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2431 Words
Lucas Quando voltei para casa, encontrei Kevin negociando com alguns caras na sala. Achei que seria a oportunidade para colher algumas informações. — Olha só quem resolveu voltar para casa. O que aconteceu? Resolveu aproveitar para tirar uma casquinha da rainha? – Kevin provocou quando me viu entrar. — Então é ele quem está cuidando da p*****a do chefe? – outro cara com quem não tive empatia perguntou. — Cuidado com o que fala. Ele é seu novo segurança, portanto alguém de confiança do Falcão e se por acaso ele resolver soltar que você andou ofendendo a mulher dele, será um homem morto – Kevin respondeu contando o maço de dinheiro em suas mãos. — E você acha que tenho medo? Foi por causa dela que Dado morreu. — Quem é Dado? – perguntei. — O antigo segurança da Thay. Ele falhou com sua segurança e sofreu as consequências. — Você sabe que esse não foi o real motivo. Ele andou se engraçando com a rainha e com certeza ela deu corda e Falcão acabou descobrindo. — Se isso realmente fosse verdade, Falcão não a deixaria viver e continuar com a vida mansa que tem. Ela é seu braço direito, quem cola com ela, tem a confiança dele – Kevin finalizou a frase e guardou o dinheiro no envelope – a quantia está correta, pode pegar a mercadoria. Ricardo pegou uma bolsa que estava no chão e seguiu para a porta, acompanhado dos outros caras. — Esteja avisado. Aquela lá não vale nada. Faz-se de boazinha, mas é capaz de cortar seu p*u sem pestanejar. Quando eles saíram, voltei a olhar para Kevin. — Seus amigos são bem legais. — Não tenho amigos, tenho clientes. Kevin se levantou, pegando o envelope e caminhando para o seu quarto. — Não fique perto dela. Thay é a causa de muitos problemas aqui. — Ela não parece ser perigosa. — É aí que você que se engana. — Ela já matou alguém? — Nunca precisou, mas está sempre presente nos julgamentos e ela nem pisca quando o condenado recebe a pior pena. Se mexer com ela, sua sentença de morte estará lançada. — Você não tem algum interesse nela? – provoquei. — Com um corpo que ela tem, qualquer um aqui pira quando ela passa, mas os mais inteligentes guardam isso para si mesmo. — Então está querendo me dizer que todos os caras a querem? — E quem não quer entrar nas calças da mulher do chefe? Ela é nova demais para ele e como homem, posso imaginar o fogo que ela deve ter. — Você acha que ela teve um caso com o antigo segurança? — Eu não sei de nada. — E nunca procurou saber? Kevin me olhou estranho. — Por que está tão interessado? — Estou apenas curioso. Como você mesmo disse, Falcão é bem mais velho do que ela. — Por acaso ouviu o que falei sobre mexer com as propriedades do Falcão? — Thay não me parece propriedade de alguém. — Mas é. Ele a salvou de outro traficante, dando-lhe abrigo e comida. Tudo o que ela tem é graças a ele. — Só porque a salvou, não quer dizer que ela pertença a ele. — Eu sou apenas mais um soldado, ele é o chefe. Aqui ele manda e desmanda. Você pode ter qualquer mulher, menos a Thay, estamos entendidos? Antes que eu pudesse responder, Kevin deixou a sala. Fui até a cozinha procurar alguma coisa para comer, mas ao abrir a geladeira, não tinha nada, apenas embalagens vazias. — Ninguém come nessa casa não? – perguntei batendo a porta da geladeira e seguindo para a saída. Fui até uma banca de cachorro-quente e comprei um, acompanhado de um refrigerante. Senti alguns olhares quando paguei e fiquei esperando o meu pedido. — Temos carne nova na área? Olhei para trás e vi duas garotas vestidas com vestidos tão curtos que até pareciam blusas. Uma era morena com longos cabelos negros até metade da cintura. A outra era loira, cabelos cacheados abaixo dos ombros. — Sou Lorena e essa aqui é minha amiga Andreza – a morena se apresentou. — Oi – falei não querendo puxar papo. — Ouvi por aí que você é segurança da Thay – a loira puxou assunto quando eu não falei mais nada. — Para um lugar tão grande, as notícias correm rápidas aqui. As duas riram. — Quando se fala de Falcão e Thay, as notícias voam – respondeu Lorena. — Aqui está seu pedido. Virei-me para pegar meu pedido e depois comecei a me afastar das duas, voltando para casa. — Mais tarde tem baile... Não quer aparecer por lá? – perguntou Lorena. — Tenho que acordar cedo. — Claro que tem. Thay acorda cedo para malhar e precisa do seu segurança. — Para ter aquele corpo, ela precisa malhar que nem uma