👑 A noite da fuga - 14
- Mentira! - Maria Eduarda gritou irritada e empurrou Max para trás. - Se isso fosse verdade mesmo você não teria terminado nosso noivado. Você deixou que os seus pais se metessem entre nós, deixou que eles fizessem uma marionete de você e do seu futuro, deixou eles controlarem você como se controla um boneco de jogo.
- Eu não permito que você fale assim da minha família, sempre te deixei bem claro o quanto eles são importantes pra mim.
- Agora eu entendi tudo. - ela riu irônica. - Agora tudo fez sentido pra mim. Você não se importa com eles, você se importa com o seu status, não é? Você importa em ser príncipe, como foi que você disse mesmo? A, lembrei, você tem medo de perder a sua casta, tem medo de deixar de ser um príncipe, um filho de um rei, é disso que você tem medo e se casando comigo e se afastando da sociedade você deixa de ser alguém importante, não é verdade?
- A coroa não me importa, Duda, o importante pra mim é a família, de verdade, você não consegue entender isso porque você vem de uma cultura diferente, aqui o importante é preservar a família em que você cresceu, fortalecer os laços, é por isso que muitas mulheres aqui passam a morar com a família do marido e não os dois sozinhos.
- Suas mentiras não me descem, Maximiliano, elas ficam presas aqui na minha garganta prontas para serem cuspidas. - ela foi até a porta e abriu. - Vai embora, eu não quero mais discutir, já que você insiste em ser uma criancinha que obedece mamãe e papai e não um homem crescido e independente, eu quero que você suma da minha vida.
Max olhou tristonho para os olhos encharcados de Duda e suspirou pesado sentindo como se uma espada tivesse atravessado seu coração e partido ele em mil pedacinhos.
- Sai daqui, Max! - ela o empurrou para fora do quarto. - Sai! Vai embora! Você é um animal! Um sem coração! Eu odeiø você! - Duda gritava de raiva.
Duda passou o dia todo tentando encontrar passagens para adiantar seu retorno ao Brasil, mas encontrou apenas mais dois lugares em um voo que sairia amanhã à noite com destino a Nova Iorque.
Ao cair da noite, Estela verificou a casa e agradeceu por todos já estarem dormindo, hoje era o dia da fuga e por mais que tivesse brigado com Christian, ela sentia que ele a esperava para fugirem juntos para viverem um grande amor. Estela desceu devagar as escadas e foi surpreendida pela voz da sua mãe.
- Estela? - Ciça surgiu no topo da escada. - Aonde você pensa que vai com essa mala?
- Mãe... - ela se virou para olhar Ciça. - Me desculpe, mãe... - sentiu seus olhos marejados.
- Você ia fugir com aquele pária, Estela? Onde está o seu juízo?
- Eu não ia fugir... Eu vou fugir, eu estou apaixonada... - Estela sentiu o tapa da mãe arder em sua bochecha.
- Não fale besteiras! Você não está apaixonada, isso é só um fogo que uma hora ou outra há de apagar. Amanhã é o seu casamento e você não vai envergonhar nossa família assim.
- Me desculpe... Me desculpe mas eu vou embora sim, vou viver o grande amor que estou sentindo aqui dentro. - Estela abriu a porta e parou ao ouvir as palavras de sua mãe.
- Se você sair por essa porta, Estela, você não será mais a minha filha, não será filha de seu pai, não será mais parte dessa família, você vai se tornar uma pária, uma poeira, uma pessoa invisível.
Estela juntou toda a sua coragem e todo o amor que sentia por Christian e deu as costas para sua mãe, saiu correndo de casa e foi encontro do homem que a esperava no local de sempre.
- Christian! - ela correu até ele. - Já estou aqui, meu amor, podemos ir. - Estela o abraçou apertado.
- Estela, surgiu um problema. - Christian a afastou.
- A não, vai começar com todo aquele ciúmes de novo? Você tem noção do que eu acabo de fazer?
- Eu não posso levar você comigo agora, Estela, ainda não tenho dinheiro o suficiente para te dar a vida que você merece.
- Mas você me prometeu... Eu disse que poderíamos começar de baixo juntos, que não é problema nenhum pra mim.
- Mas pra mim é. - Christian respirou fundo e a olhou. - Eu não posso tirar você de uma vida tão boa que você tem pra você ficar trancada o dia todo em um apartamento em um lugar que você não conhece, uma língua que você entende pouco.
- Eu vou ter você lá e isso já me basta... - ela falou chorosa.
- Eu não vou conseguir passar muito tempo com você, eu preciso me dedicar aos negócios se eu quiser prosperar e isso significa muito tempo trabalhando e pouco tempo para amar você e te tratar do jeito que você merece.
- Por favor, não me deixe aqui, Christian... Por favor... - Estela implorou com lágrimas nos olhos. - O casamento vai acontecer amanhã se você não me levar...
- Eu sei que você vai dar um jeito de não se casar e me esperar, eu sei disso. - ele segurou o rosto dela. - Eu sempre vou te amar, Estela, você sempre será única. - Christian beijou docemente os lábios da amada. - Me espere, eu vou voltar por você, por nós e quando eu voltar vou poder te dar uma vida rainha.
- Não me deixe, por favor... - o rosto de Estela já estava molhado em lágrimas. - Christian, não... - ela pediu segurando a mão dele enquanto ele se afastava.
Christian conseguiu se soltar dela e caminhou até o táxi que o estava esperando, ele parou na porta e antes de entrar a olhou sentada no chão chorando. Era difícil deixa-la, mas a vontade dele de crescer e se tornar alguém no mundo falou mais alto, ele deixou se guiar pela ambição.
Estela abaixou a cabeça chorando, completamente frustrada e destruída por dentro, se lembrou das palavras de sua mãe e se sentiu ainda mais no fundo do poço. Tentar voltar para a família era a única opção que lhe restava. Ela voltou se arrastando para casa, humilhada, desiludida e sem chão. Viu a luz do canto da sala acesa e soube que sua mãe estava ali, rezando. Estela deu duas batidas devagar à porta para que somente sua mãe ouvisse e assim que a porta se abriu, ela caiu aos pés de Ciça implorando para aceita-lá de volta.