PRÓLOGO - A apresentação
— Me recuso a acreditar que me fez passar todo esse tempo deixando o cabelo crescer, para cortá-lo!
— É só um corte novo, seu brigão!
— Rebeca, você quer deixar meu cabelo curto novamente, porque você simplesmente não o cortou desde o começo? - Fingi uma irritação inexistente. Só queria perturbar um pouco a mente daquela loira. Ela já estava uma pilha de nervos com todas as arrumações de palco, figurino e blábláblá para nossa estreia. E se descobrir que esse chilique é só de brincadeira - oque, provavelmente, vai acontecer em alguns minutos, - vai me matar antes que eu possa dar a primeira rodopiada lá em cima.
Sim, vocês leram certo. Nós conseguimos e vamos nos apresentar. Sofie e Rebeca conseguiram nos transformar em dançarinos ótimos. Depois de muitos gritos, brigas, quedas e risadas, nós finalmente iremos subir em um palco e mostrar tudo que essas meninas nos ensinaram. Tudo e mais um pouco.
***
Corrigindo o ditado: Recordar é sofrer.
— Caio Augusto Leite.
Sempre que eu entrava naquela sala espelhada, lembrava da silhueta bela e farta de Emily. Não houve um dia que eu não recordasse dos seus olhos, do belo sorriso e da risada estranha com uma roncadinha no final, como uma porquinha, — quando eu chamava-a assim, ela deixava o seu olhar em f***a e prendia o riso até eu tentar me desculpar e dizer que ela era a porquinha mais inteligente que existe. Oque só piorava a situação, mas nos fazia rir.
E mesmo tendo mentido, me escondido coisas importantes, a falta que a Emmy faz na minha vida só comprova que oque eu sinto é realmente amor. Puro e verdadeiro, construído aos poucos, sem pressa e que ficou camuflado o tempo todo, até agora. Estou disposto á qualquer coisa por ela. Incluindo subir em cima de um palco e dar o meu melhor, seduzir as moças, as mais velhas, qualquer uma do sexo feminino ou até do masculino. Fazê-los ver o show e nunca mais esquecer, deixá-los viciados em cada passo que eu dê.
Inspirar, mostrar, ilustrar... Me transformar na personificação da palavra: luxúria.
E com tudo isso, ir para Itália, convencê-la e trazê-la de volta para os meus braços. O lugar que ela nunca deveria ter saído, onde pertence. E sim, nunca vou admitir isso em voz alta, mas pensar nessas coisas ao som de Bonnie Tyler não poderia ser mais deprimente e meio afeminado.
Vendo o lado positivo eu tinha a minha amigaça! Não, não é uma mulher, é a minha garrafa de vodka. Por mais surpreendente que seja, depois da noite que tive com a Emily e a pegação provocativa com a Megan, nunca mais tive uma figura feminina em minha cama. Nem em uma cadeira e muito menos em pé. Os ensaios e a empresa tomaram todo o tempo restante e o meu parceiro não saudaria nenhuma que não fosse aquela morena linda da máscara preta.
— (Turn around) Every now and then, I get a little bit lonely... And you're never coming 'round... (Vire-se/De vez em quando, eu fico um pouco solitário... E sei que você nunca irá voltar...) — Faço o gargalo da garrafa de microfone. Se tem uma música que faz o cotovelo latejar, é essa. Levantei, batendo os poucos farelos de croissant da minha calça de pijama. Eu mantive um estoque de comidas que deixam a Rebeca irritada — biscoitos, pãezinhos, chocolate. Óbvio que bem escondido no meu criado mudo. Essas guloseimas servem para noites assim, que a saudade não bate, ela espanca. De uma forma que te faz desejar ser aquele homem de lata da Dorothy.
Sem coração, sem essa dor incomum que a ausência de uma única pessoa faz.
Turn around, bright eyes
Vire-se, olhos brilhantes
Every now and then
De vez em quando
I fall apart
Eu desmorono
Esse é o momento que eu me pergunto se essa música foi feita para mim. Não que eu vá voltar a sentar na cama e chorar, até porque não tenho mais lágrimas para isso. Agora é hora de agir.
— And I need you now tonight, And I need you more than ever... (E eu preciso de você agora esta noite, e eu preciso de você mais do que nunca) — Sim, estou bêbado. Tão mamado que subi na cama para cantar essa parte da música. É a melhor! Ainda mais quando o microfone é uma garrafa de vodka das boas. Dou uma golada grande, nem sentindo mais o álcool por conta da dormência causada pelo tanto que eu bebi. — And if you only hold me tight, we'll be holding on forever... (E se você ao apenas me abraçasse forte, nós nos manteríamos firmes para sempre) — Solto uma risada, no final. Nunca vi uma tradução me traduzir tanto.
— Together we can take it to the end of the line (Juntos nós podemos levar isso até o fim da linha) — Pulei da cama, sem conseguir parar de rir. A vodka estava fazendo efeito, mas, lá no fundo do meu subconsciente, eu sabia que essa euforia é apenas momentânea. Que amanhã eu vou acordar de ressaca e m*l humorado, com vontade de assassinar até a mosca que passar voando na minha frente. É com esse pensamento, que eu resolvo aquietar o meu facho e sentar na cama. Sem largar a minha garrafa mágica.
