Camila Eu cheguei ao hospital quando já passava das dez da noite. O corredor estava quase vazio — luz branca demais para quem ainda sangrava por dentro. Caminhou devagar até o quarto, sentindo um aperto no peito que ela mesma não soube explicar. Lorena estava acordada, sentada na cama, o olhar perdido pela janela. Quando a viu, tentou sorrir, mas falhou. — Vim ficar contigo — disse Camila em voz baixa. — Amanhã você sai daqui. Eu não ia te deixar sozinha hoje. Lorena respirou fundo antes de responder. — Obrigada… de verdade. Eu puxou a cadeira e se sentou ao lado da cama. Permaneceram alguns segundos em silêncio — um silêncio pesado, cheio de coisas não ditas e de tudo aquilo que machucava, mas não encontrava palavras. — Você está diferente — Camila falou, por fim. — E não é só os m

