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O destino de nós dois

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Blurb

Lucas acaba de receber sua primeira missão na academia de polícia. Mas o que ninguém sabe é que ele só se tornou policial para fazer justiça contra a pessoa que destruiu sua família: Falcão, o maior traficante do Rio de Janeiro.

Sua missão é entrar disfarçado, coletar informações que levem a prisão do traficante.

Só que no caminho ele encontrará Thay, a mulher do Falcão e será difícil manter os olhos e a mente longe dela.

Será que Lucas irá conseguir cumprir sua missão? Seu ódio passará por cima da tudo? A atração que tem por Thay será maior do que o seu dever?

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Lucas Seria meu primeiro dia como infiltrado e estava muito nervoso. Não só por ser o mais jovem a entrar na equipe, mas como também seria comparado ao meu pai. Sempre haveria alguém que me comparasse a ele. Meu pai tinha sido um grande homem até ser tirado da família tão precoce. Até ser assassinado. E eu faria de tudo para que a facção do homem mais procurado do Rio de Janeiro fosse pego e preso. Prometi diante do seu túmulo que eu pegaria o responsável por sua morte. — Dou a minha palavra que eu pegarei Falcão e o levarei a julgamento pelos seus crimes — falei enquanto olhava para a lápide do meu pai. Falcão, a máquina de m***r, como era conhecido pela polícia, tinha assumido o lugar do seu irmão Buda, morto em confronto no ano passado. Meu pai tinha sido enviado para descobrir quem eram "os grandes" que estavam facilitando a entrada e saída de drogas do estado, mas sua identidade foi revelada e ele acabou sendo levado ao conhecimento do Falcão que na época era seu braço direito. Meu pai foi torturado e queimado vivo, seu corpo sendo deixado na frente no 26º quartel como prova que polícia não era bem vindo ao Morro da Vitória. Eu tinha apenas 13 anos e precisei crescer antes do tempo para dar suporte à minha mãe e a minha irmã que na época tinha apenas um ano de idade. — Lucas, vamos logo, todos estão te procurando — disse uma voz familiar atrás de mim. Era Lídia. Minha amiga desde o meu primeiro dia no quartel. Loira dos olhos azuis, ela era motivo de muitas conversas quando eu estava de plantão. Dona de um corpo maravilhoso e de uma mente brilhante, Lídia fazia por merecer seu cargo. Aos 25 anos, ela já era responsável por missões de risco, inclusive a minha. Tinha sido ela a me escolher para fazer parte desse novo plano, sabendo da minha vontade de entrar para a equipe. Claro que eu nunca contei o real motivo para entrar para a polícia. Se ela soubesse, jamais deixaria, por que saberia que meu motivo era pessoal para entrar. Eu queria a cabeça do homem que tirou a vida do meu pai, e nada me impediria de ter êxito nessa missão. Levantei-me do chão, retirando a grama grudada em minha calça, coloquei minha boina e olhei para Lídia sorrindo. — Como sabia que eu estava aqui? — É muito óbvio. Quando você resolve sumir e não atender o rádio, só tem um lugar onde pode estar. Vamos logo, o comandante nos aguarda. Lídia, assim como eu estava uniformizada. Seu cabelo sempre preso em um coque apertado e escondido pela boina. Camisa, calça e colete a prova de balas, disfarçava muito bem sua curvas. Hoje seria o grande dia. O dia em que eu deixaria de ser o Sargento Derossi e passaria a ser somente Lucas. A partir do momento em que eu entrasse na favela, eu seria um deles. A minha equipe já me aguardava no galpão quando cheguei. Comandante Mota, o responsável pelo meu treinamento estava explicando algo para os soldados que estavam em sua volta. Quando ele me viu, parou de falar e olhou para minha direção. Eu fiz meu cumprimento de respeito e depois aguardei sua ordem. — Pode descansar Sargento Derossi. — Obrigado senhor. — Estou muito orgulhoso de ver que você chegou tão alto. Seus