JERICHO
O jato para a Áustria sai em pouco mais de uma hora, mas dá-me tempo suficiente para visitar os Bishops. Mesmo que nossas propriedades fiquem uma atrás da outra, são quinze minutos de carro até a entrada da frente. O portão se abre quando paramos. Carlton deve estar me esperando.
— Quer que eu entre com você, chefe? — Dex pergunta quando chegamos às portas duplas da frente.
— Não. Vou demorar um minuto.
Ele concorda.
Eu observo o estado do lugar. A casa Bishop já foi grande. Tenho as plantas da casa. Conheço os cantos e recantos. Eu me pergunto se Carlton Bishop já se preocupou em estudá-los. Se ele conhece os pontos fracos do muro entre nossas propriedades.
Os jardins estão descuidados. As folhas precisam ser varridas, os arbustos aparados. As rosas que rastejaram sobre a parede precisam ser cortadas, flores mortas limpas. Eu sei que financeiramente Bishop está sofrendo. Ele pode ter a casa e as propriedades, mas não é líquido. Ele precisa vender algumas de suas terras. O apartamento em Paris que ele comprou para sua esposa. Ele precisa de dinheiro.
Saio do Rolls Royce assim que para, ajeito minha jaqueta e olho para a fachada da mansão de pedra. É construído muito parecido com o nosso com seu design de castelo francês, grandes janelas, persianas de madeira ornamentadas. Se você não olhar muito de perto, não notará como a tinta está descascando aqui ou ali, como uma veneziana está pendurada fora do centro.
A porta se abre antes que eu a alcance, mas não é quem eu estou esperando. Não um mordomo ou governanta. Nem mesmo Carlton Bishop. Não. É a prima dele, Julia.
Ela para com a mão na maçaneta. Nenhum sorriso em seu rosto hoje.
Ela está vestindo um par de calças de corrida e sutiã esportivo que deixa sua barriga exposta. Ela está tonificada e bronzeada como se trabalhasse nisso.
— Srta. Bishop. — eu digo enquanto subo as escadas de pedra em direção à porta.
— Sr. St. James. — ela diz, seu olhar se movendo sobre meus ombros e peito, então de volta para os meus olhos. — Eu estava prestes a sair para correr quando vi você chegar. — diz ela.
Tenho a sensação de que ela não estava prestes a correr. Que ela estar aqui, sendo a única a abrir a porta, é um movimento calculado.
Ela dá um passo para o lado, gesticulando para que eu entre. Eu faço. Seus s***s roçam meu braço. Eu quero dizer que é porque a entrada não é grande o suficiente para acomodar nós dois, mas algo me diz que até isso é calculado.
Ela fecha a porta e um silêncio desce sobre a casa grande. Daqui posso ver as escadas curvando-se para o andar de cima, a sala de estar e a sala de jantar. Está tão quieto que me pergunto se há mais alguém na casa.
Eu me viro para ela. Ela tem mais ou menos a mesma altura de Isabelle e quando ela olha para mim com os olhos azuis pálidos da maioria dos Bishops, noto que ela está usando maquiagem completa para ir correr. Delineador pesado, batom, perfume e tudo mais.
Ela sorri, mas fica um pouco mais perto do que seria apropriado. Eu não me movo quando ela levanta os braços, flexionando os músculos do estômago. Ela puxa seu longo cabelo loiro em um r**o de cavalo no topo de sua cabeça. Ela o transforma em um elástico com unhas compridas e polidas penteando-o, depois arrasta a mão lentamente sobre o comprimento para colocá-lo sobre o ombro.
— Carlton não está aqui. — diz ela e eu entendo alguma coisa. Acho que sim, pelo menos.
— Não?
Ela balança a cabeça. — Tenho certeza que posso te ajudar com o que você precisar. Venha ao meu escritório. Quer café?
— Não, obrigado.
Ela sorri, se vira e caminha na minha frente pelo corredor balançando sua b***a curvilínea o tempo todo. É algo para se olhar em suas calças apertadas. Tenho certeza que é por design. Eu me pergunto o quão perto ela e Isabelle são. O quanto Isabelle sabe sobre Julia. E faço uma nota mental para aprender mais.
Ela abre a porta de um escritório, mas eu não diria que é um escritório de mulher. É madeira velha e escura em cada curva. Muito masculino. Mas talvez seja eu atribuindo papéis de gênero.
— Você tem certeza que este não é o escritório do seu primo. Não parece mobília para uma mulher escolher.
— Não? Não rosa o suficiente?
Eu olho para ela. Pegue seu batom vermelho demais. Julia Bishop chegou à Nova Orleans como mãe solteira há cerca de quatro anos. Ela foi morar com Carlton na época em que Monique se mudou. Isso é tudo que sei sobre essa mulher que estou começando a pensar que subestimei.
Enfio a mão no bolso e tiro o telefone de Isabelle. Eu o coloco sobre a mesa. O cartão SIM está no meu escritório em casa.
— Acho que você passou isso para minha esposa na noite em que encontrei vocês duas na capela.
