Laís alerta Amélia

988 Words
Amélia O sol já invadia o céu com uma luz forte e dourada quando Laís empurrou a porta do alojamento com força. Os sapatos nas mãos, o vestido amarrotado, o rosto pálido. Seus passos eram rápidos, decididos. O batimento acelerado ecoava no peito como um alarme insistente. Ela não dormira. Não depois do que descobrira. Subiu as escadas sem respirar, entrou no pequeno quarto compartilhado e correu até a cama de Amélia, onde a amiga ainda dormia, encolhida, os cabelos emaranhados e a respiração suave. Laís hesitou por um segundo. Como dizer? Como explicar que aquele homem que mexia tanto com a cabeça de Amélia era mais perigoso do que qualquer coisa que já haviam enfrentado? — Amélia! — sussurrou, tocando no ombro dela. — Acorda. É sério. É urgente. Amélia resmungou algo, virou-se na cama, os olhos ainda meio fechados. — Laís… que horas são? — Já amanheceu. Mas não importa. Acorda, por favor. A gente precisa conversar. Algo na voz de Laís fez Amélia se sentar de imediato. O tom não era de drama, como de costume. Era grave. Assustado. Ela piscou algumas vezes, tentando entender. — O que aconteceu? Laís sentou-se ao lado dela e respirou fundo. Seus olhos estavam vermelhos, as mãos trêmulas. — Eu saí com aquele cara, o Nikolai… Lembra? O russo que me chamou pra jantar. A noite foi incrível, parecia um sonho. Mas, Amélia… ele trabalha pra aquele homem. O Maxin. O cara que vive indo ao restaurante atrás de você. O corpo de Amélia enrijeceu. — Como assim, trabalha pra ele? — Eles são da máfia. Russa. Maxin é o chefe. Nikolai é o braço direito dele. E o pior… eles estão investigando você. Querem saber quem você é. O passado da sua mãe. Estão vasculhando tudo. — Por quê? Laís balançou a cabeça, aflita. — Eu não sei. Mas esse homem, o Maxin, ele acha que você tem alguma ligação com algo do passado dele. E Amélia, isso é sério. Muito sério. A gente tem que sair daqui. Agora. Amélia não respondeu de imediato. Ficou apenas olhando para o lençol amarrotado, a respiração presa. — Ele esteve aqui ontem à noite — disse, quase num sussurro. — O quê? — Laís arregalou os olhos. — Maxin entrou aqui. No nosso quarto. Não sei como. Eu tava sozinha… e ele… ele me beijou. Laís levou a mão à boca. — Amélia… não. Ele invadiu seu quarto?! Isso é crime! Você devia ter gritado, chamado alguém. Por que não me contou? Amélia abaixou a cabeça, envergonhada. — Porque eu… não consegui. Eu fiquei paralisada. Mas também… não sei. Foi tudo tão confuso. Eu devia ter gritado, sim. Mas… eu não quis. Parte de mim estava com medo. A outra… Ela não terminou a frase. Mas Laís entendeu. — Você tá apaixonada por ele? — perguntou, incrédula. Amélia demorou, mas assentiu, muito lentamente. — Eu sei que é errado. Que ele é perigoso. Mas tem algo nele que me puxa. Como se eu já o conhecesse. Como se ele fosse a única pessoa capaz de enxergar quem eu realmente sou. Laís se levantou de um salto. — Isso não é amor, Amélia! É controle! Ele é um homem mais velho, manipulador, um mafioso! Ele está usando você, mexendo com sua cabeça. Ele já fez isso com outras mulheres, aposto! E agora está usando sua história, sua dor, pra te prender! Amélia sentiu as lágrimas virem aos olhos. Mas não chorou. Respirou fundo. — Você acha que eu não sei disso? Eu tenho medo dele, Laís. Muito medo. Mas também tenho medo de mim mesma. Porque, mesmo assim, eu espero vê-lo de novo. Mesmo sabendo que ele pode me machucar… eu quero entender por quê. Laís se ajoelhou diante dela, segurando suas mãos com força. — Então foge disso agora, enquanto ainda pode. Antes que seja tarde. Você não sabe do que esse tipo de gente é capaz. Se ele está fuçando sua vida, é porque há algo mais. E se descobrir que você não é quem ele quer, você acha mesmo que ele vai poupar você? Amélia apertou os lábios. O silêncio entre elas se tornou pesado. — Ele não vai me machucar — disse por fim. — Pelo menos não ainda. E talvez… talvez eu precise saber por que ele está tão obcecado por mim. Talvez tudo isso esteja ligado à minha mãe. Laís se afastou, derrotada. — Você é minha melhor amiga. Eu te amo como uma irmã. E por isso tô te dizendo: esse homem vai destruir você se você deixar. Ele não ama ninguém. Ele é perigoso, frio, calculista. Você não pode confiar nele. — Eu não confio. Mas… não consigo ignorar. As duas ficaram em silêncio por longos minutos. Lá fora, a manhã avançava, e a cidade despertava em meio ao barulho dos carros e buzinas. Mas naquele quarto, entre duas amigas, tudo estava suspenso — medo, raiva, lealdade, amor e o perigo invisível que se aproximava cada vez mais. Amélia sabia que não era mais uma menina inocente. Sabia que seu passado estava cheio de buracos, e talvez Maxin tivesse respostas. Mas também sabia que cada passo em direção a ele era um passo em direção ao abismo. E mesmo assim… algo dentro dela a empurrava para o fogo. Amélia queria fugir, mas depois do beijo tudo que ela quer é mais. Ela fechava os olhos e podia ser os lábios dela no seu, o toque de suas mãos no seu corpo. Ela não contou o que sentia para Laís, por algum motivo a sua amiga sabia o que Amélia sentia, a garota apenas abaixou a cabeça com vergonha. Amélia ficou por horas pensando, então decidi que iria confronta Maxin, ela iria exigir que ele fosse embora e deixar ela em paz. Só que é tarde demais mais para isso o russo já estar apaixonado, não vai deixar Amélia ficar longe dele de jeito nenhum.
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