dias de exercícios duros e noites acordadas tornaram possíveis a sua entrada nessa equipe. — Estou muito honrado em fazer parte dessa missão, comandante. — Alegro-me em saber. Aproxime-se, estava explicando o plano. Preciso que vocês entendam como tudo acontece. Não quero nenhum dos meus homens feridos nessa missão. O Comandante explicou toda a estratégia. Onde todos ficariam e quais seriam suas funções. Por motivo de segurança, apenas eu me infiltraria na organização criminosa. Por ser o melhor da turma e o mais aplicado, eu tinha ganhado o direito de estar na linha de frente. Eu havia recebido o prazo de cinco meses para fazer uma avaliação e traçar um plano para desmontar a quadrilha. — Nessa pasta está tudo o que você precisa saber. Todos que fazem parte da quadrilha, desde os olheiros até o braço direito do Falcão — o Comandante falava enquanto observava minha reação. — Compreendo senhor. — É de suma importância que você seja o mais discreto possível. Não tente chamar a atenção para você. Falcão é um homem vivido e desconfiado. Qualquer motivo que ele tiver, não vai pensar duas vezes em se livrar do problema, entendeu? — Sim senhor. Recebi um relatório resumido de todos os participantes, e garanto que o senhor não tem com que se preocupar. Eu saberei ser discreto. — Assim espero Sargento. Recebi a pasta de suas mãos e ficamos por mais duas horas repassando nosso plano. Eu m*l podia me conter de ansiedade para entrar logo em ação. Ao final, recebi abraços e encorajamento dos amigos que conquistei ao longo dos anos de academia. — Como sua mãe está conseguindo reagir com sua decisão? — Lídia perguntou assim que saímos do quartel. — Ainda está se acostumando com a ideia. Tenho que levar em consideração que ela perdeu o marido em uma missão com essa — falei enquanto manobrava o carro para a pista da esquerda. — Posso imaginar como ela deve estar se sentindo. — Sei que é difícil para ela me ver seguir os mesmos passos do meu pai, mas eu sonho com isso desde que entrei na academia. — E eu não sei? Você não parava de falar nisso o tempo todo. — É verdade. Nós dois rimos. Quando chegamos em frente à casa de Lídia, eu desliguei o carro e olhei para ela. — Por que está me olhando desse jeito? — perguntei. — Desse jeito como? — Como se eu estivesse indo para a morte. — Sabemos muito bem que a vida que levamos é perigosa. — Eu sei. Já entrei sabendo disso. — E você não está com medo? — É claro que estou. Mas é a nossa missão. Lídia soltou um grande suspiro antes de falar. — Prometa que vai tomar cuidado. O Falcão não é conhecido por sua piedade... Peguei a mão dela e segurei entre as minhas e dei um leve beijo. — Prometo que vou tomar cuidado, e quando a missão acabar, vamos sair para comemorar, ok? — Acho bom mesmo cumprir sua palavra Sargento Derossi. Ela riu. — A partir de amanhã serei apenas Lucas — sorri de volta. Lídia saltou do carro e antes de seguir para seu apartamento, apoiou suas mãos na porta do carro e olhou para mim. — Não esqueça, a cada quinze dias teremos um encontro para você passar o relatório. Cuidado para não mencionar quem era seu pai, ou falar algo que comprometa a missão. — Lídia, você quer relaxar? Estou pronto para isso a mais tempo do que você imagina. — Espero mesmo Lucas. — disse se afastando. Quando cheguei em casa, minha mãe estava na cozinha, como sempre. Ela adorava cozinhar. — Senti o cheiro do bolo de milho lá da rua — falei enquanto seguia direto para o bolo coberto em cima da mesa. — Não toque nele ainda. Não vê que está quente? — ela falou me dando um t**a na mão. Eu ri, fingindo sentir dor. — Isso dói, sabia? — Não dói nada. Um homem desse tamanho bancando o garoto arteiro. Parece sua irmã. — E por falar na minha irmã, onde está a Letícia? — Chegou agora a pouco. Deve estar no computador. Essa geração de hoje não faz outra coisa a não ser ficar na internet. — Vou lá ver o que ela anda