Grego O relógio marcou 2h17 quando a noite apagou os dentes. O som continuou, mas o mundo desligou a luz como se alguém tivesse soprado o teto. Nenhum estalo de disjuntor — blackout provocado. Senti o cheiro de ozônio e metal quente antes do rádio chiar. — Muralha — ordenei. — Portas bloqueadas. Telhados em silêncio. Corta-fogo fechado. Pipa respondeu com um “certo” seco. Monge sumiu do corrimão como se fosse parte da sombra. Cássio caiu para a saída de serviço. Barroca plantou o corpo na portaria com o mesmo respeito que se tem por altar. A Madrugada ficou cega — e, ainda assim, inteira. Um sopro frio entrou do beco. Tesourão mordendo ferro. “Guto”, pensei, o portão dele. Tinham ensaiado. O farfalhar de lona, o arrasto de caixas. O leste vinha pelo fundo, como eu calculei. Só que veio

