Capítulo 6

527 Words
O céu sobre o Reino de Cristal escurecia mais cedo naquele dia. Nuvens densas se acumulavam ao redor das montanhas, como se o próprio mundo pressentisse a inquietação que crescia entre os dragões. Draco pousou com força sobre uma das plataformas rochosas do conselho, fazendo o cristal do chão vibrar sob suas patas. — Ele esteve lá outra vez — disse, sem rodeios. Alguns dragões ergueram a cabeça. Outros permaneceram imóveis, mas atentos. O Conselho dos Anciãos raramente era convocado sem motivo grave. — Tem certeza? — perguntou um deles, de escamas acinzentadas. — Absoluta — respondeu Draco. — Aethon continua descendo aos vales humanos. Continua se aproximando deles. Um murmúrio percorreu o círculo. — Isso viola os decretos de Xanadu — disse outra voz. — A separação foi criada para nossa p******o. Draco abriu as asas, exibindo as cicatrizes antigas. — Eu lutei na última escaramuça — afirmou. — Vi dragões sangrarem por confiar demais. Não permitirei que isso se repita. Enquanto isso, longe dali, Aethon observava o santuário à distância. O brilho que havia despertado com Rute já se dissipara, mas ele ainda sentia a energia pulsando sob a terra. A verdade que haviam visto não o deixava em paz. — Eles precisam saber — murmurou. — Saber o quê? Aethon se virou. Draco estava ali. — Você nos colocou em risco — disse o irmão, aproximando-se. — Não apenas a si mesmo. A todos nós. — Eu descobri a verdade — respondeu Aethon. — Humanos e dragões já viveram em harmonia. O santuário provou isso. Draco soltou um riso seco. — Provas antigas não apagam lanças nem fogo descontrolado. — Apagam mentiras — rebateu Aethon. O ar entre eles se tornou pesado. — Você está sendo manipulado — disse Draco. — Por uma criança humana. Os olhos de Aethon se incendiaram. — Não ouse. Draco recuou um passo, surpreso com a intensidade. — Veja o que você se tornou — continuou. — Questiona nosso pai. Ignora nossas leis. Tudo por um sonho impossível. — Todo futuro começa como um sonho — respondeu Aethon. Draco fechou as asas com força. — Se continuar, será visto como traidor. O peso daquela palavra caiu como pedra. — E você? — perguntou Aethon. — Prefere uma guerra baseada em medo a uma paz baseada em verdade? Draco não respondeu de imediato. — Eu prefiro dragões vivos — disse por fim. Um rugido distante ecoou pelas montanhas. Xanadu aproximava-se. Os dois irmãos se calaram. O grande dragão pousou entre eles, sua presença impondo silêncio absoluto. — O reino sente a divisão — disse Xanadu. — E divisões atraem destruição. Seus olhos pousaram em Aethon. — Suas ações ecoam além de suas intenções. Depois, voltou-se para Draco. — E seu medo ecoa como ódio. Ambos permaneceram imóveis. — Aethon — continuou Xanadu — você será observado. — Draco — disse em seguida — contenha seus impulsos. O pai partiu como chegara, deixando o ar carregado. Draco olhou para o irmão. — Isto ainda não acabou. — Não — concordou Aethon. — Está apenas começando. E, naquele instante, o Reino de Cristal compreendeu que a paz frágil estava prestes a ruir.
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