ISABELLE
Acordo lentamente com a visão embaçada enquanto absorvo a luz filtrada por cortinas fechadas. Na mesinha de cabeceira está um livro. Não consigo ler o título na lombada. Está muito vincado. Há uma jaqueta pendurada nas costas de uma cadeira. Atrás dela há uma porta.
A porta que liga o meu quarto ao do meu marido.
Está aberta. Minha toalha está no chão. E eu me lembro do por que, assim que meu olhar pousa no homem sentado do outro lado da sala na grande poltrona de couro.
Jericho St. James.
Meu marido.
Meu d***o.
O mentiroso.
Eu mudo para sentar e ele coloca seu material de leitura de lado. Percebo que é meu caderno.
— O que você está fazendo com isso? — Eu pergunto, embora existam cerca de mil perguntas mais importantes que precisam ser respondidas.
Ele caminha até mim. — Você escreve sua própria música. — diz ele. Não é uma pergunta. — Por que você não está na faculdade?
— Eu sou lenta, lembra?
— É bom. — Ele enfia as mãos nos bolsos e vejo a linha de preocupação entre suas sobrancelhas. Ele parece diferente do que era antes. É culpa que vejo em suas feições? Em sua postura?
Não. Um homem como Jericho St. James não sentiria culpa. Não está no DNA dele.
— Minha música não é da sua conta. — digo a ele.
— Eu gostaria de ouvir você tocar.
O cobertor cai quando me sento. Percebo que estou vestindo a camiseta de Christian.
Jericho se move para ajustar os travesseiros atrás das minhas costas e embora eu gostasse de dizer a ele para se f***r, eu não faço. Preciso conservar minhas forças. Vou precisar delas se o que suspeito for verdade.
— Como você está se sentindo? — ele pergunta.
Eu olho para ele. Essa arrogância habitual não está lá e ele é mais bonito por isso. Suas feições de alguma forma mais suaves.
Não. Eu apago o pensamento. Este homem não é gentil. Ele é um d***o. Um mentiroso. Ele é meu inimigo.
Julia sabia o tempo todo. Eu disse a ela que não era verdade. Afinal, eu tinha minhas pílulas anticoncepcionais. Ele não as tinha levado embora. Deus. Que tola eu sou.
— Eu me sinto uma merda. Como se eu tivesse sido enganada. Enganada da pior maneira possível. Devo continuar?
Alguém bate na porta e Jericho fala para eles entrarem. É Leontine carregando uma bandeja. Quando sinto o cheiro reconfortante de sopa, meu estômago ronca. Eu estou faminta.
— Isabelle. — ela diz com um sorriso enquanto Jericho pega a bandeja dela, colocando-a na mesa de cabeceira. — Estou feliz em vê-la acordada.
— Você sabia? — Eu pergunto a ela.
Ela está em silêncio e aí está sua resposta.
— Você sabia que ele estava trocando minhas pílulas? — Eu digo as palavras em voz alta, acusando os dois. Ouvi-los torna a traição mais feia. Mais monstruosa. Olho para Jericho, que não faz barulho. Não n**a. Nada. Ele apenas me observa.
Ela olha para o filho. — Vá. — ele diz a ela sem tirar os olhos de mim.
— Certifique-se de que não somos perturbados.
Ela acena com a cabeça e sem outro olhar em minha direção, sai.
— Você tem todos sob seu controle, não é?
Ele se senta na beirada da cama, estendendo a mão para ajustar os cobertores.
— Não me toque!
Ele para, sem comentar, mas não me toca.
Eu levanto meus pés, vejo as meias rosa felpudas com suas bolinhas brancas. Ele me vestiu? Eu estava nua quando eles me nocautearam. Eu tinha acabado de sair do chuveiro.
Não importa, no entanto.
— Você precisa comer, Isabelle. Eu vou alimentá-la.
— Eu posso me alimentar.
— Você está fraca.
— Eu me viro.
— Preciso amarrar você na cama para fazer isso?
