aconteceu antes que eu me apaixonasse por você. Eu não conhecia a Catarina e só saí com ela duas vezes, sendo a segunda desastrosa. — segurei as mãos dela. — Olha, eu não posso mudar o meu passado, nem apagar as coisas que eu fiz com as pessoas erradas, mas eu posso cuidar pra que o meu futuro com você seja perfeito. Só te peço que não deixe esse tipo de coisa consumir a sua mente.  — É que é tão difícil não sentir ciúmes de você! — falou com menos dureza dessa vez. — Eu te amo tanto e tenho tanto medo de perder você.  — Isso não vai acontecer. — me aproximei e segurei seu rosto. — Eu te amo tanto quanto você me ama e também tenho ciúmes, mas a certeza que eu sinto de que o nosso amor vai durar pra sempre é maior do que o medo de te perder.  Ela sorriu, aproximou seu rosto do meu e me beijou apaixonadamente, abraçando o meu corpo contra o seu. A ergui levemente em meus braços, trazendo os seus lábios o mais próximo possível.  — Desculpa pelo surto. — ela disse depois de um suspiro.  — Tudo bem, eu entendo. — acariciei sua bochecha. — Sua mãe disse que almoçou com a Catarina hoje. Você não foi com ela, foi?  — Espera, a amiga que ela ia rever era a Catarina? — ficou boquiaberta. — Ah, mas a Mary vai ter que me ouvir!  — Por que não me disse que ia almoçar sozinha? Eu podia ter vindo.  — Eu não queria te incomodar.  — Não ia ser incômodo nenhum.  — Enfim, já passou. — sorriu. — Ok. Não vai acreditar no apartamento perfeito que eu encontrei. — eu disse animado, mas ela logo ficou séria. — O que foi? — Em quanto tempo você vai se mudar?  — Eu não sei bem, mas eu vou assinar o contrato amanhã. Posso ir quando eu quiser.  — Entendi. — baixou o olhar.  — Algum problema?  — É que eu vou ficar aqui... com a minha mãe. Isso é pior do que ficar sozinha, porque eu nunca sei quando ela vai simplesmente arrumar as malas e ir embora sem nenhum aviso prévio. Além disso, a convivência com ela não é fácil e te ter perto ameniza as coisas. — mordeu o lábio inferior. — E eu gosto de ter você aqui.  — Eu também gosto de morar com você, mas eu não sei se deveríamos fazer isso tão rápido.  — Não aconteceu nenhum problema até agora. Que tal você repensar?  — É, eu posso pensar. — sorri fraco.  — Ótimo! — se animou.  Apesar de ser mais pé no chão e preferir fazer as coisas com calma, não custava nada eu ter a opção de poder morar com ela. Eu realmente amava estar perto da Dulce. Isso me fazia bem, eu me sentia muito mais vivo sabendo que iria acordar e ver o rostinho dela todas as manhãs.  Mas ainda assim, aquela era uma decisão séria, que deveria ser tomada com cautela, pra que não viesse a ser uma má decisão a longo prazo.
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