CAPITULO 2
Gabriela Rodrigues
Nem acredito que cheguei até aqui! Quem não me conhece não acreditaria se eu contasse uma parte que seja, da minha trajetória. Mas nunca deixei de acreditar que tudo que realmente queremos, conseguimos! Apenas precisamos estabelecer metas e prioridades, e dependendo das dificuldades que enfrentamos, os nossos sonhos podem atrasar, mas um dia chegaremos lá, e poderemos enfim respirar e dizer "eu consegui ".
Mas para um lutador, os seus sonhos nunca terminam, eles apenas se renovam, e hoje estou concluindo uma parte e começando a outra.
Nasci em Santa Maria do Oeste, região Norte do Paraná, uma cidade muito pequena, mas muito acolhedora, cresci a andar descalça na terra vermelha, terra linda que quando chovia o cheiro do barro era ainda melhor que a vista, um verde esplêndido, decorado com as mais maravilhosas plantações, onde eu adorava passear e colher os legumes e frutos, direto do pé, quem viveu isso sabe dizer que não precisa de mais nada.
Mas infelizmente a minha família não teve tanta sorte, pelo fato da nossa condição financeira ser muito baixa, passamos por muitos desafios e dificuldades que algumas vezes quase me fizeram desistir, mas deixava a fome de lado para poder pagar a passagem do ônibus para ir para a escola, mas eu não queria parar por aí, o meu sonho ainda era o mesmo, de um dia ser uma veterinária, para eu poder ajudar todos os animais que estiverem no meu alcance.
Escolhi essa faculdade pelo fato de que um dia precisei de um veterinário, e não consegui a tempo de salvar a nossa égua Baia, que adoeceu e não resistiu por falta de atendimento. Ela era minha paixão, aprendi a montar nela mesmo pequena, eu falava com ela e ela ouvia-me, o seu olhar não me dizia outra coisa, ela era branca e sempre bem penteada, mas foi infelizmente tirada de mim.
Os meus pais trabalhavam na roça, colhendo e plantando para o patrão, mas como somos cinco irmãos, não era fácil manter uma casa com tão pouco.
Quando comecei a faculdade, o meu irmão mais velho me ajudava com alguns custos, e eu sempre ajudei na roça para não faltar em casa, Lucas pagava o meu material, já que eu ganhei uma bolsa de estudos, e eu pagava as passagens, mas nem sempre o dinheiro dava. As vezes sentia-me egoísta, nenhum deles se formou e eu insisti em conseguir o meu diploma, mas minha mãe sempre dizia do orgulho de todos por mim.
— Este lugar é realmente lindo! Quantas luzes diferentes! — Diz a minha irmã Bia. Ela tem 19 anos, é bem agitada e sorridente, morena com olhos azuis, linda!
— Sim, Bia, mas ajuda-me a ficar de olho na Isa e no Braian, pois papai não está bem, e mamãe está ajudando ele no banheiro! -Digo olhando para os lados procurando Lucas.
— Tá bom, Lucas sumiu né? — Responde
Apenas assinto, pois já imaginava que ele iria aproveitar. Fiquei um pouco perdida no começo, agora estou mais acostumada, eu não tenho costume de ir a festas e bares, fui apenas uma vez, e tive que dar uns, tapas no i****a do Vitor, ele beijou-me sem permissão e levei um susto, bati nele até entender que comigo não se brinca, sou pequena, mas não sou burra não! Não vou deixar ninguém tirar farinha!
A formatura foi incrível, a minha família está muito feliz por mim, só estou preocupada com o meu pai que não passou bem hoje. Deci do palco e fui andando pelo corredor estreito na lateral, preciso encontrar com os meus irmãos, mas do nada sinto um impacto.
— Porque não olha por onde anda? — Pergunto para o rapaz parado na minha frente, que mais parecia um armário, bem mais alto que eu, loiro com olhos azuis, muito bonito, "bonito e descuidado" penso.
Ele examina-me de cima a baixo, parece aqueles exames de raio-X. Coloca as duas mãos na parede do corredor o fechando, com um sorriso debochado e um olhar predador.
— Calma gatinha! Porque tanta pressa? Porquê não tomamos um ar lá fora e esquecemos o incidente em? — Diz sem tirar os olhos de mim.
— Nunca! Eu nem te conheço! Deixe-me passar que tenho pressa sim! — Digo já estressada.
— Você é linda sabia? Ruiva de olhos verdes penetrantes! Prazer, sou Caio! — Me estende a mão esperando um cumprimento.
— Gabriela! Digo a corar e estendendo a mão. — Mas realmente preciso ir, sinto muito!
Falei e já fui saindo, deixando ele sozinho com cara de poucos amigos. Sorri de lado, dando um thauzinho com as mãos, nunca o vi por aqui, deve ser de fora. A festa foi animada, dancei com os meus irmãos, tinha muita comida boa, e bebida também, mas eu não tenho costume de beber, então evitei para cuidar dos meus irmãos. Isa está numa fase que temos que ficar de olho, eu com 14 anos era bem diferente dela, ainda brincava com as minhas bonecas, mas Isa, digamos que tem muita curiosidade.
Pegamos o ônibus e fomos para casa, que era um tanto longe do local. Percebi que o meu pai continuava a passar m*l, não dormiu nada a noite.
— Bom dia! - Minha mãe diz quando me sento.
— Bom dia! O papai está melhor? Oque ele tem?
— Está sim, deve ser algo que ele comeu e fez m*l. - Minha mãe explica.
— Tomara mãe! Agora que me formei vou trabalhar na minha área e vou começar a ganhar bem, vou deixar vocês descansarem um pouco. — Digo
— Que bom minha filha! Estou muito feliz por você! O seu Luiz falou que já pode começar a cuidar dos animais aqui da fazenda, ele pagará o mesmo que pagava para o antigo veterinário, mas dará prioridade a você que já é de casa! - Minha mãe diz com os olhos brilhando de alegria.
— Vocês não sabem da última! — Diz uma Bia extravagante e animada, quase correndo pela cozinha.
— Calma Bia! Respira e fala devagar! — Falo rindo da cara de espanto dela.
— Tem um fazendeiro novo na região! E contrataram-me para ajudar na limpeza da casa, disseram até que vão registrar a minha carteira e tudo! Eu tô que nem acredito! Não conheci o dono, parece que não chegou ainda de Nova York, mas o mordomo é muito gente boa! — Explica Bia muito feliz.
— Que bom minha filha! — Diz a minha mãe.
Fiquei muito feliz por minha irmã que não precisará mais ir à roça, e terá um salário agora. Vou organizar as minhas coisas e começar examinar o gado do patrão, ainda não foram vacinados, e preciso cuidar de tudo agora.