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1308 Words
Christopher  Deixei que minhas emoções me consumissem e quebrei toda e qualquer barreira que pudesse me impedir de tomá-la em meus braços.  De certo, não tinha total certeza se deveria fazer aquilo, levando em consideração que ela ainda é a minha chefe. Mas a forma como ela estava devolvendo aquele beijo, me fez ver que talvez não fosse tão errado o que eu fazia.  O clima aumentou e eu a levei de encontro à parede do elevador, sem parar de explorar sua boca. Ela logo levantou sua perna encaixando ainda mais nossos corpos e eu levei minha mão até sua coxa, segurando com firmeza.  Desci meus beijos para o seu pescoço e fui correndo meus lábios por toda a sua pele.  — Christopher... — ela disse quase num gemido.  E como se tivesse tido um momento de lucidez, me empurrou tão bruscamente que eu tive que manter o equilíbrio para não cair.  A olhei com confusão, tentando entender porque havia feito aquilo. Mas ela não disse nada e apenas me encarava com um olhar apavorado enquanto ofegava incessantemente.  — Por-por que fez isso? — gaguejou.  — Você sabe. Sentiu o mesmo que eu. — dei dois passos para me aproximar.  — Não! Fica longe!  — Dulce, qual o problema? Você tava gostando e eu também. — relatei o óbvio.  — Eu disse pra você ficar longe! — ordenou.  — Então é isso? Só vamos esquecer? Igual da outra vez?  — Sim, isso não deveria ter acontecido. — colocou a mão sobre a testa.  — E por que não? Você ainda é um ser humano, sabia? Sente desejos como qualquer outra mulher. — eu tentava convencê-la de que nada de errado havia acontecido.  — Você é um funcionário, Uckermann. Eu não vou sentir desejo nenhum por você. — declarou com asco.  — Uau... — arqueei as sobrancelhas. — Por um breve instante eu achei que podia gostar da sua personalidade. Mas agora vejo que você continua sendo a mesma mulher podre de sempre.  — Como ousa...  — Você sabe que eu estou certo. — a interrompi.  — Eu estou pouco me lixando pro que você acha ou deixa de achar de mim.  — Claro. — revirei os olhos.  Apertei o botão do nosso andar e ficamos em silêncio até que o elevador chegasse. Assim que as portas se abriram, ela saiu andando rapidamente, sem olhar para trás. A observei até que sumisse no corredor.  Maldita Dulce! Nunca uma mulher me deixou com tanta raiva e ao mesmo tempo, tanto desejo. O melhor a se fazer é manter-se longe.  Não preciso dessa dor de cabeça na minha vida, muito menos forçar a companhia de uma mulher tão mesquinha quanto ela.  Por mais que me atraísse, ainda era uma pessoa horrível e se vi algo de bom em algum momento, certamente eram apenas registros comuns que qualquer pessoa possuía. No geral, Dulce era r**m, uma megera que não merecia o esforço de nenhum homem pra conquista-la.  Só esperava que a minha visão r**m dela superasse todo e qualquer desejo meu em toca-la, porque ela simplesmente não valia a pena.  {...}  — Tô te dizendo, mulheres ricas são problemáticas! — eu dizia me afundando ainda mais em uma das cadeiras do escritório de Christian.  — Como pode dizer isso com tanta certeza? Você só saiu com Catarina Morgan. — ele falou.  — Sim, mas só de ver como ela é parecida com a nossa chefinha, eu percebi que toda mulher rica é igualmente megera. — fechei meu punho com irritação.  — Então, você deveria sair com uma mulher normal como nós.  — É, mas quem?  — Fala sério... — ele riu como se a resposta para a minha pergunta fosse óbvia.  — O que? Diz aí, quem eu deveria chamar pra sair?  — Uma mulher que fosse bem próxima à você, que já conhece, já sabe que gosta da personalidade e ela gosta da sua. Entende? Uma mulher que tá sempre com você... sempre. Raciocina. — franzi a testa pensando.  — Annie? — indaguei confuso. — Isso seria quase um incesto.  — Não, mané! Não tô falando da Annie!  — May?  — May. — concordou.  — Endoidou?  — Você não é tão "irmãozinho" dela quanto é da Annie. E tem mais, a May é louca por você. — O que? Claro que não! — Claro que sim. Você é o único tapado que ainda não percebeu.  — Você só pode tá zoando com a minha cara.  — Acha que eu tô? Pergunta pra Annie.  — Tá, eu vou perguntar. —fiquei de pé. — E se essa história for real, talvez eu a chame pra jantar.  — Eu vou querer ver isso. — riu.  Saí de lá indo direto para a sala da Annie. Como já tínhamos uma certa liberdade, eu entrei sem bater. Ela sorriu ao me ver e fez um gesto pra que eu sentasse na cadeira de frente à ela.  — No que posso te ajudar? — perguntou. — Preciso de uma opinião, mas você tem que ser sincera.  — Claro.  — O que acha de eu chamar a May pra sair?  — Ai, finalmente você percebeu que ela gosta de você, não é? — levou as mãos ao alto em comemoração.  — Então é sério? Ela é mesmo afim de mim? — perguntei chocado.  — É óbvio! Não vê como ela tem ciúmes de você?  — Eu sempre achei que fosse só preocupação, sabe? Ciúmes de irmã.  — E por que eu não tenho esses ciúmes de você? — arqueou a sobrancelha.  — Hum... porque você não se importa...? — ela suspirou e revirou os olhos. — Tá... ela gosta de mim. — admiti.  — Olha, a May é a pessoa perfeita pra você. Vocês já se conhecem bem, já tem uma relação legal um com o outro e o melhor: fazem parte do mesmo mundo.  — O que quer dizer com isso?  — Mulheres como Catarina Morgan ou a senhorita Saviñon são muito complicadas e difíceis de agradar.  — Por que citou a senhorita Saviñon? — desviou o olhar.  — Christopher, acha que eu sou i****a? Apesar de vocês se alfinetarem o tempo todo, eu vejo o jeito que se olham. — abri a boca para protestar, mas ela fez sinal pra que eu ficasse em silêncio. — Não adianta negar. Agora vai falar com a May e chama ela pra sair logo! — Tá bem, mamãe. — brinquei a fazendo rir.  Depois de sair de lá, fui até o setor onde May trabalhava. Bati duas vezes na porta da sua sala e ela mesma veio abrir. Pareceu surpresa por ver que era eu.  — Christopher? Posso te ajudar?  — Posso falar com você?  — Claro. — deu espaço para que eu passasse. — Fique à vontade.  — Eu vou ser bem rápido.  — Ok. Estou ouvindo.  — O que você acha de jantar comigo na sexta à noite? — esperei ela responder, mas simplesmente ficou em silêncio, me encarando.  — May? Pode responder, por favor?  — E-eu... você tá falando sério?  — Sim.  — E isso vai ser tipo um encontro?  — Sim, May. Eu quero ter um encontro com você.  — Meu Deus. — ela se jogou na cadeira atrás dela e eu me ajoelhei segurando sua mão.  — Tá passando m*l? — perguntei preocupado.  — Não... eu só... fiquei um pouco nervosa. — respondeu ofegando.  — Mas então... você vai jantar comigo?  — Sim. — respondeu rápida. — Eu vou.  — Legal. Vou te levar num restaurante italiano que eu gosto.  — Ótimo. — sorriu.  Me despedi dela e voltei para a minha sala. Estava certo de que era melhor investir em uma mulher que tivesse mais semelhanças comigo e claro, não me esnobasse por causa da minha posição social.  Seja lá o que estivesse crescendo em mim em relação à Dulce, iria acabar.
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