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1747 Words
Lucas Cheguei ao Morro da Vitória no horário marcado. Toda minha equipe havia montado uma pequena base nas proximidades para ter fácil acesso a qualquer fato não programado. O cara que iria me apresentar ao Falcão já estava me esperando quando cheguei ao ponto de encontro. Resolvi vir de ônibus para evitar comentários entre os moradores. Trazia comigo apenas uma mochila com roupas, nada muito exagerado para não chamar a atenção. Eu e minha equipe tínhamos planejado todos os detalhes para minha estadia, e o informante conhecido como Maroca iria cuidar do restante. Não sabia se poderia confiar nele, mas meu comandante havia me dado sua palavra que ele seria de confiança e discreto. — Já vi que o parceiro é pontual. Falcão gosta de caras assim — ele falou — vamos adiantar o passo, o chefe já está lhe esperando. Ele tem uma missão para você. — Que tipo de missão? — Não sei. Não recebo para perguntar. E é bom você ficar de olho aberto porque se você for pego parceiro, eu rodo também, entendeu? Maroca saiu na frente sem me deixar falar. Balancei um pouco minha perna para ter certeza que minha arma especial estava bem presa. Não iria entrar na cama de gato sem ter pelo menos uma segurança. Andamos por vários becos e vielas, passando por grupo de homens e adolescente armados até os dentes. Quanto mais nos aproximava do galpão, maior era a segurança do local. Falcão estava muito bem servido de segurança, mas isso não iria me desanimar. O galpão na verdade não passava de um grande armazém. Estava todo dividido por áreas. Havia pessoas divididas entre embalagem de drogas e separação de armas. O cara parecia estar se preparando para a Terceira Guerra Mundial. — Pela última vez, se vocês fizerem m***a na entrega, vou colocar todos no micro-ondas, estão entendidos? Ouvi alguém gritando e socando com força o punho na mesa. — Falcão, o cara chegou — Maroca entrou no ambiente e eu o segui. Alí estava ele, Falcão, o cara que dez anos atrás havia tirado a vida do meu pai. Fechei meu punho para conter a raiva que começava a me dominar. Eu precisava me controlar ou minha missão terminaria antes mesmo de começar. E eu seria um homem morto. Ele parou de olhar para os caras que estavam sentados em uma mesa e olhou em nossa direção. Ele fez uma rápida avaliação enquanto eu e Maroca nos aproximávamos da mesa. Falcão levantou o braço, olhando seu relógio. — Pontual. Exatamente na hora marcada – disse sorrindo e se levantando — alguém andou lhe alertando sobre isso? — Acredito que sim, mas mesmo que não tivesse sido avisado, chegaria na hora marcada — falei ignorando um sorriso que começava a formar em seu rosto. — Então você quer entrar para o time? Sabe pelo menos atirar? — Dê-me uma arma e eu lhe mostro — falei direto. — Humm... Decido e direto... Gosto disso. Preciso de homens assim. — Maroca me disse que você tem uma missão para mim... — Maroca sempre adiantando meus negócios... Pode ir agora Maroca, já cumpriu sua tarefa. Volte à noite com o relatório — ele disse dispensando-o. Maroca fez uma reverência, tocando o alto da cabeça, como se estivesse cumprimentando um sargento e saiu da sala. — Sente-se, precisamos conversar. Quero saber quem é você de verdade, depois conversaremos sobre sua missão. Sentei ao lado de um cara n***o que deveria ter quase dois metros, cabeça raspada e um olhar nada amigável. Os outros não pareceram estar muito a vontade com a minha presença. Olhei para cada um, tentando memorizar cada rosto em um curto espaço de tempo para que eles não se sentissem incomodados. Falcão fez perguntas óbvias, como de onde eu estava vindo e porque tinha escolhido seguir sua quadrilha. Contei toda a história que havia combinado meses antes com minha equipe. Eu só precisava falar o que ele queria ouvir. Minha missão era ficar próximo dele. Estava respondendo a última pergunta quando a porta foi aberta e uma morena linda passou por ela. Estava usando uma calça jeans com a cintura tão baixa que seria impossível abaixar sem mostrar sua calcinha. Uma pequena imagem de uma tatuagem estava aparecendo, mas era difícil identificar. Uma blusa branca amarrada de lado, mostrando o pircing no umbigo. Longos cabelos negros amarrados em um r**o de cavalo, com alguns fios soltos. Não estava usando nada de maquiagem, e para falar a verdade, nem era necessário. Nos pés usava tênis All Star. Ela estava ditando sua própria moda. — Minha rainha chegou — disse Falcão se levantando e esticando sua mão para ela. Claro! Como não reconheci antes? A esposa do Falcão. A garota da foto não parecia em nada com a imagem desse anjo caído na minha frente. Ela me olhou rapidamente e depois olhou para seu marido. — Então é ele? — disse pegando a mão dele e lhe beijando na boca. — Sim, é ele. Mas ainda não lhe contei nada. Estava esperando você