CAPÍTULO 124 ALINE NARRANDO O silêncio do quarto parecia me sufocar. Eu ainda tava enrolada na toalha, sentada na beira da cama do Cabuloso, mas não conseguia ficar parada.. Por mais que ele tivesse dito que ia resolver tudo, que ninguém mexia comigo e ficava impune… o medo ainda tava aqui, grudado na pele. O Carlos podia já ter levado chumbo naquela hora, ou podia tá por aí tramando, esperando a chance de me atingir de novo. Olhei pras paredes do quarto, simples mas cheias da presença dele. O cheiro forte do perfume misturado com pólvora ainda tava no ar, impregnado. Passei a mão pelos lençóis, como se fosse sentir segurança só por tocar no espaço dele. — Deus do céu… — murmurei, fechando os olhos. — O que eu tô fazendo da minha vida? Respirei fundo, mas o nó na garganta não soltava.

