Louise chegou em casa com o coração ainda acelerado. Sabia que sua decisão de propor casamento ao Duque seria difícil de explicar aos irmãos, especialmente a Edmund, que sempre via os nobres como inimigos e responsabilizava Ridley pela decadência deles, embora sem razão direta. A pequena casa estava em silêncio, mas logo as vozes abafadas dos irmãos em uma discussão surgiram do andar de cima, interrompendo seus pensamentos.
Ao entrar na sala, Edmund apareceu do outro lado do corredor, franzindo o cenho ao vê-la.
— Onde estava até essa hora, Louise? — perguntou ele, com o tom irritado que vinha adotando ultimamente.
Louise respirou fundo, sabendo que, em breve, revelaria algo que mudaria suas vidas.
— Preciso falar com todos vocês — respondeu ela, tentando manter a voz firme. — É algo muito importante.
Os irmãos mais novos logo apareceram, um a um, sentando-se ao redor da mesa improvisada na sala, curiosos com o tom sério da irmã. Edmund cruzou os braços, lançando-lhe um olhar desconfiado.
— Então, o que é tão importante assim, Louise? Mais uma de suas ideias de como salvar esta família? — ele murmurou com sarcasmo.
Ela ignorou o tom e tentou falar calmamente, mas sabia que, ao dizer as próximas palavras, não teria volta.
— Eu... tomei uma decisão, e espero que entendam. Vou me casar com o Duque de Ridley.
O silêncio foi instantâneo e carregado. Os olhos dos irmãos se arregalaram, e Edmund imediatamente explodiu em descrença.
— Você perdeu o juízo, Louise?! Casar-se com aquele homem? Um nobre que m*l conhece? Isso é um absurdo! — ele disse, a voz furiosa.
Louise manteve a calma, mesmo sentindo-se abalada com a reação dele.
— Ouçam-me antes de julgar. Esse casamento não será como vocês imaginam. Ele será uma união de conveniência, sem envolvimento pessoal. Apenas um acordo para garantir que nossa família tenha proteção e uma vida mais digna.
— E você acredita mesmo que Ridley vai cumprir essa promessa? — retrucou Edmund, os olhos brilhando de raiva. — Ele não passa de um homem arrogante, alguém que nunca fez nada por nós e agora...
— Edmund, chega! — Louise interrompeu com firmeza. — O Duque pode não ser alguém que escolheríamos como aliado, mas essa é a única saída. Eu não estou pedindo permissão, estou apenas avisando vocês. Não quero mais ver nenhum de nós passando frio, ou você e os meninos se matando de trabalhar. É a nossa chance de uma vida melhor.
Alguns dos irmãos mais novos pareciam desconfortáveis, mas o olhar de Louise, decidido e sem medo, lhes dava uma segurança que há muito não sentiam.
Finalmente, o silêncio voltou a preencher a sala, enquanto Edmund apenas desviava o olhar, os punhos cerrados.
— Vocês ainda são minha família. Isso é por nós, e eu vou honrar minha palavra — concluiu Louise, a voz suave, mas determinada.
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Na mansão do Duque, Ridley estava em seu escritório, as mãos entrelaçadas enquanto encarava a lareira. O acordo feito com Louise o perturbava mais do que ele esperava. Ela era uma jovem ousada e de uma firmeza de caráter que o surpreendera; porém, o que o perturbava era o que tal casamento representaria para ele, especialmente diante dos olhares críticos da sociedade. Ele podia facilmente manter sua vida como desejava, mas agora teria que equilibrar essa união improvável.
Em meio a esses pensamentos, seu mordomo, Albert, entrou discretamente.
— Senhor, deseja alguma coisa antes de encerrar a noite? — perguntou, observando o semblante preocupado do Duque.
Ridley soltou um suspiro e se levantou, caminhando até uma janela que dava vista para os vastos jardins de sua propriedade.
— Albert, parece que estarei me casando em breve — ele murmurou, mais para si mesmo do que para o mordomo.
Albert levantou as sobrancelhas, surpreso, mas recuperou a compostura rapidamente.
— Uma notícia inesperada, milorde. A senhorita Khadowsky, então?
Ridley deu um meio sorriso, sem humor.
— Exatamente. E você pode imaginar o choque que isso trará para todos que nos conhecem.
Albert inclinou levemente a cabeça, como se ponderasse.
— Se me permite dizer, milorde, a senhorita Khadowsky parece uma jovem determinada e de princípios fortes. Talvez essa união traga algo positivo... até mesmo para o senhor.
O Duque lançou um olhar indecifrável para Albert, que apenas manteve seu semblante respeitoso.
— A questão não é se ela é adequada, Albert, mas como o resto da sociedade reagirá a um casamento com alguém sem título, alguém que até ontem vendia flores no mercado. E, além disso, essa união é apenas um acordo para que ela mantenha o silêncio sobre algo que presenciou.
— Talvez seja possível anunciar o casamento de forma que evite questionamentos indesejados. Um noivado rápido, discretamente formalizado... — sugeriu Albert.
Ridley assentiu, percebendo a astúcia do conselho. Ele teria que manipular os fatos e encontrar a forma de comunicar essa união sem abrir espaço para escândalos. A imagem da serenidade de Louise, no entanto, continuava a martelar em sua mente, como se cada palavra dela na clareira tivesse o marcado profundamente.
Quando Albert saiu, Ridley continuou parado na janela, já traçando as linhas do anúncio que daria e dos planos de como lidaria com uma esposa cuja determinação não cedia facilmente.
Naquele instante, ele percebeu que sua vida, até então controlada e previsível, estava prestes a ser virada de cabeça para baixo. E, talvez, no fundo, uma parte dele ansiava por essa mudança.