chegar. — Bem, já estou aqui. Ela me ignorou completamente, como se eu nem estivesse na sala. Puxou uma cadeira e sentou ao lado de Falcão cruzando as pernas. — Eu estava conhecendo um pouco mais a vida dele antes de colocar com seu novo guarda-costas. O quê? Eu seria guarda-costas da mulher dele? Isso só poderia ser uma piada. — O que me diz... Lucas... Esse é seu nome, não é? — Sim – confirmei. — De todos os meus tesouros, esse é o meu bem mais precioso. Preciso de alguém que cuide dela, que dê sua vida se for necessário. Entendeu? — Entendi. — Você acha mesmo que pode cuidar de mim? — ela perguntou finalmente me encarando. — Eu não acho, tenho certeza — respondi no mesmo tom. — Não ligue para ela Lucas. Minha rainha não aprecia muito a ideia de ter alguém atrás dela. Mas ela sabe que é necessário. Falcão se levantou e caminhou até onde eu estava, puxou a cadeira que estava vazia e sentou na minha frente, tirando a visão de sua esposa. — Ouça com atenção Lucas — começou a falar baixo para que apenas eu ouvisse — Sua missão é mantê-la viva, não importa como. Mas tenha em sua mente de que ela é propriedade particular. Vi como você olhou para ela e vou logo lhe dar um aviso... Não se aproxime dela a não ser para levar uma bala no seu lugar. Siga para qualquer lugar que ela for e me reporte qualquer coisa que a envolva, entendeu? — Entendi. Entendi que ele era um grande i*****l, fascinado por uma garota que deveria ter metade da sua idade. Ela era o seu bibelô e se eu quisesse tê-lo em minhas mãos, eu só precisava cuidar bem do seu brinquedinho. — Ótimo! Agora que estamos entendidos, vamos às apresentações... Lucas, essa é Thay, minha esposa... Thay, esse é Lucas, o seu novo segurança. Thay... Que nome lindo. Tão lindo quanto à dona. Levantei-me quando a garota saiu da sua cadeira meio que contra sua vontade e veio me cumprimentar. — Costumo sair de casa às oito. Esteja lá — me cumprimentou rápido e saiu em direção à saída. Quando ela virou as costas, vi uma arma presa em sua calça. Um anjo armado. Bonita e perigosa. — Não fique chateado com o temperamento dela. Thay odeia ter alguém lhe seguindo o tempo todo. Mas preciso cuidar do que é meu. — Sei como é. — Vamos agora falar onde você vai ficar. Vou te deixar com um soldado meu por enquanto, depois te arranjarei um canto só para você. Talvez semana que vem isso já esteja resolvido. — Só vou cuidar da segurança dela? — eu queria ser mais do que uma babá de mulher de traficante. — De início só. Depois verei se posso contar com você em outros planos... Falcão voltou a sentar na sua cadeira e olhar para cada um que ainda estava sentado esperando novas ordens. — Lucas agora faz parte do time. Alguém leve ele até o barraco do Kevin para que ele possa se estabelecer. O restante cuida da batida policial. Quero esse problema resolvido para ontem. Com isso, todos foram dispensados da sala. O mesmo cara que me encarou com cara de poucos amigos, me levou até onde o tal do Kevin estava. Não conversamos no trajeto e nem fiz muita questão. Kevin estava jogado no sofá da sala, com uma garota com o rosto metido no meio das suas pernas. — Cara, não dá para fazer isso no seu quarto? — perguntou o cara que me levou até o local. — É jogo rápido. Ela está me dando seu pagamento pela d***a. Pode ir Iris. Depois terminamos isso — disse ele empurrando a garota para longe. Ela não devia ter mais de dezesseis anos. Magricela e com certeza dependente de cocaína. A garota passou a mão na boca, se levantou e saiu quase correndo da sala. — Se Falcão souber que você anda trocando s**o por drogas, ele vai te m***r. — Qual é Brow, vai dar um de X9? Vai me dizer que nunca fez isso? Fiquei olhando enquanto eles discutiam o que podiam ou não fazer. — Fica esperto. Não vou aliviar tua barra de novo. Vim trazer um hóspede. — Odeio hóspede — disse se levantado, levantando a calça e seguindo para a pequena cozinha. — Então vai falar com Falcão. Como Kevin não falou nada, Brow caminhou até a porta. — Achei que você não iria falar nada mesmo. É temporário. Semana que vem ele sairá daqui — Brow falou como se eu não estivesse no ambiente. — Vem Mané, vou mostrar onde você vai ficar — disse Kevin quando Brow foi embora. O quarto era um buraco. Uma cama de solteiro de madeira. Um armário de solteiro faltando uma das portas e mais nada. Parecia um buraco abandonado. O odor saindo do ambiente me embrulhou o estômago, me fazendo levar a mão ao nariz. — Ninguém estava usando esse quarto, por isso não liguei em limpar. Já que pretende ficar aqui por alguns dias, fica por sua conta a faxina. Tem balde com produtos dentro do banheiro. Vou sair e conseguir alguma grana. Quando fiquei sozinho no barraco, fui pegar os produtos de limpeza. Eu não poderia dormir no meio de tanto lixo. Eu esperava realmente que fosse temporário. 
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