Capítulo 28 – Linguagem de Sombra

1157 Words

Grego O ventilador do quartinho sem janela rangeria mais se tivesse coragem. Lâmpada nua, mesa de metal com cantos frios, cheiro de cândida e café. Pipa encostado na parede, rádio no ombro. Monge do lado de fora, em silêncio de funil. Na cadeira, Nariga: o nariz à frente do medo, sal grudado no cadarço — lembrança do meu mapa de sal e vidro. Pousei sobre a mesa três coisas: a moeda perfurada com meia-lua riscada, uma lanterna UV e um copo d’água que não era gentileza — era metrônomo. — Quem costurou o botão no forro do vestido dela? — perguntei sem aumentar a voz. — Eu… só… — ele começou a fabricar inocência. — Só recebeu “gorjeta” em moeda e promessa de que viraria gente grande. — Rodei a moeda pelo tampo, metal cantou. — Nome. Ele coçou o nariz, vício de sempre. Pipa não mexeu um m

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