Amanhã é o dia, a estreia dos três mascarados. O tema do primeiro show irá: Los dioses del amor*. A ideia foi minha, não em um dia como esse. Mas, há uma semana, quando eu estava dançando em cima daquele bendito poste, — que, pasmem, acabou se tornando meu amigo — tive esse insight. Cada um representando um deus Grego, dançando como um e fazendo elas desejarem serem nossas servas. Deve ser por isso que estou nervoso, a responsabilidade de conseguir fazer um show perfeito que pode nos levar para sede e, consequentemente a Emily. A minha doce e sexy Emily Whiter.
Sofie e Rebeca exigiram para o Eduardo representar Ares, o deus da guerra. Por causa do boxe e das outras artes marciais que ele pratica assiduamente. Eu e o Ricardo fomos dar uma zoada básica nele dizendo que ele teria que dar umas voadoras e imitar um ganso — oque não tem nada a ver, porém, relacionamos luta ao lago dos cisnes, não me perguntem como —, mas, o tiro saiu pela culatra. Ricardo ficou com Hades e eu com, a versão masculina da deusa Afrodite. Oque gerou muitas risadas já que, eu como palhaço de carteirinha, fiz uma versão de dança mais afeminada possível. E tive que correr para não apanhar das garotas. Por mais que elas não queiram admitir, venho levado essa coisa de mascarado muito á sério. Tanto que, resolvi convocar os caras e elas, — já que não se separam de jeito nenhum — para um último ensaio.
Depois de uma geral no apartamento, — sim, eu sou um homem limpinho. E, ultimamente, venho dando um pouco de paz para a Maria, minha fiel arrumadeira, que desconfia que estou tramando alguma coisa. Ela nem imagina o quão grande essa "coisa" é. Se pensasse que o seu "niño" vêm colocando collants e rebolando por causa de uma mulher, riria e mandaria eu pedir a dita cuja em casamento logo. Resolvo ligar para a Rebeca, só para confirmar se o ensaio vai acontecer ou ela fez o Ricardo quebrar a perna e se cansar de tanto t*****r. Já expliquei para ela que ele não é o "s*x machine", tem articulações, músculos e esses, se cansam. Mas, nenhum dos dois me escuta! É como conversar com paredes.
Paredes completamente taradas.
No quinto toque, uma voz ofegante — e masculina, só para constar — atende.
— Droga, Sam! Estávamos prestes a bater um recorde de orgas...
— Me poupe dos detalhes sórdidos, Ricardo! — Corto-o rapidamente, fazendo uma careta de nojo. A última coisa que eu precisava era imaginar um dos palermas que tenho como amigo, transando até bater um recorde i****a. — A Becca está conseguindo falar ou desmaiou aí?
Escuto o telefone ser passado e mais uma voz, dessa vez a certa, porém, ofegante do mesmo jeito, atender. É, se esses dois estivessem competindo em "qual espécie passa mais tempo 'copulando'" com certeza, eles bateriam os coelhinhos.
— Oi, Samuel. Oque quer? — Fala arrastado e manso. Arregalo os meus olhos, Rebeca falando calmo comigo? Corrigindo, Rebeca falando calmo com uma pessoa? Isso é muito estranho. — Aproveita que eu ainda estou vendo as estrelinhas que o Rick me deu, não vou ser legal assim pra sempre. Fala logo.
— Me lembra de pedir pra o b***a mole te f***r sempre que formos conversar? Você fica tão agradável e sociável q...
— Não abusa da sorte, p****e. — Alerta, já com a voz firme de professora chata. Nem deu tempo de aproveitar, isso é uma injustiça. Deveria existir uma lei para proibi-la de me xingar.
Bufo, revirando os olhos.
— O último ensaio está de pé? — Pergunto, escutando-a bocejar. Tenho vontade de rir, mas repreendo. Não estou afim de perder meu p***o, precisarei dele para ter um filho — ou trezentos, ninguém sabe — com a Emily.
— Sim, mas antes, se não te atrapalhar... Eu. Preciso. Dormir.
— Becc...
— Sem mais "Becca", Ferraz. Eu estou cansada e, a não ser que queira uns belos beliscões na hora do ensaio, me deixe relaxar em paz. — Bocejou novamente, ouvi uma risadinha baixa do Ricardo, foi rápida, ele logo se calou. Ela deve ter dado uma mordida nele... Vish! — Vai se ocupar com algo, dançar, pular, fazer faxina, procurar Aleluia debaixo da sua cama... Só me deixa ir dormir! Adeus!
Antes que eu possa abrir minha boca e balbuciar algo, Rebeca desliga na minha cara. Mas, nem ligo muito, isso é comum dela. É meio explosiva e estressada, mas, é tão legal e protetora quanto uma mãe. Oque a difere da Sofie, que é tranquila e simpática. Porém, sabe influenciar e dar uma bronca como ninguém. Esses últimos seis meses com elas, me fez criar um afeto e carinho enormes. Vê-las além dos esteriótipos que a sociedade impõe, enxergar a verdadeira beleza delas e ter o prazer de compartilhar momentos ótimos em suas companhias.
