Capítulo 1
Gabriele narrando...
Vocês sabem a minha história, um pouco dela pelo menos, mas isso é detalhes, nem eu que sou dona da minha vida sei de tudo, quem dirá vocês...
Bom, vamos lá! Eu perdi meu pai quando eu tinha 13 anos e nesse dia minha mãe me falou que o assassino ia pagar por tudo que ele fez para nós e principalmente por ter tirado meu pai da gente e eu iria ajudar ela em tudo, no início não entendi, mas quando fiquei mais velha passei a entender...
Minha mãe quase surtou quando eu disse que queria ser policial, ela tentou tirar a todo custo essa ideia da minha cabeça, disse que isso iria acabar com os planos dela...
Mas desde o dia que eu presenciei um assalto eu me apaixonei ainda mais pela profissão.
Lembrança on...
Eu tinha 16 anos, estava indo encontrar uns amigos na praça, quando passei em frente ao banco e um cara de capuz esbarrou em mim, quando eu olhei pro mesmo ele me fitou dos pés as cabeças, só conseguia ver seus olhos meio esverdeado, assim que notei que ele estava armado eu engoli em seco, mas sabe aquele olhar que te arrepia dos pés a cabeça, foi assim que me senti sobre o olhar dele. Me afastei de imediato e uma voz grossa soou dizendo "Bora moleque, daqui apouco eles chegam." ele saiu correndo e depois dele mais alguns caras, e eu saí correndo pra praça, logo escutei os tiros, já que a praça era ali perto, vejo uma moto a milhão e quando vejo e o mesmo cara que eu me esbarrei, a polícia atira nele e ele contra a polícia. Cheguei em casa e falei pra minha mãe...
Tamires: Você endoidou, só pode... você não pode ser da policia, iria acabar com meus planos.
Gabriele: Que planos mãe? — ela manda eu sentar e assim eu faço.
Tamires: O filho de um inimigo nosso matou seu pai, Barão e o vulgo dele, ele é da Pedreira, seu pai e o pai dele tinham uma rixa, e ele o matou. — eu engulo seco. — lembra quando falei que você ia me ajudar na vingança? era disso que eu estava falando, vamos acabar com eles juntas, mas precisamos esperar.
Gabriele: Eu não vou abrir mão de ser da polícia, a gente não associa os nomes é simples, e pode contar comigo pra acabar com ele.
Tamires: Obrigada minha filha. — eu sorrio e vou pra abraçar a mesma, mas ela se afasta e eu só abaixo a cabeça e subo pro meu quarto.
Lembrança off...
Então, se passou 8 anos depois disso, atualmente estou com 24 anos, conquistei meu sonho de ser policial mesmo a contra gosto da minha mãe, eu pesquisei tudo sobre o Morro da Pedreira e sobre o atual dono que é o tal Barão, mas não tem nada dele em lugar nenhum, nem a p***a de uma foto.
Depois de um dia de correria chego em casa e minha mãe está sentada no sofá, ela me olha dos pés a cabeça e se levanta.
Tamires: Chegou o momento. — olho pra mesma e arqueiro a sobrancelha. — esqueceu da vingança já? — ela fala grossa.
Gabriele: Lógico que não, tô contigo até o fim nessa, só que hoje o dia foi de pura correria que não associei uma coisa na outra. — ela confirma. — qual o plano?
Tamires: Você vai se infiltrar no morro da Pedreira. — olho pra mesma com os olhos arregalados. — não seja covarde, não pode desistir, é pelo seu pai.
Gabriele: Eu sei mãe, e eu não vou dar pra trás, só fiquei um pouco surpresa, nunca falamos sobre o plano...
Tamires: Você vai se infiltrar lá, vai descobrir tudo sobre o Barão e o pessoal dele, quero que fiquei de olho em uma menina também, o nome dela é Yasmin. — ela me mostra a foto de uma morena linda.
Gabriele: Ok, mas por que?
Tamires: Sem perguntas e deixa que eu entro em contato contigo ok?
Gabriele: Ok, e quando eu vou pra lá?
Tamires: Esse final de semana, vai ter baile, melhor hora impossível, carne nova vão fica louco.
Gabriele: Vou ir arrumar minhas coisas. — ela confirma e eu subo pro meu quarto. Arrumo minhas malas e tomo um banho, me jogo na cama e entro no Twitter vendo umas fotos do morro da Pedreira, é lindo, mas imagino como seja por trás das câmeras, esses donos de morro não tão nem aí pra nada, só querem fuder a vida das pessoas e usar droga e comer p**a.
Sábado...
Hoje levantei cedo, peguei minhas coisas e desci dando de cara com minha mãe a minha espera já...
Tamires: Não esquece de observar tudo e não seja burra demonstrando quem você é, outra coisa, só eu te ligo, você não me liga, lembra que você tá indo lá pra uma vingança e não pra se divertir. Se te perguntarem você ficou desempregada e procurou uma casa pra alugar em um valor acessível.
Gabriele: Ok mãe, pode deixar.
Tamires: Pode ir, tchau. — dou tchau pra mesma e desço pra garagem, entro no meu carro e fico me perguntando porq minha mãe é assim tão fria comigo. Eu tenho dois carros, tenho um Corolla e um HB20, pego o HB20 que é menos chamativo e vou em direção ao morro. Assim que chego os cara da entrada fazem sinal pra baixar o vidro e assim eu faço. Um moleque se aproxima, ele deve ter uns 15/16 anos.
