Capítulo 12

744 Words
A mudança não foi anunciada. Ela veio no cheiro do ar. Aethon sentiu antes de ver. Um odor metálico, antigo, misturado à eletricidade contida que precedia movimentos militares entre dragões. Não era curiosidade. Não era vigilância. Era decisão. Ele estava nas colinas baixas quando o vento mudou de direção. As árvores estremeceram, e pássaros levantaram voo em bandos apressados. — Eles estão vindo — murmurou. Rute, que recolhia galhos secos próximos ao abrigo improvisado, ergueu a cabeça. — Quem? Aethon fechou os olhos por um instante. — Dragões do conselho, não todos, os que acreditam que o medo precisa ser contido com força. Rute sentiu o estômago se apertar. — Por sua causa? — Pela ideia que represento — corrigiu ele. Não havia tempo para longas explicações. Aethon empurrou com cuidado uma grande pedra, revelando uma f***a estreita na rocha, coberta por raízes. — Se eu disser para correr, você corre — disse. — Sem discutir. Rute assentiu, pálida. O primeiro rugido cortou o céu como uma lâmina. Depois outro. E mais um. Três sombras surgiram entre as nuvens, voando baixo, em formação. Não vinham para conversar. — É uma caçada — sussurrou Rute. — A primeira — confirmou Aethon. Ele avançou para o campo aberto deliberadamente. Se fugisse agora, confirmaria cada acusação. Se lutasse, destruiria tudo o que vinha tentando construir. As sombras pousaram com força. O primeiro dragão tinha escamas escuras como carvão e olhos duros. — Aethon, filho de Xanadu — declarou. — Você foi convocado e não respondeu. — Eu não fui convocado — respondeu Aethon. — Fui silenciado. O segundo dragão rosnou. — Suas ações atraíram humanos para onde não deveriam estar. — Eles já estavam aqui — rebateu Aethon. — Apenas aprenderam a não se esconder. O terceiro dragão deu um passo à frente. — Você será escoltado de volta ao conselho. Rute saiu da sombra antes que Aethon pudesse impedi-la. — Ele não fez nada errado! — gritou. O dragão de carvão baixou o olhar para ela. — Humana — disse, com desprezo contido. — Afaste-se. Aethon abriu uma asa à frente dela. — Ela fica. O ar ficou pesado. — Está protegendo humanos agora? — provocou o dragão. — Estou protegendo escolhas — respondeu Aethon. Por um instante, ninguém se moveu. Então, um quarto som cortou o ar. Não um rugido. Um aviso. Lyren surgiu entre as árvores, pousando com firmeza. — Esta não é uma captura legítima — disse. — Xanadu não autorizou força. — Autorizou observação — rebateu o dragão de carvão. — E observamos o suficiente. Kaelith apareceu logo depois, ofegante. — Vocês estão acelerando o que não entendem — disse. O líder da caçada abriu as asas. — A decisão foi tomada. O fogo começou a se formar na garganta de um dos dragões. Rute recuou, assustada. Aethon sentiu o impulso primitivo despertar. Mas conteve. Ele avançou um passo. — Se querem me levar — disse — eu irei. Rute o encarou, desesperada. — Não! — Se eu lutar — continuou ele — vocês dirão que tinham razão. Se eu for… talvez ainda exista escolha. Lyren rosnou baixo. — Isso é uma armadilha. — Toda ponte é — respondeu Aethon. O dragão de carvão aproximou-se. — Você virá agora. Antes que pudesse tocá-lo, uma voz ecoou do alto. — Parem. O céu pareceu se abrir. Xanadu desceu lentamente, sua presença esmagadora silenciando tudo ao redor. — Esta não é a forma — disse ele. Os dragões da caçada recuaram, tensos. — Pai — disse Aethon. Xanadu olhou para o filho. — Você sabia que isso aconteceria. — Sim. — E ainda assim permaneceu. — Porque fugir teria sido mentir. Xanadu respirou fundo. — A caçada termina aqui — declarou. O dragão de carvão inclinou a cabeça, contrariado. — Por enquanto — acrescentou Xanadu. Ele voltou-se para Aethon. — O que está fazendo não pode mais ser ignorado. — Então olhe — respondeu Aethon. Xanadu olhou para Rute. Depois para os humanos que observavam à distância. Depois para os dragões divididos. — O reino está mudando — disse. — E mudanças cobram preço. Aethon assentiu. — Eu pagarei. Xanadu subiu novamente aos céus. A caçada dispersou-se. Mas ninguém acreditava que aquilo fosse o fim. Rute correu até Aethon. — Você quase foi levado. — Eu quase fui ouvido — respondeu ele. No alto das montanhas, Draco observava, em silêncio. A primeira caçada falhara. Mas agora, não havia mais dúvida. O conflito estava declarado.
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