Capítulo 49 – Ronda das Três Luas

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Grego Hoje a noite nasceu com três luas: a do céu apertada entre nuvens, a de aço no alto da Madrugada e a do meu visor no celular cego. Quando o morro respira assim, em três tempos, eu saio de capuz, rádio no bolso e passo que não faz barulho. Patrulha não é desfile; é aritmética: somar o que fica, subtrair o que sangra. — Chefe, disputa no beco da Laje 13 — Pipa no rádio. — Naldo quer abrir ponto novo encostando no de Tião. Vai azedar. — Ninguém abre porta sem chave — respondo. — Segura os dois. Eu tô a três curvas. O beco cheira a ferrugem molhada. Naldo e dois moleques fazem pose de mural. Tião segura o próprio queixo com a mão, sem recuar. Eu encosto na sombra, o concreto sabe meu peso. — Limite — digo, apontando com o queixo o riscado no chão que a gente combina desde sempre. —

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