Bernardo não precisou explicar nada ao piloto do jato. Ao que parecia, Max já tinha cuidado de tudo, então, assim que ele entrou, o jato decolou rapidamente. Por sorte, eles estavam no mesmo país, então seriam apenas algumas horas de voo até que ele chegasse ao seu destino. Só esperava que seu chefe não o matasse por acordá-lo no meio da noite.
Apenas em pensar em Iara ser entregue a outro homem fazia o corpo de Bernardo se arrepiar e o desejo de sangue subir por suas veias. Não importava o que Kenai dissesse, ele não desistiria de Iara, nunca.
O amor, aos olhos dele, era algo curioso. Tinha fugido daquilo por toda a sua vida, imaginando que só viveria em uma constante prisão, mas, à medida que o tempo passava, ele se via ansiando por aquilo que todos à sua volta estavam conquistando. O problema não era formar uma família, nunca tinha sido, mas sim encontrar alguém que o fizesse querer sair da sua vida de farra.
Aquela pessoa que ele tinha esperado por tanto tempo era Iara. Seu coração sabia disso bem antes de sua mente. Ela era doce e gentil e, ao mesmo tempo, selvagem. Um dia, ele a tinha visto abatendo uma galinha no quintal e, por incrível que pareça, a cena o tinha deixado e******o apenas por assistir. Aquelas mãos pequenas cobertas de sangue enquanto seguravam uma faca. Para os outros, ele poderia estar ficando louco, mas, para ele, não era isso. Aquilo mostrava que ela tinha seu lado mais afiado, assim como ele.
A máfia de Max, por muito tempo, tinha se tornado seu paradeiro preferido. Ele fazia de tudo para ir até lá, apenas para ter um pequeno vislumbre da bela índia de olhos castanhos que trabalhava na casa de Max. Os cabelos de Iara encantavam Bernardo: negros como a noite, compridos até abaixo da b***a, com um brilho que, em sua visão, nem mesmo a mais brilhante das estrelas poderia se comparar.
Ele estava ficando louco. Louco por não estar perto dela, louco por não poder beijar aqueles lábios pequenos como queria, e pensar que outra pessoa pudesse fazer isso o deixava furioso. Não, ele não poderia esperar. Seu chefe teria que perdoá-lo daquela vez.
O voo tinha sido cansativo e estressante aos olhos de Bernardo e, enquanto entrava na casa como se o mundo estivesse pegando fogo, seu coração disparava. Sem cerimônia, ele bateu na porta do quarto de Aurélio com força.
— Dom! — disse, batendo na porta. — Preciso falar com você!
Bernardo batia na porta sem se preocupar com o barulho que estava causando.
— O que houve? — perguntou Nerone, saindo do quarto sem camisa.
— Tem crianças por aqui, garoto. — disse ele, olhando para Nerone com a sobrancelha arqueada.
— Não vou responder a isso. — disse ele, desviando o olhar. — Me diga o que houve. Sabe que o irmão não gosta que o perturbem a essa hora.
Aurélio já tinha deixado claro que, a menos que fosse urgente e não pudesse esperar, ele atiraria em qualquer um que o perturbasse às altas horas da madrugada.
— É urgente. — disse antes de voltar a bater na porta.
Nerone apenas observou com um sorriso de canto. Ele sabia bem o que viria, e não demorou.
— O QUE É, p***a?! — disse Aurélio, abrindo a porta com a arma em punho, os olhos sombrios enquanto procurava quem o tinha irritado.
— Desculpe, Dom, mas...
— BERNARDO! — gritou ele, furioso. — Juro que vou te dar um tiro!
Nerone via o pobre homem se encolher ao notar o olhar irritado do chefe.
— Preciso falar com o senhor e não posso esperar. — disse ele sério, encarando-o.
— Eu espero que o mundo esteja pegando fogo para você me incomodar, Bernardo. Você sabe que eu odeio quando me perturbam. — disse ele com a voz mais baixa, enquanto fechava a porta e se afastava um pouco.
— Eu sei, mas realmente é importante. — disse Bernardo, mais tranquilo agora que seu chefe estava disposto a ouvi-lo.
— Por que está sem camisa aqui, garoto? Temos crianças em casa. — disse Aurélio, olhando para o irmão com a sobrancelha arqueada.
— Não vou responder isso. — disse ele.
— Acho bom você manter certas áreas do corpo longe de Amália. A Fênix pode não ter regras rígidas, mas nós temos. — disse ele.
— Não estou fazendo nada de errado, você que não entendeu. — disse ele, corando.
Aurélio se segurava para não rir da cara do irmão. Aquilo era bem mais divertido do que ele imaginava.
— Me diga o que houve, Bernardo. — pediu Aurélio.
Bernardo puxou uma grande lufada de ar antes de começar.
— Eu quero que você fale com o Kenai para mim. Quero me casar com a Iara. — disse de uma vez só, mas seu espírito não estava pronto para o que viria a seguir.
Primeiro, os olhos de Aurélio se arregalaram. Depois, ele caiu na risada enquanto segurava a barriga.
— Isso não tem graça, Dom. — disse Bernardo, sentindo suas bochechas esquentarem. Ele era um homem feito, não poderia estar corando por aquilo.
— Que barulho é esse? Vão acordar as crianças. — disse Oksana, saindo do quarto vestindo uma camisa de Aurélio.
— Você precisa ouvir isso, loira. — disse Aurélio, recuperando o fôlego de tanto rir.
— O que houve? — perguntou ela.
— Diga a ela, Bernardo. — pediu Aurélio.
— Preciso que o Dom venha comigo conversar com o Kenai. Quero me casar com a Iara.
Oksana olhou firmemente para o rosto de Bernardo antes de começar a rir.
— Hahahaha! — disse ela, rindo tanto que precisou se apoiar em Aurélio. — Ele vai te matar!
— Eu pensei o mesmo! — disse Aurélio, voltando a rir. — Ele vai fazer escalpe em você com uma machadinha!
Bernardo ficou ali, parado e corado no corredor, enquanto o seu Dom ria da sua miséria de forma descontrolada. Bernardo se virou para Nerone com a sobrancelha arqueada.
— Não vai rir de mim também? — perguntou.
Nerone bufou, revirando os olhos.
— Tenho uma imagem a zelar. — disse sem nenhuma expressão, retirando-se. No momento em que a porta de Nerone fechou, ele se escorou nela e começou a rir.