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1538 Words
Thay Eu ainda não tinha visto um cara tão lindo até conhecer o meu novo segurança. Quando entrei na sala, não imaginava quem iria encontrar, talvez um cara igual ao Dado. Um i****a que não perdia a oportunidade de me cantar quando Falcão não estava por perto. Nunca levei esse detalhe á ele por medo do que aconteceria com ele. Mas no final, acabou tendo um triste fim. Meu novo segurança não conseguiu tirar o olhar do meu corpo. Senti cada pedaço de mim sendo consumido por ele, mas não pude devolver o olhar. Falcão era ciumento ao extremo e quanto mais eu evitasse que ele ficasse desconfiado, melhor para mim. Não ouvi a conversa dos dois quando Falcão sentou de frente para ele, mas sabia que falavam ao meu respeito. Tenho certeza que Falcão estava lhe alertando quanto à aproximação do Lucas. Saí da sala e segui direto para minha terceira tarefa do dia, conferir os produtos que estavam sendo entregue. Era minha função conferir cada arma que entrava. Depois de dois anos convivendo com o crime, eu sabia todos os calibres. Eu mesma tinha escolhido a minha, uma pistola 765. Levei duas horas conferindo todos os caixotes. Kevin apareceu e passei para ele a listagem das armas que ficariam e as que iriam para a venda. As mais caras, eu mesma iria fazer a entrega. Por isso a pressa do Falcão em conseguir meu segurança. A entrega estava marcada para o fim de semana e eu tinha que me programar. Quando voltei para casa, havia seguranças desde os portões até a sacada. Meu quarto tinha vista para o mar, e eu adorava sentar em uma cadeira, segurando uma caneca de chocolate quente e observar o pôr do sol. Tomei um banho rápido, coloquei minha calça de moletom e uma regata preta e fui para a varanda. Fiquei até perder noção do tempo. Eu tinha adormecido por duas horas e acordei quando Falcão beijou a base do meu pescoço. — Como foi o seu dia? – ele perguntou. — Normal. Cuidei das armas, separei todas e já deixei a encomenda pronta para sábado. — Essa é minha rainha. Sempre me deixando orgulhoso, aliás, a única que me deixa assim. — Falcão, por favor, pare de chamar de rainha. — Quando você irá se acostumar que nunca vou parar de chamá-la assim? Larguei minha caneca e me levantei voltando para o quarto. — Não me dê às costas quando eu estiver falando com você. Falcão me pegou pelo braço e virou com uma violência que pensei que iria quebrá-lo. — Você está me machucando... — Você está comigo há mais tempo que qualquer outra mulher, sabe o que me deixa realmente furioso... E dar as costas é um deles. — Falcão, eu sinto muito... – eu precisava acalmá-lo – eu só não gosto que... — Você não tem que gostar. Você me pertence, tudo o que tem é graças a mim, então o mínimo que pode fazer é me respeitar. Falcão me empurrou com tanta força que acabei batendo o meu rosto na quina da cadeira de madeira que eu estava sentada. Ele foi embora sem se importar se eu estava bem. Sempre era assim. Todos pensam que sou sua protegida, sua amada esposa, mas na realidade não passo de sua escrava, uma qualquer que lhe deve obediência. Choro silenciosamente agachada à cadeira. Depois que consegui reunir o resto da minha dignidade, segui até o espelho e verifiquei o meu machucado. Uma leve mancha começava a se formar perto do meu olho direito. Precisava colocar gelo ou estaria h******l no dia seguinte, além do que Falcão não vai gostava que me vissem machucada, demonstrava minha fraqueza. Quando ele voltou para o quarto, estava tentando dormir. Permaneci com os olhos fechados quando ele sentou ao meu lado e ficou alguns segundos. Depois senti o colchão se mover, indicando que ele estava se afastando. Ouvi o barulho do chuveiro e deixei me levar para um lugar onde a minha liberdade não dependia de ninguém, meus sonhos. Pela manhã quando acordei, Falcão estava sentado em sua cadeira de frente para a cama me observando. Permaneci em silêncio enquanto ele acendia um cigarro. — Seu rosto está h******l. Acho melhor ficar longe da visão de todos. — Tenho muitas coisas para fazer hoje... – comecei a falar. — Eu pedirei para que alguém cuide disso. Fique longe até esse hematoma sumir – disse se levantando e indo para a porta. — Posso pelo menos ir para a academia? Falcão