Lorena Três dias sem distinguir manhã, tarde ou noite. No posto, o tempo não passava — arrastava-se como correntes pesadas. Lorena não saiu nem para respirar direito. A cadeira dura já marcava suas costas, as pernas formigavam, mas ela permanecia ali, teimosa, imóvel, com os olhos fixos na porta que dava acesso à UTI. Ela conhecia a regra: acesso restrito. Apenas médicos e enfermeiros podiam entrar. Ela não podia, doía, mas aceitava — desde que ele estivesse ali, lutando. Qualquer passo longe dali parecia abandono, e ela se recusava a abandonar quem já a tinha tirado da morte. Dona Rosa insistiu: — Filha, vai em casa, toma um banho direito, dorme numa cama… você vai cair dura no chão. Lorena negou com a cabeça: — Eu não vou sair daqui. Se ele acordar e eu não estiver… eu nunca vou me