— Você faria isso, não faria? Existe alguma coisa que você não vai fazer? Alguma linha que você não cruzará? Ou a decência humana está além de sua compreensão? Não é realmente sua preocupação?
— Eu preciso amarrar você? — ele pergunta novamente.
— Não. — eu digo a ele porque a verdade é que eu sou fraca. De tantas maneiras.
Ele pega a tigela. Eu vejo um caldo claro com pequenos bolinhos dentro dele.
— É caseiro e vegetariano. — diz ele. — Catherine fez isso para você.
— Vou vomitar.
— Nós vamos devagar. O médico deu-lhe algumas vitaminas. As vitaminas B, especialmente, devem ajudar com a náusea. Ele deixou outros medicamentos se você não conseguir manter a comida no estômago.
Olho para o criado-mudo, vendo dois frascos. Estou inundada de emoção de repente. Eu pressiono as palmas das minhas mãos nas órbitas dos meus olhos. Elas saem molhadas.
— Está confirmado então? Estou grávida? — Minha voz soa estranha. Grossa e cheia de emoção que estou tentando muito reprimir.
Ele concorda. — Nós iremos ao consultório médico em alguns dias e descobriremos mais então.
— Eu tenho dezenove anos. — Lágrimas enchem meus olhos e um nó faz minha garganta fechar. — Isso não é o que eu queria. — O que eu esperava. Imaginava.
Jericho coloca a tigela de lado e segura meus braços. Sua mandíbula está tensa e seu aperto não é duro, mas é sólido. — Eu vou cuidar de você, Isabelle. Eu prometo.
Eu quero empurrá-lo para longe, mas é bom tê-lo me segurando. Ele é como uma âncora. Alguém mais forte do que eu posso me apoiar. É bom porque eu não tive alguém me segurando por tanto, tanto tempo. Assim não. Não como se ele pudesse se importar.
Mas então eu me lembro de que ele não se importa. Não sobre mim. Ele se preocupa com seu bebê. Ele é um monstro. Uma fera. Então eu dou de ombros fora de seu alcance.
— Você trocou as pílulas. Julia as encontrou. As verdadeiras.
Ele está em silêncio.
— Se ela não tivesse, você teria mentido? Diria que deve ser um acidente?
— Eu não menti para você nenhuma vez, Isabelle.
— Não, você fez muito pior.
Ele pega a sopa e prepara uma colher de caldo. — Abra.
Eu olho para ele, com fome. Eu abro e ele é cuidadoso enquanto traz o líquido quente para minha boca. É sem graça, mas quente e bom. Simples.
Como eu gosto de sopa.
Estou grávida.
Tomo outra colherada de caldo, saboreio o sal de uma lágrima que escorre pelo meu lábio.
Estou grávida do bebê de Jericho St. James.
Ele limpa meu queixo, em seguida, me dá outra colherada, está com um bolinho. Eles também são bons, pastosos e salgados. Eu como em silêncio. Ele é paciente, não está me apressando.
Quando a tigela está vazia, ele a coloca na mesa e pega o prato de fatias grossas de pão branco com manteiga. — Sal? — ele pergunta, pegando o saleiro.
Ele se lembra da outra noite.
Concordo com a cabeça, observando-o enquanto como o pão que ele me alimenta. Penso no quanto estou sob o controle desse homem. Como ele é o ditador da minha vida. Eu estou na casa dele. Na cama dele. Sua mão é a que me alimenta. Literalmente. Sua marca está gravada em minha pele. Ele pode me trancar naquele porão se quiser. Mantendo-me lá até o bebê nascer e tirar a criança de mim. Ele pode me deixar lá para morrer. Enterrar meu corpo ao lado do de Nellie Bishop e ninguém saberia. E se o fizessem, ninguém me ajudaria. Angelique pode se lembrar de mim, mas tenho certeza que ele poderia inventar uma história para distraí-la até que ela se esqueça de mim também. Alguém se importaria? Julia? Carlton? Matty talvez.