louca. Ela poderia malhar onde malhamos, mas se acha boa demais para se misturar... – a loira começou a falar. — Cala a boca Andreza, você pode entrar em apuros se isso cair em ouvidos errados. — Estou mentindo por acaso? Ela tem sua própria academia, onde ninguém entra. Nem mesmo Falcão. Lorena ignorou sua amiga e voltou a me olhar. — Não liga para o que ela falou. Andreza tem uma língua que não cabe na boca... Mas voltando ao nosso assunto, se de repente mudar de ideia, estaremos no camarote... Você terá ótimas companhias... — Obrigado, mas vamos deixar para outra oportunidade. — Vou cobrar. Afastei-me, mas ainda pude ouvir a conversa das duas. — Você pirou de vez? Ele é segurança da Thay. Sabe que ele pode contar tudo. — E quem liga? Eu quero mesmo que ela saiba que nem todos gostam dela aqui. Pelo jeito, Thay precisava de mais segurança do que ela achava. E devia ser por isso que Falcão queria alguém com ela o tempo todo. ♠ Falcão estava saindo do quarto quando abri a porta da sala. — Que bom que chegou, preciso falar com você. Será que ela tinha descoberto minha identidade? — Cheguei atrasado? — Não. Thay está no banho. Temos tempo para conversar. Falcão foi para outra sala e eu lhe acompanhei. O lugar não era nada mais que um espaço cheio de armários trancados. Uma mesa com cerca de um metro e meio ocupava o centro da sala, contendo um computador e nada mais. — Como Thay está se comportando? A pergunta me pegou de surpresa. — Quieta, eu acho. — Eu não quero que você ache, quero sua certeza – disse olhando sério. — Ela está na sua. Não conversamos muito. — Ela é assim. É difícil arrancar alguma coisa dela. Onde foram ontem? — Fomos à academia, mas não entrei. — Ninguém entra lá. — Ela deixou isso bem claro. — Thay adora dançar, mas são raras as vezes que ela faz isso na presença de alguém. E depois foram para onde? — Voltamos para casa. Ela não queria que vissem o machucado em seu rosto – soltei para ver se ele falava alguma coisa. — Claro, o machucado... Thay é um pouco desastrada, vive batendo em alguma coisa. Eu sabia muito bem o que a tinha machucado, mas não falei nada, não queria bater de frente com ele e correr o risco de colocar minha missão em perigo. — Quero que fique olho nela. — Está desconfiando de alguma coisa? Alguém está tentando machucá-la? Além de você, pensei comigo. — Há algumas semanas, fui informado de que ela anda falando com alguém fora daqui. — E quem seria essa pessoa? — Imagino que seja alguém que ela não quer que eu saiba. Preciso que descubra quem é. — Por que não pergunta diretamente a ela? — Se eu quisesse saber através dela, não estaria aqui lhe dando essa ordem. Ela vai às compras hoje, veja se ela se encontra com alguém. Thay pode tentar distraí-lo por alguns minutos... Não permita que fique sozinha. Uma batida na porta cortou nossa conversa. — Se vocês já terminaram, preciso sair em dez minutos. Thay estava vestida em uma calça jeans justa ao corpo, uma regata preta e um blazer rosa. Salto alto havia substituído seus tênis, e seus cabelos estavam soltos e escovados. Uma maquiagem suave concluía seu visual. — Já terminamos. Estava apenas informando Lucas o cuidado com você. — Como se uma ida ao salão de beleza fosse uma missão – disse entrando na sala e beijando Falcão rapidamente antes de sair. — Pode ir, e não se esqueça do que lhe pedi. Quero informações o quanto antes. Não gosto de ser enganado e se ela está fazendo isso, quero logo cuidar do problema. — Pode deixar. Saí da sala e fui atrás de Thay. Se ela realmente estava escondendo alguma coisa, deveria saber o risco que estava correndo. E o que ele iria fazer se suas suspeitas estivessem certas? O que aconteceria com ela? E quem seria a pessoa que falou com Falcão? Thay estava posicionado no carro quando cheguei. — Mais um pouco e eu iria sozinha – ela disse quando sentei no banco do motorista. — Não prefere ir no banco de trás? – perguntei. — Você é meu segurança, não meu motorista. — Se alguém nos parar será fácil meter uma bala em sua cabeça. — E você acha que correria menos risco indo no banco de trás? Alguém pode simplesmente parar ao lado e atirar. De um jeito ou de outro eu morro. Agora vamos logo, tenho hora marcada. — Vai encontrar alguém? – perguntei querendo obter alguma informação. — Minha manicure não gosta de atrasos – respondeu rápido. — Ok. Para onde vamos? — Botafogo. ♠ Estacionamos na primeira vaga que encontrei e