Ela olha para ele, vira um rosto surpreso para mim. — Achei que tinha sido esquecido pelo homem que recolheu as coisas dela. Você sabe como é ficar sem celular hoje em dia. Não pode sobreviver, realmente. — Ela sorri casualmente.
— Tenho certeza que você tinha apenas as melhores intenções para Isabelle.
— É claro. Como está minha prima?
— Eu acho que você sabe.
Ela pisca, não dá nada do que está pensando. — Devo ao casal feliz meus parabéns?
Eu apenas sorrio, nem confirmando nem negando. A gravidez de Isabelle não permanecerá em segredo por muito tempo, mas se eu pudesse fazer do meu jeito, ninguém saberia até que o bebê estivesse seguro em meus braços.
— Você pode perder um pouco se ela estiver grávida, não é?
Pela primeira vez, nas poucas ocasiões em que interagi ou vi Julia Bishop, sua máscara cai, sua expressão denunciando seus pensamentos e deixando seu rosto geralmente atraente feio. Pelo menos momentaneamente. E eu me pergunto o quanto Carlton Bishop está no controle da casa Bishop.
— A herança nunca foi minha. Meu pai era o irmão mais novo. É como a monarquia. Um herdeiro e um sobressalente. Ele era o reserva e eu, bem, m*l sou isso, não sou?
— Isso te incomoda?
Suas sobrancelhas se unem.
— O fato de Isabelle existir. Que ela está acima de você.
Ela engole. — Claro que não. Eu amo minha prima.
— Hum. Onde está Carlton, afinal?
Ela encolhe um ombro. — Não voltou para casa ontem à noite. Provavelmente na Cat House.
Não sei por que isso me surpreende, mas surpreende, pelo menos momentaneamente. — Isso te incomoda? — Eu pergunto, testando.
— Desculpe?
— Incomoda você que ele esteja na Cat House. Fodendo outras mulheres.
Seu rosto fica vermelho. — Nós não somos… Ele é… Nós somos primos. Isso é tudo.
— Eu tive uma prima uma vez. — eu minto, deixando um lado da minha boca curvar para cima.
— Não somos nós!
— Meu engano. — eu digo. Ando pelo escritório, sento no sofá e me inclino para trás, dobrando o tornozelo sobre o joelho oposto. Ela permanece onde está, ainda perturbada. — Você estava aqui quando o irmão de Isabelle foi morto e ela quase morreu. Quando Carlton a acolheu.
Ela acena com a cabeça, cruza os braços sobre o peito defensivamente.
— Há quanto tempo você sabia da existência de Isabelle? Que ela era uma relação de sangue?
— Desculpe?
— Há quanto tempo você sabia sobre ela? Carlton teria aprendido sobre sua meia-irmã na leitura do testamento de seu pai, onde o velho reivindicou a paternidade. Um teste de DNA foi feito, a propósito, sem o conhecimento de Isabelle, anos antes de ela vir morar nesta casa. Carlton sabia sobre ela há muito tempo. Minha pergunta é quanto tempo você sabia?
— Só quando ela se mudou.
— É assim mesmo?
— O que você quer dizer, Jericho?
Jericho.
Eu levanto. Caminho em direção a ela. — Nós não somos amigos, você e eu. Sr. St. James irá servir.
Ela olha para cima, tirando o ridículo r**o de cavalo do ombro. Eu não gosto dela. Na verdade, sinto uma aversão por ela que é quase física. Há algo tão calculado sobre ela. Tão frio. Mas ela é uma Bishop e meu ódio por todas as coisas Bishop é profundo.
Mas então penso na Bishop em minha casa e isso parece diferente. Talvez seja o fato de ela estar carregando meu filho. Talvez seja porque ela dorme na minha cama. Que eu a vi em seu estado mais vulnerável e que ela depende de mim para tudo. Minha mão é a mão que a alimenta.
Não sei. Tudo o que sei é que ela não é como esta.
— Fique longe da minha esposa. Estou sendo claro?
— Ela é minha prima e minha amiga. Acho que ela precisa de um desses esses dias.
Eu me inclino em direção a ela. — Fique. Longe.
Ela engole em seco e dá um passo para trás.
Satisfeito, vou até a porta. Estou com a mão na maçaneta quando ela fala.
— O que você vai fazer com ela quando o bebê nascer?
Minha mandíbula fica tensa. Eu viro.
Ela deve ver alguma fraqueza em minha expressão, minha postura, porque ela fica mais alta. Um sorriso feio aparece em seu rosto perfeitamente maquiado.
— Enterrá-la como fez com sua noiva? Como seu antepassado enterrou Nellie Bishop?
Eu bufo. Caminhando de volta para o escritório, fico feliz quando ela se apressa para se afastar de mim. — Fique longe da minha esposa e da minha família ou eu vou atrás da sua.
Golpe baixo. Eu sei disso. Para ameaçar seu filho.
Seu rosto empalidece. Sua boca se move, mas ela não diz nada. Ou se ela fala, eu não ouço porque saio daquele escritório, daquela casa, sentindo que quero esfregar minha pele para tirar o veneno que é Julia Bishop de mim.