Vapor: Qual foi dona?
Gabriele: Tudo bem? Então eu sou moradora nova, aluguei uma casa aqui que o preço estava em conta. — ele concorda e pega o radinho...
Vapor: Tá liberada mina, chefe passou a visão que depois manda o Loirinho ou o Guinho ir te explicar como funciona as coisas aqui. — quando eu ia abrir a boca ele me interrompe. — se importa de eu entrar? E pra mim te levar na casa.
Gabriele: Pode entrar.
Ele sobe no carona e vamos subindo o morro eu observo todos contentes e as crianças brincando e sorrindo, tudo bem jeitoso, não vi ninguém atirado nem nada do tipo. Observo cada cantinho que passo e nada.
Vapor: Legal aqui né...
Gabriele: Sim, quantos anos você tem?
Vapor: 17 por?
Gabriele: Porq se envolveu no crime?
Vapor: interrogatório? É verme? — ele fala rindo e eu fico meio desconfortável.
Gabriele: Desculpa, não quis ser invasiva.
Vapor: Eu me envolvi por que a gente não tem muitas oportunidades, eu terminei meus estudos e ia fazer faculdade, mas não era o que queria, não conseguia com o Bullying que sofria por ser favelado, isso que eu tenho mó cara de mauricinho. — eu sorrio pois é verdade, ele é alemãozinho todo cheio de marra, parece playboy. — qual teu nome?
Gabriele: Gabriele, e o seu?
Vapor: Foi m*l Gabi, mas não trabalho com nome, sou o Gnomo. — ele estica a mão e eu aperto a mesma e ele sorri e pisca pra mim. — Chegamos. — eu paro e olho a casa e ela é um amor e o aluguel tá até barato pela casa que é... Descemos e eu entro ele me ajuda com as malas.
Gabriele: Me leva pra conhecer o morro?
Gnomo: Claro. — organizo por cima e saio com ele, vamos andando pelo morro e noto vários olhares em nós. — dá bola não, carne nova no pedaço e eles fica assim mermo. — sorrio ao lembrar do que minha mãe falou. Estamos passando em frente a um campinho e um garotinho vem correndo em nossa direção.
Garotinho: Tio, tio, tio... — ele se joga no colo do Gnomo.
Gnomo: Eai menor, tranquilo? — eles fazem toque, o garotinho é coisa mais linda.
Garotinho: Suave tio, quem é ela?
Gabriele: sou amiga do seu tio, Gabriele, prazer príncipe.
Garotinho: Prazer é só na cama tia. — arregalo os olhos e o Gnomo também e cai na risada. — meu nome e Miguel.
Gnomo: Não pode falar essas coisas eu já te falei né. — ele confirma meio xoxo. — tá sozinho aqui? teu pai endoidou foi?
Miguel: Não, a tia tá ali na banca. — ele aponta e vejo uma loira vindo em nossa direção com um fuzil atravessado, ela tá com salgadinho e refri nas mãos.
Loira: Toma amor. — ela alcança as coisas pro Miguel.
Miguel: Obrigada tia, essa é a Gabi, Gabi essa e minha tia Barbie.
Gabriele: Satisfação.
Miguel: Agora sim tia. — eu não me aguento e do risada junto do Gnomo.
Barbie: Satisfação, bora lá jogar que daqui apouco temos que voltar pra casa.
Miguel: Tá bom, tchau tio, tchau tia. — ele me da um beijo na bochecha e sai com a tia dele, eu e Gnomo continuamos caminhando pelo morro, ele me mostra tudo eu não posso mentir, fiquei muito encantada pelo lugar.
Chegamos na minha casa e eu sorrio pro mesmo.
Gabriele: Muito obrigada, de verdade.
Gnomo: Que isso, precisar tamo aí, vai ter baile hoje, bora?
Gabriele: Não conheço ninguém e não quero ir e ficar sozinha.
Gnomo: Vai tá comigo pô.
Gabriele: Então eu vou.
Gnomo: As 22h te busco. — eu concordo e me despeço dele. Entro pensando que tá tudo fluindo como planejado, preciso saber mais deles e do pessoal, Gnomo é um garoto bom, mas escolheu o lado errado da vida. Me jogo na cama e durmo, acordo 20h tomo um banho, faço janta, depois que termino de comer subo e escovo os dentes, me arrumo e vejo que é 22h, escuto uma buzina e desço, quando saio vejo o Gnomo em uma moto.
Gabriele: Cê não é de menor não? tá fazendo o que dirigindo moto garoto. — ele da risada.
Gnomo: Bora morena, sobe aí. — eu subo em sua garupa e ele sai cantando pneu, ele dirigi feito louco, mas confesso que amo essa adrenalina. Chegamos no local do baile e já estavam a todo vapor, subo pra onde eu imagino ser o camarote, quando coloco meus pés sinto todos olhares em mim, vejo a tal Yasmin com a Barbie e com uns caras, Gnomo me puxa pra perto deles.
Gnomo: Fala patrão. — faz toque com um cara que parece mais um Deus Grego, deduzo ser o Barão, já que ele o chamou de patrão e comprimenta o restante do pessoal. — Essa é a moradora nova, Gabriele.
Gabriele: Satisfação. — o carinha que parece um Deus Grego me olha e sorri de lado... Nossa senhora das calcinhas molhadas, que homem gostoso.