Lorena Depois do almoço absurdo de bom que a madrinha fez, Arcanjo me puxou pela mão até o quarto. Minhas cólicas tinham voltado, não tão violentas quanto pela manhã, mas insistentes, como um lembrete silencioso de que meu corpo também estava cansado de guerra. Deitamos lado a lado, o quarto quieto demais para quem vivia cercado de barulho e ameaça. Arcanjo quebrou o silêncio abrindo uma barra de chocolate Milka — meu favorito — e partiu ao meio, me entregando um pedaço como se fosse um ritual nosso. Fiquei observando o jeito concentrado dele, os pensamentos sempre girando, mesmo quando o mundo parecia em pausa. Foi ali, naquele instante raro de normalidade, que a ideia me atravessou. — Amor… — chamei baixo, virando de lado pra encarar o rosto dele. — E se a gente mudasse um pouco a ro

