Capítulo 102

1844 Words

Renato narrando O apartamento parecia um pesadelo acordado. Luzes piscando, gente entrando e saindo, sirenes que vinham da rua e ecoavam pelo corredor. O cheiro de álcool, de ferrugem, de morte, de fim. O som dos rádios chiando, das ordens sendo dadas, das vozes graves e frias dos investigadores. Tudo parecia distante, como se eu estivesse trancado dentro da minha própria cabeça — vendo, ouvindo, mas incapaz de reagir. Tinha polícia por todos os lados. O corredor estreito estava tomado de uniformes, coletes, luvas, flashes das câmeras da perícia. Cada clique do obturador me atravessava como se fosse um tiro. E lá dentro, no quarto onde tudo aconteceu, os peritos trabalhavam em silêncio, num cuidado quase cirúrgico. Eu não conseguia olhar diretamente. O que eu tinha visto uma vez já era

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