Cômodo não nasceu milionário, mas parecia já ter nascido c***l…E cresceu observando homens perderem tudo por dinheiro, por orgulho, por necessidade. O nome verdadeiro dele quase ninguém sabia. Cômodo foi um nome escolhido, adotado, inspirado no antigo imperador romano que descia à arena para lutar como gladiador. Ele gostava da ironia. Não porque queria lutar, mas porque amava o espetáculo.
Aquele homem cresceu cercado por apostas clandestinas. O pai era investidor em negócios obscuros, envolvido com cassinos ilegais e eventos subterrâneos. Ainda adolescente, Cômodo assistia a homens se destruírem por dinheiro enquanto os ricos vibravam nas sombras. Ali ele aprendeu algo que nenhum curso ensinava: as pessoas faziam tudo por dinheiro, tudo.
Estudou economia, mercado financeiro, criptografia. Não porque queria ser correto, mas porque queria ser intocável. E logo descobriu que os ricos estavam entediados. Cassinos já não impressionavam, corridas de cavalos eram previsíveis. Lutas televisionadas eram coreografadas demais. Faltava sangue real. Faltava medo verdadeiro, foi então que a ideia surgiu, um lugar onde a lei não a chegava, onde o tédio não tinha vez.
Foi então que encontrou a ilha.
Era uma antiga base militar abandonada, isolada no mar, com túneis subterrâneos e acesso difícil. Satélites comuns não registravam movimentação constante ali. Comprou a propriedade através de três empresas fantasmas e começou a reformar tudo longe dos olhos públicos. A arena foi construída com arquibancadas de luxo, suítes para convidados. Centro médico completo — não por compaixão, mas porque um gladiador morto cedo demais não gera lucro.
Ele não recrutava qualquer homem. Escolhia ex-militares descartados pelo sistema, lutadores falidos, criminosos endividados, homens que já não tinham mais nada a perder, prisioneiros vendidos, e Décimus era o melhor deles. O que acontecia na arena ficava na arena. E a regra maior era simples: quem não aguenta, cai e na maioria das vezes morria.
O diferencial do negócio estava na exclusividade. Para assistir às lutas, era preciso ser convidado. Acesso anual milionário. Taxa de presença. Valor mínimo obrigatório de apostas. Termo de confidencialidade vitalício. Ele não vendia ingresso. Vendia pertencimento a um mundo proibido.
Políticos, empresários, chefes de organizações, investidores internacionais. Todos queriam ver o que era proibido. Todos queriam apostar em algo que parecia antigo e primitivo. Cômodo entendeu que violência "controlada" era entretenimento de luxo.
Criou também transmissões criptografadas para clientes que não podiam estar presentes fisicamente. Treinamentos exclusivos para segurança privada, cada homem da arena podia se tornar produto.
Foi assim que ficou milionário. Não apenas pelo dinheiro das apostas, mas pelo controle. Porque cada convidado que pisava na ilha revelava algo, preferências., medos, segredos. Tudo era observado, gravado, catalogado.
Quem chegasse à ilha sem convite não voltava. E algumas pessoas realmente desapareceram. Um jornalista curioso, um ex-funcionário ressentido, um investidor que tentou romper contrato. Nunca houve prova. Porque Cômodo nunca sujava as mãos. Ele tinha aliados, políticos grande e homens que executavam.
O poder dele era forte.
Antes da ilha, ele era apenas um homem inteligente cercado por apostas ilegais. Depois da ilha, tornou-se dono de um império sangrento. Um homem que transformou o instinto primitivo humano em mercado de elite.
Cômodo caminhava pelo pátio interno quando Décimus passou a andar ao lado dele, em silêncio. Um dos seguranças fez menção de acompanhar, mas Cômodo ergueu a mão, sinalizando que não era necessário. Ele temia outros gladiadores, mas não Decimus. Decimus era o melhor tratado, o seu “garoto dos olhos”, aquele que lhe rendia dinheiro e respeito.
— Diga, Decimus — falou Cômodo, sem parar de andar.
— A sua filha, senhor…
Cômodo virou o rosto devagar.
— O que tem Giana, Decimus?
Ele respirou fundo antes de responder.
— Pensei em não dizer para não causar desgosto, mas achei melhor contar. Uma hora ela poderia conseguir… Ela tentou sair da ilha. Foi usar aquele barco furado que uso nos treinamentos, se afogou e eu a tirei de dentro da água.
Cômodo parou de andar.
— Aquela idi.ota achou que sairia daqui naquele barco?
Aquilo era quase uma canoa… pequeno e furado.
Decimus sentiu vontade de m***r Cômodo naquele instante. Não porque fosse justo, mas porque simplesmente não gostava dele. Nunca gostou de muitos ali.
— Tentou. E pode ser que alguém um dia a ajude. Eu não iria dizer, mas acho melhor ficar de olho nela.
Cômodo sorriu de lado.
— Vou ficar. Eu devia ter afogado ela quando nasceu, como afoguei a mãe dela depois do parto. Assim não teria me dado trabalho agora. Menina problemática…
Décimus apenas fez um leve aceno e seguiu caminhando. Sabia que Cômodo não mataria Giana. Ele nunca se livrava de algo importante. Ela podia ser vendida, usada, oferecida como prêmio. Era útil, então ficaria segura por um tempo.
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Giana estava deitada quando o pai entrou no quarto. A porta bateu com força.Ela nem teve tempo de reagir. Foi agarrada pelos cabelos e puxada para fora da cama.
— Não faça isso!
— Estava fugindo? Tentando fugir, sua i****a?
Ele rasgou o vestido dela. Por um momento, Giana pensou que seria abusa.da. Tinha medo do pai. Não sabia muito sobre se.xo, foi criada isolada, mas sabia o básico, sabia o suficiente para temer.
Mas Cômodo não fez isso.
Ele tirou o cinto.
O primeiro golpe veio rápido. A dor rasgou a pele. Ela mordeu os lábios para não gritar, mas as lágrimas vieram. Outro golpe e outro. A cinta desceu sobre as suas costas e braços, a pele abriu em rasgos.
Ela desmaiou.
Quando acordou, uma funcionária estava ao lado da cama.
— Venha, senhorita — disse a mulher com voz baixa.
Era Abaula.
— Não… meu corpo dói…
— Venha. Eu enchi a banheira de madeira com água morna e medicamento. Vou cuidar da senhora.
Giana começou a chorar enquanto era ajudada até o banho.
— O que houve?
— Decimus me entregou, Abaula. Ele me entregou. Ele não precisava me entregar. Ele podia se defender, porque é o melhor gladiador do meu pai. Mas me entregou sabendo que eu apanharia.
Ela entrou na água e o ardor fez o seu corpo estremecer.
— Aí, Abaula… está doendo…arde tudo..
— Eu sei, mas se não limpar, vai infeccionar e ficar marcado.
— Não me importo de ficar marcada… não me importo… eu quero morrer.
— Não diga isso. Um dia isso tudo acaba.
— Não vai acabar. Vou acabar como prêmio de arena. Acho que prefiro me afogar no mar.
Enquanto isso, Cômodo estava no escritório quando um gladiador entrou acompanhado de um segurança.
— Diga, Atílio.
Cômodo sabia o nome de todos, como se fossem objetos catalogados.
— Eu queria provar a minha lealdade, senhor.
— Prove.
— Decimus anda conversando com a sua filha. Eu os vi na praia. Ou melhor, ele a tirando da água, acho que os dois estavam juntos no mar. Ficaram um tempo na praia, depois ela correu para dentro.
Cômodo olhou fixamente para Atílio.
— Veio falar m.al de Décimus?
— Não, senhor. Venho dizer o que vi.
Cômodo cruzou as mãos.
— Eu sei, Atílio. E pela sua insubordinação, a sua comida será diminuída em cinquenta por cento. Saia.
Atílio saiu, passou por Decimus no pátio e o olhou com ódio.. o Gladiador soube que quase foi pego. Não teve escolha. Teve de entregar Giana, ou cairia no conceito de Cômodo e das apostas, e ela correria ainda mais perigo.
Ele sabia que, naquele jogo, qualquer passo em falso poderia matá-los.