— Eu preciso saber uma coisa. — ele finalmente diz enquanto coloca o prato vazio de lado. Eu engulo o último bocado.
— Eu sou toda ouvidos. — eu digo de uma forma otimista simulada. Por dentro, algo está me torcendo e as lágrimas continuam fluindo.
Ele olha diretamente para mim, os olhos procurando os meus. — Você vai tentar prejudicar meu bebê?
Eu estremeço. E levo um minuto inteiro para dissecar suas palavras.
Vou tentar fazer m*l ao bebê dele?
Prejudicar um bebê.
Seu bebê.
— Você vai me acorrentar à sua cama se eu disser sim?
Ele acena com a cabeça como se fosse um acéfalo. Uma resposta óbvia. Uma normal.
— Você sabe o quão fodido você é?
— Acredite em mim, eu sei exatamente o que sou.
Seu comentário me pega de surpresa.
— Responda-me, Isabelle. — diz ele.
Eu me sinto mais forte. É a sopa, o pão e provavelmente as vitaminas.
— Eu não sou como você, Jericho St. James. Eu não sou alguém que pode prejudicar outro ser humano.
É a vez dele se encolher. Bom.
Ele concorda. Continua.
— Nós não vamos contar a Angelique até que você esteja mais longe, apenas no caso.
— Não há nós. Existe você e existe eu.
Ele ignora isso. — Eu não quero deixar suas esperanças.
— Bem, isso é provavelmente a única coisa que você e eu concordamos.
— Bom. Você vai dormir na minha cama daqui para frente. E sua prioridade será sua saúde. A saúde do meu filho.
— Não estar agradando você? Essa já não é mais minha prioridade? — Eu pergunto, meu tom de zombaria.
— Isabelle...
— É por isso que você fez isso. — Não sei por que esse conhecimento dói. Não é realmente uma notícia de última hora. E em algum nível, eu tinha que saber. Não é como se ele tivesse alguma afeição por mim. O d***o com chifres que me salvou daqueles homens naquela capela provou ser mais vilão do que herói. Muitas vezes. Duvido que ele alguma vez quis ser o herói, no entanto. Naquela noite, por um momento, pensei nisso. Meu cavaleiro de armadura brilhante. Um estranho veio para me varrer do chão e me levar embora.
Longe de onde? Eu me pergunto agora. Longe de quê? Os últimos três anos foram uma espécie de inferno. Perder meus pais foi r**m. Mas perder Christian? E do jeito que eu o perdi? Isso me quebrou. Nos três anos em que vivi na casa do Bishop com um homem de sangue, meu meio-irmão, só me senti sozinha e com frio. Até com Julia. Só com Matty havia algum afeto. Algum contato físico. E os seres humanos precisam disso. Precisamos de toque. Precisamos de gentileza. Necessidade de se sentir desejada. Amada.
Eu balanço minha cabeça. Jesus. Eu sou patética.
Ele respira fundo e espera, olhando para baixo de sua grande altura. Eu me pergunto como eu pareço para ele.
— Julia estava certa. — Ele sabe sobre o telefone. Não há sentido em tentar esconder como eu sei dele. — Ela me contou como funciona a herança do Bishop. Que Carlton precisa produzir um herdeiro para manter o controle da fortuna da família.
— Seu irmão é incapaz de produzir herdeiros.
— Ele tem um ano. Tenho certeza...
— Suas esposas abortaram todas às vezes.
Eu sei disso.
— Eu não estou preocupado com Carlton Bishop magicamente produzindo um herdeiro na última hora. Você, sendo sangue, é a próxima na linha de sucessão. Uma vez que a criança nasce, seu lugar está selado. E o dele também.
— E como chefe de família, o seu também está. Você assumirá o controle da herança.
— Correto. Após o nascimento da criança, eu assumirei o controle.
Deve coincidir muito bem com o 50º aniversário de Carlton.
— Você é um ser humano terrível, sabia disso?
Seus olhos se estreitam e há uma inclinação ameaçadora em sua cabeça. — Você não sabe as coisas que ele fez.