sabia o quanto eu gostava de ficar na academia. Era o meu lugar onde ele e nem ninguém entrava, era o meu pequeno mundo. — Tenha cuidado para que ninguém veja seu rosto. Não quero que fiquem falando. Falcão saiu do quarto e eu fui para o banheiro olhar como eu estava. Parecia que tinha levado um belo soco no rosto. Podia tentar usar algo para encobrir, mas não iria funcionar. — Como tudo acabou assim? Retirei minha roupa e entrei no chuveiro. Não molhei meus cabelos, apenas prendi em um coque enquanto deixei a água cair sobre meu corpo. Voltei para o quarto e vesti uma legging preta, blusa preta larga, que amarrei de lado, meu tênis All Star vermelho e meu boné da mesma cor. Soltei meus cabelos de uma maneira que pudesse esconder meu rosto enquanto fizesse o caminho até a academia. Quando cheguei à sala fui surpreendida com a presença de Lucas. Seu olhar viajou pelo meu corpo até ver meu rosto. Não tenho dúvida de que tinha visto meu machucado. Não havia tido o cuidado de fazer isso direito por achar que estava sozinha em casa. — O que está fazendo aqui? — Estou fazendo o meu trabalho. Você me disse para ser pontual. Havia esquecido completamente que eu tinha voltado a ter um segurança. Odiava ter que voltar a circular com um cão de guarda ao meu lado. Seus olhos demoraram mais tempo no meu rosto, mas se ele pensou em mencionar a minha imagem, resolveu ficar calado, para o meu alívio. — Não vou precisar de você hoje. Vou apenas me exercitar um pouco... — Falcão foi bem claro, devo lhe acompanhar a onde quer que você vá. — Isso inclui ir ao banheiro? – eu o desafio. — Se esse local lhe causar algum perigo, sim – ele me devolveu. Sabia que não deveria contrariar uma ordem de Falcão, então apenas passei por ele e segui para a saída. Ouvi seus passos me seguindo e tentei fingir que não estava incomodada com sua presença. Tentei andar de cabeça baixa para que meus cabelos cobrissem meu rosto. A academia não era tão longe, e em dez minutos já estava destrancando a porta. — Você fica aqui fora – falo quando ele me segue. — Preciso ficar de olho em você. — Duvido que alguém com juízo entre aqui. Apenas eu posso entrar. — Não sou conhecido por ter um bom uso do meu juízo – ele riu debochado. — Não me importa, aqui você não vai entrar. — O que vou ficar fazendo aqui fora sozinho? – seu sorriso ficou ainda mais largo. — Não faço a mínima ideia. Invente algo. Terminei de falar e fechei a porta atrás de mim. Respirei quando senti o cheiro familiar. Meu estúdio de dança. O lugar era todo espelhado, todas as paredes e o teto. Gosto de me ver dançar, ver minhas inúmeras imagens, como se eu não estivesse dançando sozinha. Retirei meus tênis, boné e fiz uma trança nos meus cabelos. Segui até um pequeno balcão onde havia um som e coloquei meu cd de hip hop e deixei o som tocar meu corpo. Dancei até sentir minhas pernas tremerem, então desliguei o som, peguei meus pertences e segui para a saída. Lucas estava sentado em uma cadeira do lado de fora mexendo no seu celular. — Podemos ir – falei enquanto calçava meus tênis e em seguida desfazendo minha trança e colocando o boné. Sem falar nada, Lucas se levantou, guardou o aparelho no bolso e me seguiu. Em passos largos logo ficou ao meu lado. — Você está dispensado o restante do dia. Vou passar o dia em casa. — Por causa do seu rosto? — O que disse? – parei instantaneamente e olhei para ele. — Você está com um machucado no rosto e acredito que não quer que ninguém a veja assim. Por isso o boné... Ele era muito observador... E atrevido. Caras atrevidos não costumavam durar muito tempo aqui. Não sei por que, mas continuei minha caminhada sem falar nada. — Foi ele que fez isso? Parei novamente e aproximei meu rosto do dele. Tão próximo que senti sua respiração. — Você não está sendo pago para ficar fazendo perguntas idiotas. Cuide apenas para que eu não me machuque. — Então acho que falhei na minha primeira missão. Por um momento vi um flash de preocupação, sendo substituída logo em seguida por um olhar irônico. — Para sua segurança, aprenda a ficar calado ou terá o mesmo destino do meu último segurança. Com esse recado, voltei a fazer o meu caminho. Lucas se postou ao meu lado, mas não falou mais nada.
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