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1647 Words
JERICHO Eu voo sozinho para a Áustria. Eu teria levado Dex comigo, mas devido às circunstâncias, quero que ele fique em casa para cuidar de Isabelle e Angelique. Ele também entrevistará três homens que possivelmente protegerão Isabelle. Eu sei que não posso mantê-la trancada em casa para sempre. Não é bom para ela ou para o bebê. Mas ela não vai a lugar nenhum sem um guarda pessoal, especialmente agora depois da minha visita a Julia Bishop. Meu pressentimento sobre as pessoas está sempre certo. Sempre foi. A única vez que não escutei levou ao assassinato de Kimberly. Senti por Felix Pérez o mesmo que sinto por Julia. Mas eu o empurrei de lado. Eu estava fazendo negócios. Negócios necessários que haviam sido deixados inacabados e precisavam ser concluídos. Isso foi tudo. Mas isso não era tudo. Ninguém além de Dex sabe da minha viagem à Áustria. E Zeke não pode saber. Porque depois do meu encontro com Santiago estou mais curioso do que nunca sobre o que ele e Zeke não estão me contando. Meu pai estava de férias esquiando na Áustria quando morreu. Eu sei que ele se encontrou com alguns homens naquela viagem a respeito de negócios que não eram exatamente honestos. Mas pelo que pude aprender, essas reuniões foram bem. Aqueles homens não teriam motivos para prejudicá-lo. O oposto. Ele também esteve com uma de suas amantes. Estou feliz agora que ele levou aquela mulher e não minha mãe ou ela estaria morta também. O acidente aconteceu no final da noite. Eles estavam voltando para o chalé depois do jantar. Era tarde e escuro, uma neve fresca estava caindo. Todas as coisas que poderiam levar um homem inexperiente dirigindo nessas condições a sair da estrada. Mas meu pai não era inexperiente. Ele morou em Nova Orleans durante a segunda metade de sua vida, mas nasceu e foi criado no Colorado. Um viciado em esqui que passou os invernos durante grande parte de sua juventude e vinte e poucos anos nas montanhas. Ele era um bom motorista. Sólido. O SUV deles havia saído da estrada em uma curva fechada descendo a montanha a apenas cinco minutos do chalé onde o guard rail já estava danificado. Estava programado para ser consertado na semana seguinte. Quando a polícia chegou lá, a neve estava caindo com força. Qualquer evidência na estrada, como marcas de derrapagem ou pegadas de animais ou qualquer coisa que pudesse explicar por que isso aconteceu, desapareceu. Eles culparam as condições de gelo, mas não era gelo. Era neve e meu pai podia lidar com neve. O próprio carro explodiu com o impacto, uma vez que havia caído do penhasco, causando uma pequena avalanche. Não havia mais nada do motorista ou passageiro além de ossos carbonizados. O pensamento revira meu estômago. Meu pai não era um bom homem. Eu sei disso. Ele era abusivo com nossa mãe. Para nós, às vezes, mais Zeke do que eu. Mas ele era meu pai. Faço questão de passar pelo chalé que vendemos após o acidente. Parece o mesmo, apenas mais velho. Estaciono do lado de fora e olho para ele. O lugar não guarda lembranças para mim. Nós nunca viemos aqui. Apenas nossos pais, principalmente nosso pai. Eu não acho que ele trouxe mamãe mais do que um punhado de vezes. Uma luz se acende lá dentro e alguém puxa a cortina para olhar a estrada. É uma estrada tranquila. Não há razão para estar aqui, a menos que você vá ao restaurante no topo da montanha e o restaurante esteja fechado na baixa temporada. Eu coloco o SUV em movimento e faço uma curva de três pontos para voltar para o hotel. Não dirijo os cinco minutos que levaria para ver o lugar onde o carro deles passou por cima do guard-rail. Talvez eu vá depois. Mas tenho um encontro com o gerente do Hotel Petterhof. O hotel é grande, com mais de quinhentos quartos. É apenas um passo acima de um albergue. Um lugar para alguém se perder. Para ser esquecido. Estaciono o SUV no estacionamento, sem manobrista aqui e entro. Está cheio de acessórios e móveis que são imitações baratas que precisavam ser atualizadas cerca de trinta anos atrás. É muito diferente do tipo habitual de lugar que Zeke ficaria. Há um buraco no meu estômago quando vou até a recepção, onde uma jovem olha para cima e sorri quando me aproximo. — Boa noite senhor. Como posso ajudá-lo? — Estou aqui para ver o Sr. Spencer. Mitch Spencer. Eu não dou meu nome a ela. — Sim, ele disse que estava esperando alguém. Eu vou ligar pra ele. Apenas sente-se. — Obrigado. Enviei um depósito considerável ao Sr. Spencer pelo trabalho que ele fez. Espero discrição em troca. Discrição e informação. Porque encontrei algo nos arquivos do Santiago. Algo que ele pode