depois seguimos para o elevador. O salão ficava em um prédio comercial, rodeado de lojas finas, onde apenas pessoas com muito dinheiro frequentava. — Fique ao meu lado. Não quero que as pessoas percebam que estou com segurança. Já sou observada na favela, não preciso atrair olhares aqui também. — Ao lado, como se fosse seu namorado? – perguntei sorrindo. — Isso, como se fosse meu namorado. — E terei que segurar sua mão? Thay me olhou erguendo suas sobrancelhas. — As pessoas não vão achar estranho eu ser seu namorado e não me comportar como tal? — Às vezes acho que você não teme por sua vida. Apenas ande ao meu lado. E fique de olho a quem está ao meu redor. Você não quer meu sangue manchando suas roupas, quer? — Acha que alguém tentaria fazer alguma coisa contra você aqui? — E por que não? Estou fora do meu escudo. Aqui sou apenas uma garota normal de dezenove anos. — Só assim para descobrir sua idade. Eu ri, mas ela continuou séria. Saltamos no quarto andar e seguimos para o salão que ficava no final do corredor. O lugar estava parcialmente cheio. Metade das clientes eram mulheres bem mais velhas do que ela, e pude notar os olhares em nós dois quando entramos. — Thay, chegou cedo – uma mulher aparentando ter uns trinta e poucos anos veio nos recepcionar. — O trânsito estava ao meu favor – disse cumprimentando a mulher. — E esse seria... — Lucas, meu namorado. — Olá Lucas, sou Abigail, prazer em conhecê-lo – ela disse me olhando dos pés à cabeça. — O prazer é todo meu – falei apertando sua mão quando me ofereceu. — Espero que seja paciente. Thay demora sempre que vem aqui – disse sorrindo. — Sou conhecido pela minha paciência exagerada – sorri de volta. — Olha só, tem senso de um humor. Fique a vontade, vou pedir para que uma das meninas traga algo para beber. O que prefere, café, chá ou refrigerante? — Água está ótimo. — Ok, água então. Venha Thay, chegaram novas cores de esmaltes que você vai adorar... As duas seguiram para uma cadeira vazia que já estava separada para ela e fiquei esperando alguém trazer minha água. Peguei uma das revistas e abri em uma página qualquer. Fiz uma vistoria rápida no local, para constatar que não tinha ninguém nos seguindo. As mulheres voltaram seus olhares para suas respectivas revista e pude ficar livre para observá-las. — Aqui está sua água. Baixei a revista e olhei para a garota que trazia uma bandeja em suas mãos. — Obrigado. A garota sorriu quando peguei o copo. — Aceita mais alguma coisa? Temos bolo de laranja... — Obrigado, estou satisfeito apenas com a água. — Se me permite falar, você é bem mais simpático do que o antigo namorado. — Humm... Devo levar isso como um elogio, então. Sorri deixando a garota com o rosto vermelho. — Não a deixe saber que confessei isso. — Não deixarei. Duas horas depois, eu já não tinha mais posição para sentar. Thay tinha feitos as unhas, limpeza de pele, depilação e agora estava finalizando os cabelos. — Parece exausto – disse Abigail sentando ao meu lado. — Apenas entediado por ficar aqui na mesma posição – sorri. Abigail olhou para os lados e falou baixinho. — Nós dois sabemos que você não o namorado da Thay. Olhei para ela enrugando minhas sobrancelhas. — Sei quem ela é e quem é o seu namorado, mas fique tranquilo, pelo o que ela gasta aqui, não me preocupo em saber de onde vem o dinheiro. Abigail tocou minha mão gentilmente. — Resta saber se você é tão gentil quanto o outro segurança. — O que quer dizer com isso? Ela pegou um cartão contendo seu telefone e me entregou. — Me procure quando tiver uma folga e comprovaremos se é tão gentil, quanto é bonito. — Acho que já podemos ir. A voz de Thay atrás de Abigail chamou minha atenção. A mulher se levantou e virou para falar com ela. — Você está linda. Podemos marcar a próxima visita? — Claro. — Ótimo, então eu a vejo novamente na próxima semana. — Deixei um presentinho para as meninas que cuidaram tão bem de mim. — Você sempre mimando minhas garotas. — Elas merecem. Vamos Lucas, aposto que está louco para dar o fora daqui. — Já estava me sentindo parte do salão. — Seu namorado tem ótimo senso de humor – disse Abigail sorrindo. — Você não imagina o quanto. Deixei Thay sair na frente e a segui. — Agora vamos às compras — Por um acaso tirou o dia para me torturar? — Não... Talvez... Vi um vislumbre de um sorriso enquanto no encaminhávamos de volta para o elevador. 
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