— Você quer dizer as coisas das quais você o acusa. São apenas coisas que você faria, Jericho St. James. — Eu empurro o cobertor me sentindo mais forte e fico de pé. Eu me aproximo, chegando a uma polegada dele. — Coisas que só um monstro como você é capaz.
Uma escuridão desce sobre suas feições, um sorriso fazendo algo perverso sair de sua boca. Ele me leva para trás até eu bater na parede. — Devo te contar mais, Isabelle?
— Eu não acreditaria em uma palavra do que você diz, então economize seu fôlego.
— Devo lhe dizer exatamente como ele decidiu seu destino antes mesmo de você tomar conhecimento de sua existência?
Suas palavras me confundem, mas antes que eu possa responder, ele pega meus braços, desliza-os para trás e agarra os dois pulsos com uma mão.
— Não. Vou poupá-la disso. Vou lhe dizer outra coisa em vez disso. — Seus olhos piscam para a minha boca, descendo para a parte exposta do meu peito. — Você é minha esposa. Você carrega meu filho. Você me pertence, Isabelle St. James.
Isabelle York. Isabelle Bishop. Isabelle St. James. Percorri um longo caminho em três anos.
Eu abro minha boca para protestar, para amaldiçoá-lo para o inferno porque ele não vai me machucar. Agora não. Não enquanto eu estiver carregando seu filho. Mas antes que eu possa, ouço o desafivelar de seu cinto, o som de seu zíper. Eu engulo, olhando para baixo, em seguida, de volta para ele.
O conjunto perverso de sua boca é diferente agora. Sujo. Seu olhar sombriamente erótico.
— E além disso, esposa, você quer me pertencer. — diz ele, soltando meus pulsos e agarrando meus quadris para me levantar do chão. Eu não tenho escolha a não ser envolver minhas pernas em sua cintura enquanto ele me equilibra entre ele e a parede. Sinto seus dedos na lateral da minha calcinha, empurrando-a para o lado. E por mais que eu odeie, estou excitada.
— Eu não. — digo a ele mesmo quando o sinto na minha entrada, mesmo quando meu corpo se prepara para recebê-lo. — Eu não. — Meus braços estão em torno de seus ombros, mãos segurando punhados de cabelo e puxando. Machucando.
— Você é uma mentirosa também, esposa. — diz ele enquanto empurra dentro de mim.
Eu grunhi, tomando todo o comprimento dele, minha passagem muito apertada, a intrusão muito rápida.
— Beije-me. — diz ele, empurrando novamente, as mãos em concha na minha b***a.
— Você quer um beijo? — Eu pergunto, tomando outro impulso duro, meu c******s esfregando contra ele, meu corpo fazendo exatamente o que ele disse. Querendo ele. Querendo pertencer a ele.
— Um beijo sangrento. Eu vou te dar isso. — ele diz. — Faça o seu pior.
Eu afundo meus dentes em seu lábio inferior e saboreio o cobre do sangue. Suas estocadas vêm mais rápidas e eu não tenho certeza se é o gemido dele ou o meu enquanto eu chupo seu lábio e o sangro.
Quando g**o, me agarro a ele, braços em seus ombros, pernas travadas em torno de seus quadris. Ele me quica em seu p*u, me penetrando de novo e de novo, ficando mais grosso. Eu ofego minha liberação, seu nome em meus lábios, meu corpo pulsando, visão embaçada, m*****s apertados e muito sensíveis contra minha camiseta, cada sensação intensificada. Quando ele goza, ouço meu nome em sua respiração, sinto a pressão de seu peito contra o meu enquanto ele me prende na parede e para. Nossos olhos estão presos, lábios sangrando, cada um de nós odiando o outro. Eu com um voto secreto de destruí-lo. Tirar dele tudo o que ele planeja tirar de mim. Eu tenho algum poder sobre ele.
Sexo.
Ele me quer tanto quanto eu o quero. Vou usar isso para deixar Jericho St. James de joelhos.