Capítulo 78 Henry Williams A noite descia lenta sobre os Alpes. Do alto da varanda do hotel, o horizonte se dissolvia entre neve e escuridão, como se o mundo inteiro fosse feito de gelo e silêncio. Apoiei o braço contra o batente da janela, cigarro aceso entre os dedos, assistindo as luzes da cidadezinha piscarem ao longe. O dia tinha sido longo, cheio de verdades duras e lágrimas. Charlotte ainda carregava nos olhos o peso do que ouviu sobre a irmã. Eu conhecia essa expressão — a mistura de dor e incredulidade. Mas também conhecia meu papel: era eu quem segurava as rédeas, quem decidia quando ela podia sangrar e quando ela precisava se recompor. Traguei fundo, o gosto amargo do cigarro me ajudando a segurar a fúria que ainda latejava em mim. Emma. James. Aquela combinação venenosa. Eu

