5 - Eduardo

1053 Words
Estou na porta do quarto, ouvindo papai chorar desde que chegou do hospital. Mamãe seguiu atrás dele, — Cuide da sua irmã — mamãe pediu antes de fechar a porta do quarto. Susie está brincando com suas bonecas, então corri para escutar a conversa deles, não me orgulho disso mas, eu precisava saber o que estava acontecendo. Desde que vim morar com meus pais, escuto Thiago falar sobre seus filhos e o quanto sentia falta deles. Que só não se inseria na vida deles de novo porque não queria mais forçar a barra. Eu os procurei nas redes sociais e encontrei, mas foi Amanda que me chamou minha atenção, a sua paixão por Yaoi, as séries asiáticas Bl, os animes. Os cosplay que fazia e postava no i********:, eu passei a segui-la e acompanhar sua vida através das redes sociais. Sempre estranhei o fato dela ter passado a atualizar vez ou outra apenas os stories e por não postar mais nenhuma foto sua. Agora escuto papai dizer coisas que não machucam somente ele. “ Leucemia, descobriu há dois anos e não me contaram” “Fase terminal, não reage mais ao tratamento” “Minha menininha, minha menininha” Antes que mamãe saia do quarto para pegar uma bebida forte para o pai, volto para o meu quarto. Nunca pensei que a minha sugestão de fazer uma visita surpresa fosse terminar dessa maneira. Primeiro Susie escapole de nós no portão e corre para dentro da casa, o seu grito pegou todo mundo de surpresa, todos corremos para vê o que estava acontecendo. Soraya abraçava Susie que estava choramingando algo e assim que a garotinha viu Henrique correu para ele, abraçando suas pernas longas. Soraya se aproximou dele e Sussurrou algo para ele. Depois, se voltou para as visitas surpresas, era nítido que foi um erro aparecer sem avisar. Mas eu fiz a cabecinha de Susie e ela fez a do papai, eu também colaborei. — Existe uma coisa chamada celular — a mulher falou crítica. — Eu sinto muito, mas o que aconteceu com a minha filha? — Mamãe perguntou, a conheço o suficiente para saber que ela estava louca para ir até Susie mas a minha irmãzinha estava agarrada a Henrique que percebi o receio em se aproximar do enteado, talvez ele não reagisse bem. — Querida — mamãe chamou Susie. — Quer me ajudar a preparar um café para as visitas? — Henrique perguntou a garotinha. Ela assentiu sem pestanejar. Assim que eles somem por uma porta que suponho ser a cozinha, meu pai se pronunciou. — O que a Amanda fez a ela? — ele estava muito chateado. — Nada, ela estava testando uma maquiagem artística e a Susie passou que nem o flash pela porta e se assustou. Agora Amanda está trancada no quarto tirando a maquiagem. — A mulher respondeu, muito irritada com a pergunta suposição errada do meu pai. Ele ficou nitidamente envergonhado. — Sinto muito, eu... Já faz tanto tempo e como minha menininha não abre uma brecha decidi criar uma, eu exagerei trazendo todo mundo, não foi? — Tudo bem, podem ser sentar. Olá Susan, como tem passado? — Nossa anfitriã Perguntou e mamãe corou. Meus pais nunca contaram a história sobre como se apaixonaram, nunca nos falaram se foi antes ou depois do divórcio do meu pai. Mas pela reação dos filhos e o desconforto entre as duas mulheres, já posso imaginar o que de fato aconteceu. — Você deve ser o Eduardo — a mulher me pega de surpresa. Não fazia ideia que ela sabia sobre minha existência. — Sinto muito por seus pais, teve muita sorte de ter Susan e Thiago como tios. Olho para meus pais e ambos sorriem diante da minha confusão. — Seu pai me contou sobre a adoção e eu fui uma das jornalistas que cobriram a noticia sobre o acidente de seus pais. — E a Amanda? Será que posso conhece-la? — Pergunto como quem não quer nada. Soraya sorri triste e n**a. — Provavelmente ela não sai desse quarto até vocês irem embora. Mal pude esconder minha frustração diante da notícia, o plano deu errado graças a euforia da minha maior aliada. Não demorou para Henrique aparecer com uma bandeja com biscoitos salgados e café com leite. Soraya se ofereceu para ajudá-lo, Henrique aceitou e disse que levaria Susie para conhecer Amanda. — Posso ir junto? — pergunto sem conseguir esconder a ansiedade. — Não — foi a resposta seca dele. Os adultos estavam muito desconfortáveis com aquela situação inusitada e eu igualmente, buscava uma desculpa para ir atrás dos meus irmãos, porém me contive. Teria que buscar outra maneira de conhecer Amanda. Meus pais e Soraya conversavam amenidades e ficaram nisso por um tempinho, até serem interrompidos com Henrique surgindo na sala, pedindo pra ligar o carro com uma garota de cabelos rosas no colo e Susie assustada logo atrás. Daquele momento em diante, tudo desandou e o mundo desabou nas costas do meu pai, quando descobriu, ainda no hospital, sobre o câncer de Amanda. Ela teve uma parada respiratória, foi internada na UTI. Houve uma grande discussão na sala de espera entre Soraya e meu pai, acusações foram trocadas e meu pai, foi convidado a ser retirada por dois seguranças do hospital. Eu não soube o que dizer, pois eu também fui pego de surpresa, a garota por quem me apaixonei através das redes sociais, do seu sorriso doce e olhar travesso, viciada em Yaoi, está com câncer. — Soraya prometeu que vamos conversar assim que Amanda sair da UTI. — meu pai fala ainda no carro, eu estou dirigindo pois ele não tem condições de conduzir um carro. Agora, uma semana após todo aquele ocorrido, meu pai e sua ex tiveram a tal conversa. Parece que ele também falou com a médica. As visitas só seriam liberadas na segunda, somente a mãe e o irmão estavam autorizados a vê-la antes, não sei se meu pai também estava, mas duvidava que sim. Amanda é maior de idade e o fato dela esconder do nosso pai sua doença, mostra que sua mágoa com ele ainda é grande. Se eu ainda não consegui digerir toda essa situação da Amanda, imagina ela. Como não deve está cabeça da menina de olhar travesso? Aposto que uma grande bagunça.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD