Lorena Depois da cobra, a casa nunca mais foi a mesma.Não tinha mais silêncio tranquilo. Tinha silêncio de alerta. Mesmo depois que lavaram o chão, jogaram água sanitária, incenso, sal grosso e fecharam todas as portas, eu ainda sentia como se algo tivesse ficado ali. Não era medo comum. Era uma sensação de invasão. Como se alguém tivesse atravessado uma linha invisível e tocado no que era sagrado. Eu tentei disfarçar. Fiz a janta. Arrumei a mesa. Ri quando precisava rir. Mas por dentro, minha cabeça não parava. Toda vez que eu olhava pra porta, meu coração acelerava. Qualquer barulho diferente me fazia pular. O tilintar de uma panela, o estalo da madeira, o vento batendo na janela… tudo parecia aviso. Arcanjo percebeu. Ele sempre percebe. — Você não tá comendo direito — ele falou,

