A festa

803 Words
Giana mais uma vez estava na janela, escondida atrás da cortina, porque estava apenas com um calção. Abaula havia levado o calção para ela, porque não conseguia usar vestidos, as costas estavam sensíveis.. . Cada pedaço do corpo doía por causa da sur.ra que o pai lhe deu, tudo, porque Décimus a entregou, mas também sabia, que o seu pai era rui.im e não amava, não podia colocar toda a culpa em Décimus, mas esta magoada com ele.. Ela sabia que tinha sido estúpi.da em fugir, claro que sabia. Sabia que aquele barco não chegaria longe, agora entendia isso. Mas Décimus não precisava tê-la entregado. Não precisava ter contado ao pai. Para quê? Só para ela apanhar daquele jeito? Encostou a testa na parede e deixou as lágrimas caírem em silêncio. Tentou se levantar e caminhar Como Abaula sugeriu, mas as co.xas doíam. Sentou de novo. Em pé, o pé doía, porque estavam feridos da fivela do cinto. Deitada, as costas queimavam. Não havia posição sem dor. Estava quase começando a tremer quando Abaula entrou — Consegui um remédio… O último comprimido para dor havia acabado, por isso estava sofrendo tanto.. — Onde arrumou? — Giana perguntou, temeu que Abaula tivesse roubado das coisas do pai e não queria que a amiga fosse punida, não queria. — Decimus me deu. Ele tem no quarto dele. Giana fechou os olhos. — Não quero, Abaula… não quero nada dele. — Tem que beber, ou vai doer mais.. Não é hora de ficar com orgulho. Precisa do remédio. Giana pegou a cartela com mãos trêmulas, tirou um comprimido e engoliu com dificuldade, não sabia, porque, mas sempre teve dificuldade em engolir medicamentos assim.. parecia que a sua garganta era menor.. — Deite e descanse. Eu trago o seu jantar. — Está chegando gente, Abaula? — Está, Giana. Dois helicópteros pousaram e um navio também chegou. Mas, pelo amor de Deus, não saia do quarto. Tem muitos homens e prosti.tutas. — Vai ter barulho… e luta? — Não acho que hoje tenha luta. Escutei que estão poupando os gladiadores para o grande torneio. Disseram que vem um convidado muito especial, que quer conhecer a ilha… os gladiadores… e você também. Giana soltou um riso fraco. — Deve ser um louco igual ao meu pai… — Não sofra antes do tempo. Eu vou lá fora ajudar na cozinha. Volto mais tarde. Abaula saiu. Giana voltou para a cama. O remédio começou a fazer efeito. Conseguiu se deitar com menos dor. Não tinha dormido quase nada na última noite. Ficou acordada por alguns minutos, ouvindo o som distante da movimentação, e então o sono veio, pesado. 🏛️🏛️🏛️🏛️ Lá fora, na ilha, ao menos trinta pessoas de fora estavam presentes na festa. Os gladiadores caminhavam apenas de bermuda, sendo exibidos como atração pelo tamanho, postura e força. Aproveitavam para comer bem, porque nas festas a comida era livre, e sabiam que depois o controle voltaria. Atílio era um dos que circulavam entre os convidados. Mas Decimus não estava. Ele permanecia em seu quarto, sentado na beira da cama, em silêncio.Sabia que Cômodo mandaria chamá-lo. Sempre mandava. Gostava de exibi-lo, de apresentá-lo como troféu vivo. Aquilo dava nojo em Decimus, mas ele não podia fazer nada. Se quisesse, já poderia ter ido embora. Poderia ter se escondido em um navio, subornado alguém com as joias que havia guardado. Mas o mundo lá fora não o atraía. Não tinha nada para ele. Havia perdido tudo. O que faria lá fora? Ali ao menos tinha um lugar, uma função. E tinha Giana. Ela mexia com algo dentro dele, fazia o seu peito vibrar, parecia que perto de Giana, era gente novamente, não o monstro de Cômodo. Respirou fundo e se deitou. Assim que fechou os olhos, bateram na porta. — O senhor Cômodo mandou que vá para fora. Algumas mulheres querem conhecer você. Devia aproveitar, Decimus. A gente fica muito tempo sem s.exo, sem se divertir, e você diz não para as madames que querem se deitar com você. Decimus nem respondeu. Nunca respondia aquele tipo de comentário. Não queria se deitar com madame nenhuma que o visse como mercadoria. Vestiu uma camiseta e saiu. Havia mulheres de biquíni, outras de vestido social, homens elegantes, risos altos. Um grupo sorriu quando Cômodo anunciou: — Esse é o meu gladiador, Decimus. O melhor, o melhor de todos eles.. Colocaram um copo de bebida na mão dele. Decimus ergueu o copo, mas apenas fingiu beber. Descobriu há muito tempo que Cômodo colocava estimulantes nas bebidas dos gladiadores, ativadores que os deixavam mais dispostos, mais excit.ados e colaborando com às vontades dos convidados. Assim, não diziam não às mulheres… nem aos homens. Quando ninguém percebeu, ele jogou a bebida fora.E ficou ali, parado, sendo observado como um animal raro.Mas por dentro, ele sentia raiva de todos.
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