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1152 Words
Thay Ir ao salão foi apenas uma desculpa para poder sair dos olhares de Falcão. Eu tinha um encontro importante, algo que vinha fazendo há algum tempo. O que estava tornando tudo mais difícil era ter um novo segurança colado ao meu lado. Foi bem divertido torturar Lucas por algum tempo, mas agora eu precisava me livrar dele para poder ir ao meu encontro, só não sabia como. Eu estava me arriscando andando tranquilamente por um lugar público, com apenas uma pessoa me protegendo. — Pretende entrar em alguma loja, ou apenas pretende dar um "role" e me torturar por mais algumas horas? Olhei para um Lucas impaciente andando ao meu lado. — Percebeu o quanto é chato ser meu segurança? Vamos para a praça de alimentação comer alguma coisa e depois voltamos para vamos às compras. O lugar não estava muito movimentado e por conta disso foi fácil encontrar uma mesa vazia. Deixei minha bolsa na mesa e fui escolher o meu almoço. Optei por uma salada verde, arroz branco e filé de peixe, acompanhado de um suco de melancia. Voltei para a mesa e sentei na cadeira para que Lucas fosse pedir seu almoço. Enquanto Lucas estava pegando seu almoço, olhei ao meu redor, procurando meu encontro. Tinha certeza que ela estava aqui e me observando. Com certeza já tinha visto meu novo amigo. — Procurando alguém? – Lucas perguntou quando voltou para a mesa. — Não. Apenas conferindo se não tem ninguém querendo colocar uma bala na minha cabeça – falei dando de ombros, tentando parecer normal – só vai comer isso? Pela cara que estava fazendo, parecia que iria comer um elefante. — Minha cara f**a não era pela fome, e sim por ter ficado horas em um salão, ouvindo todas as fofocas. Acredito que sei todas as cores de esmaltes daquele lugar. Eu ri. — Vai me dizer que não fiquei linda?- falei jogando meus cabelos para o lado. — Tenho permissão para falar a verdade ou corro o risco de perder os meus olhos? – devolveu o sorriso. — Acha que vou correr para o Falcão contar que você gosta de me elogiar? — Não sei, vai? Ele gostava de me desafiar. E eu estava adorando esse jogo. Olhei por cima do ombro de Lucas e vi meu encontro. Estava quase invisível atrás de uma pilastra de sustentação. Vi quando apontou para o banheiro feminino e entendi que era para eu ir para lá. — Vou ao banheiro – falei me levantando. — Vou com você – Lucas disse se levantando. — Você não vai a lugar algum. Vai ficar aqui e me esperar sentado. — Sou seu segurança. — Eu sei, mas homens não podem entrar no banheiro feminino. E para te deixar mais calmo, tem um bem atrás de você. Só precisa virar a cadeira e ficar de olho na porta. Levantei-me e segui para o banheiro sem esperar por sua resposta. Quando entrei, me encostei-me a pia e fiquei aguardando. Segundos depois, ela entrou. — Segurança novo? Rita nunca sorria quando resolvia vir ao meu encontro. Acho que nem me lembro de ter visto um vestígio desde que nos conhecemos. Ela era a irmã da primeira mulher de Falcão e minha única esperança de sumir do Rio. Nosso primeiro encontro aconteceu quando Dado ainda era meu segurança. Não sei como ela havia conseguido meu número de telefone, mas antes que desligasse, ela disse que eu estava em perigo, que Falcão era um cara violento e logo começaria a apresentar os sintomas. No primeiro instante duvidei, até que em uma bela noite, Falcão me encurralou no quarto e me deu um chute nas minhas costelas. Lembro-me de ter sentido a pior dor da terra. Meu ar sumiu por alguns segundos e quando me recuperei, Falcão segurou meu rosto me obrigando a encará-lo. — Não tente me enganar Thay. Não esqueça quem a tirou da sarjeta em que estava. Seja uma boa menina e fique longe de confusões. — Do que você está falando? — Rita andou te ligando. — Eu... — Calada, não tente me enganar, sabe que sei de tudo que se passa por aqui. O que ela queria com você? — Apenas saber de você. Falcão apertou ainda mais o meu rosto e depois me empurrou. — Esconda mais alguma coisa de mim, e não serei tão generoso. ♠ — Infelizmente – falei olhando para ver se alguém estava ouvindo minha conversa com Rita. — Pelo menos parece ser mais sociável do que o Dado. — Ele tem senso de humor, mas você não veio aqui para falar do meu cão de guarda. — Sabe que não. Estou com quase tudo pronto. Logo você não precisará mais de alguém andando no seu encalce o tempo todo. — Conseguiu uma maneira de me tirar do país sem Falcão descobrir? — Sim, só preciso rever alguns detalhes e logo você será como um fantasma. — Por que está fazendo isso por mim? – eu sempre perguntei, mas nunca obtive uma resposta. — Minha irmã era como você. Tentei alertá-la, mas cheguei muito tarde. Está correndo um grande risco fazendo o trabalho sujo dele. — Eu sei, por isso os seguranças. — Trouxe o dinheiro? — Trouxe, mas está na minha bolsa. Esse novo segurança é mais esperto do que o Dado... — Isso acarreta algum problema? — Não. Quando tudo estiver pronto, eu me livrarei dele. Vou deixar o dinheiro em uma lixeira na saída, fique de olho. Preciso voltar agora para a mesa, Lucas é meio psicótico, não duvido que entre aqui para verificar. Quando saí do banheiro, Lucas estava com os olhos vidrados na porta. — Viu, não demorei nada – falei sentando e começando a devorar meu almoço. Lucas já tinha almoçado e estava com o celular na mão. — Ligando para Falcão reportando meu paradeiro? — Nem tudo gira ao seu redor, sabia? Tenho uma vida quando não estou trabalhando. — Que vida? Acabou de chegar e já está cheio de lances? – perguntei erguendo uma de minhas sobrancelhas. — Você tem uma vida tão tediosa que gosta de saber que alguém tem diversão gratuita? — É você que está falando isso – falei voltando a almoçar em silêncio. Não conversamos mais nada até terminamos o almoço. Passei em duas lojas antes de decidir ir embora. Na saída, aproveitei um momento em que Lucas olhava o estacionamento vazio e joguei um envelope na lixeira. Era o pagamento para que Rita me ajudasse a deixar Falcão sem que ele soubesse para onde eu iria. Quando voltamos para casa, não era só Lucas que estava cansado. Deixei-o na sala e segui direto para meu quarto. Precisava de um banho e uma ou duas horas de sono. Adormeci pensando que logo estaria livre de todos os meus problemas e longe de Falcão. Eu só esperava que eu não estivesse confiando na pessoa errada.
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