não ter pretendido que eu visse. A lista de hóspedes deste hotel continha um nome que reconheci. Jack J. Z. Wilder. Ele era o melhor amigo do meu irmão quando estávamos no ensino médio. É coincidência demais que o nome dele esteja na lista de convidados da noite para o dia. Santiago chegou a reunir os nomes de todos os hóspedes dos hotéis e chalés próximos. Os inquilinos de fora da cidade. Os locais. Ele foi minucioso. E o nome de Jack chamou minha atenção. Eram as iniciais do meio. Isso é o que Jack passou na escola. Quando entrei em contato com o Sr. Spencer, que trabalha aqui há quinze anos, ele teve a gentileza de, após algum incentivo financeiro, compartilhar comigo que há uma câmera gravando as idas e vindas do saguão, a entrada frontal, as portas laterais, as entradas e saídas de funcionários. Medidas normais de segurança. Mas o Hotel Petterhof nunca se livrou de nenhuma das gravações antigas. Ele conseguiu encontrar a da semana da morte do meu pai. A semana que Jack J. Z. Wilder supostamente passou esquiando na Áustria. Exceto que Jack havia morrido em um acidente de moto no verão após a formatura. Assisti ao enterro dele. A filmagem da câmera, embora granulada, mostra uma imagem suficientemente clara do homem alto e de cabelos escuros posando como Jack. Meu irmão. Meu irmão estava na Áustria na noite em que o carro do meu pai saiu da estrada. Meu irmão estava em um quarto de hotel a menos de meia hora de distância. E eu não tinha ideia de que ele tinha saído do país. — Sr. St James. É bom conhecê-lo. Eu sou Mitch Spencer. Eu pisco, limpo minha cabeça e me arrasto para fora do meu devaneio para encontrar Mitch Spencer. Ele é um homem baixo, musculoso, com quase cinquenta anos. Ele estende a mão e noto como seu terno é usado no pulso. — Sr. Spencer. — eu digo, apertando sua mão. — Obrigado por arranjar tempo para mim em tão pouco tempo. — Por aqui. — Caminhamos em silêncio por um corredor onde o tapete está puído e o cheiro de comida, cigarros velhos e maconha permeiam as paredes. Zeke odiaria este lugar. Eu ando atrás de Spencer em um pequeno escritório superlotado por grandes estantes e livros, pilhas de fitas de vídeo, uma mesa que já viu dias melhores e uma cadeira atrás dela que se inclina para um lado. A única coisa que tem a seu favor é a vista da janela atrás da mesa. É espetacular. — O escritório não é muito, mas ver o pôr do sol todas as noites é outra coisa. — diz Spencer, como se estivesse lendo minha mente. — Eu aposto. Ele gesticula para um assento. Eu o pego enquanto ele desliza na cadeira atrás da mesa. Ele vira o laptop, sem preâmbulos e aperta o play. Assisto a filmagem. Eu vi a captura de tela dele apenas alguns dias atrás. Observo Zeke entrar no saguão, um boné de beisebol puxado para baixo sobre o rosto. Ele também usa um casaco pesado e volumoso com zíper até o pescoço e caminha até o elevador. Eu verifico a data da filmagem. A noite do acidente do meu pai. Eu mordo qualquer emoção, qualquer pensamento. Spencer aperta algumas teclas para tocar outra cena. Zeke novamente, desta vez vestido com um terno e casaco de lã que não era para esquiar. — Ele saiu cedo. Sua reserva era para duas noites, mas ele saiu depois de uma. Eu olho para o carimbo de data e hora. — Apenas uma hora depois que ele entrou. Passe-as novamente. Ele faz. E vejo Zeke entrar no saguão de boné e casaco enorme. Spencer gentilmente faz uma pausa para expandir a imagem, embora granulado, posso distinguir sua expressão. Pelo menos um pouco. Está determinado. Apressado. Mas quando verifico, seu cabelo está molhado. Ele deve ter tomado banho e se trocado. — Há mais um. — diz Spencer. — Um curioso. Ele vira o laptop, aperta algumas teclas e então o inclina para que eu possa ver a tela. Zeke, saindo do hotel, joga sua mochila cheia em uma lata de lixo perto da entrada antes de entrar em um táxi e sair da propriedade. — Você fez uma cópia? — Eu pergunto, querendo não revelar nada. — É claro. — Ele abre a gaveta, tira um pen drive e me entrega. — Obrigado. — Pego meu celular, entro no meu aplicativo bancário e faço uma segunda transferência. Fico parado enquanto seu telefone toca com uma mensagem. Ele olha para ele, depois para mim e sorri. — Obrigado. Muito obrigado. — diz Spencer. — Discrição, Sr. Spencer. Espero que essa filmagem desapareça. Ele aperta um botão em seu laptop. — Está feito. — Boa noite. Saio do hotel barato com pernas de madeira. Subo no meu SUV alugado e dirijo de volta ao pequeno aeroporto privado de onde voarei para casa esta noite. Ninguém mais sabe sobre minha viagem pelo mundo.  
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