acessando — falei dando-lhe um beijo na testa e saindo da cozinha. Letícia estava vendo vídeos quando entrei no quarto. — Não bate mais na porta não? — ela perguntou. — Sou seu irmão mais velho, não preciso disso. — Lembrando que isso é invasão de privacidade. Eu poderia estar sem roupa... — Eu troquei suas fraudas, então eu iria ver nada demais. — Eu era uma criança, agora já estou grande e exijo que você bata na porta antes de entrar. Eu ri por que ela sempre falava a mesma frase quando eu entrava sem bater. — Grande é uma pessoa que tem pelo menos um metro e sessenta. Quanto você mede, um metro e meio? — Eu tenho um metro e cinquenta e cinco, Lucas. Sou bastante grande para minha idade — disse cruzando os braços em volta do peito e fazendo uma cara de zangada. — Nossa! Que diferença enorme — debochei. — Fala logo o que você quer e depois mete o pé. — Ei, olha como fala com seu irmão mais velho — tentei falar sério, mas acabei rindo. No fim, estávamos nós dois rindo a toa. Sentei na sua cama e fiquei olhando para um quadro de fotos que tinha de frente para ela. Tinha fotos suas desde o primeiro ano até agora. — Mamãe me falou que você vai ficar fora por alguns meses. — Verdade. — E você vai para onde? — Não posso falar. É segredo — falei baixinho, mas estava brincando. — Sou boa em guardar segredos, pode me contar. Prometo não contar para ninguém. — Nem mesmo para sua melhor amiga? — Nem mesmo para a Ana. Dou minha palavra — disse levantando sua mão para o alto. — Ok, vou falar, mas não pode contar a ninguém... — Eu juro. Letícia sentou ao meu lado e ficou esperando. — Vou sair em uma missão. — Tipo 007? — Mais ou menos isso. — E quando volta? — Não devo demorar muito, talvez cinco meses ou menos. — Isso tudo? E eu e a mamãe? — Não se preocupe, vou pedir para que alguém cuide de vocês até eu voltar. — E esse alguém se chama Lídia? — Como sabe que é ela? — perguntei. — Eu apenas sei. Acho até que foi ela quem se ofereceu para cuidar de nós duas. — Por que acha isso? — Por que Lídia está apaixonada por você e faria qualquer coisa para te agradar. — Lídia não está apaixonada por mim. Somos grandes amigos... — Vocês homens só enxergam o que querem — Letícia falou revirando os olhos — até mamãe já percebeu isso. Letícia se levantou da cama e voltou a sentar de frente para o computador. — Se isso fosse verdade, ela já teria falado alguma coisa. Lídia não é de guardar segredos comigo. — Mas dessa vez ela está. — Eu tenho outras coisas para me preocupar ao invés de ficar questionando os sentimentos da Lídia. Vê se não fica muito tempo na internet e não se esquece de estudar. — Sou inteligente por natureza. Não preciso estudar quando estou em casa. — Se eu souber que tirou nota baixa, vou vender seu computador — falei saindo do quarto. — Duvido que a mamãe vá deixar você fazer isso... — Eu não confiaria muito nisso. Ela gritou algo, mas eu já estava entrando no meu quarto e fechando a porta. Coloquei a pasta que recebi do Comandante em cima da minha mesa de estudo e fui me livrar da minha roupa. Tomei um banho e ainda enrolado na toalha, comecei a analisar os documentos. As primeiras páginas falavam das áreas vigiadas pelo Falcão. Logo em seguida o perfil de cada integrante e suas funções. Seria fácil entrar no grupo. Um informante que já estava a muito tempo envolvidos com eles, iria me apresentar com um amigo que estava querendo participar do grupo. Para isso, eu tive que escurecer um pouco meus cabelos e esconder meus olhos azuis. Comprei lentes de contato castanho e teria que usar até o fim da minha missão. Teria que esconder qualquer semelhança com o meu pai. Falcão era também conhecido por nunca esquecer um rosto e eu não poderia arriscar. — Estou chegando Falcão e prepare-se para o seu fim — falei enquanto olhava uma foto sua estampada em uma das folhas de papel.

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