POV Adrián O meu casaco estava pendurado no cabideiro perto da entrada principal. Peguei-o com uma mão, sem sequer vesti-lo, e dirijo-me para a porta com passos longos e silenciosos. A necessidade de escapar dessas paredes, desse ar carregado de desejos que me enlouqueciam, era física, urgente. — Escapando como um adolescente após uma travessura noturna?... A voz, serena e cortante como cristal, gelou-me no ato. Parei bruscamente, os meus dedos já roçando a maçaneta da porta principal. Girei a cabeça lentamente. Ali, na penumbra da sala, sentado na poltrona de couro como um rei no seu trono, estava meu pai. Não tinha a luz de leitura acesa ao lado dele. Ele só estava lá, envolto na escuridão, como se estivesse esperando. Como se soubesse tudo. O meu coração galopou contra as costelas