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Meus olhos caíram no relógio que aparece na tela do celular, faltava menos de uma hora para o ensaio. Abro as pequenas janelas do estúdio, sentindo um pouco da brisa fria da noite entrar. Estava me acostumando com esse lugar, seus espelhos, os postes... Posso nunca admitir em voz alta, mas, agradeceria mentalmente a Emily, por ter me proporcionado a chance de ter uma experiência como essa, por mais que, as vezes, seja dolorosa. Posso trazer de volta a parte da dança que já existia em mim, a parte que se foi quando minha mãe morreu. Seu nome de guerra é conhecido em qualquer gafieira ou concurso renomado de dança: Scarlet. Ela costumava dizer que gostava do modo que o "r" enrola na língua, dando um ar sensual. Já disse uma vez e volto a repetir: Minha mãe amaria a Emmy. E só a adoraria mais ainda quando soubesse que ela é um tipo de dançarina misteriosa.
Encaro o reflexo no espelho, meu corpo já tinha se acostumado com aquele tecido ligado em minha pele e em ficar sem camisa a maioria do tempo, para não banhar as roupas de suor atoa. Meu abdômen estava completamente mais definido, os braços maiores. Parecia que eu havia acabado de chegar de uma temporada em Miami, regada á exercícios, praia e comida saudável.
É, estou p**a gostoso.
Só não me conformo com esses fios caindo no meu rosto sempre. Por isso, estou os amarrando antes de começar a dançar. Sabe quando uma coisa te incomoda muito e tem vontade de sair arrancando? Então. Essa é a minha relação com meu cabelo grande.
— Um para lá... Dois para c... Droga! — Exclamei, sentindo a frustração me tomar. O show é amanhã, não posso errar em uma coisa tão b***a. Isso pode atrapalhar os caras e ferrar com a apresentação. Nós vamos apresentar um textinho antes de começar a dançar, mas, cada um terá sua música. Esse foi o cuidado que Rebeca teve, cada um ter o seu momento. Exibir a máscara, que é um tipo de objeto de status no clube. Elas iriam a paisana, sem as fantasias, como mulheres que apenas querem se divertir vendo os homens dançar e tirar a roupa.
Por falar em máscaras, as nossas só serão dadas amanhã. Antes da estreia. O suspense ao redor desse acessório está me deixando com medo, até porque, são elas que iram dizer oque as cores e detalhes significam. Oque explica que, se formos bem hoje, pode influenciar em algum detalhe na pequenininha cobertura de rosto.
Levanto e reinicio a minha música. Stereo Love do Edward Maya.
Escorreguei até o centro do estúdio, fechando meus olhos.
Passei minhas mãos por meus braços e abdômen, enquanto deslocava os ombros para um lado e outro. Fazendo um movimento ondular, com calma e sempre olhando para frente. Quando as batidas foram ouvidas em conjunto com a música, girei rapidamente, dando um pequeno salto. Já estava arrastando cadeira para perto de mim, quando a música parou. E uns assovios tomaram o ambiente.
Virei, dando de cara com Ricardo, Eduardo e companhia. Sorrio, sentindo Rebeca atrás de mim, soltando o meu cabelo. Os fios que caíram nos meus olhos na hora da dança, estão molhados de suor.
Me balancei como um cãozinho molhado, escutando-os praguejar. Exceto Ricardo, que tinha uma expressão pensativa no rosto. O Ricardo pensa? Essa é nova, produção. Daqui a pouco sai fumaça da cabeça do coitado.
— Cara, você tá parecendo aqueles guerreiros da távola quadrada...
Todos nós rimos e Sofie revirou os olhos, dando um tapa na nuca dele que, acreditem, doeu em mim.
— É távola REDONDA, seu b***a! — Reclamou, soltando o ar pela boca. — Fale menos e dance mais. Não sei como a Becca te aguenta.
Eduardo riu, com os olhos brilhando. Ele realmente estava apaixonado por ela. Vamos falar sério, os dois são igualmente chatos e controladores, são praticamente alma gêmeas, — se é que essa coisa existe. Rebeca ligou o som, fazendo um gesto com a mão, para que nós fossemos para o centro do estúdio. Obedecemos, Eduardo sentou com a cadeira ao contrário, travando o maxilar de um jeito que parecesse que está bravo e compenetrado, já o palerma número dois, se esparramou em um "sofá" com um sorrisinho irritante no rosto. Eu só me encostei em um dos espelhos, cruzando os braços e os fitando com um ar superior.
— Em suas marcações... JÁ! — Sofie gritou, baixando a claquete — que deve ter arrumado no além, só para constar.
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— Me recuso a acreditar que me fez passar todo esse tempo deixando o cabelo crescer, para cortá-lo!
— É só um corte novo, seu brigão!
— Rebeca, você quer deixar meu cabelo curto novamente, porque você simplesmente não o cortou desde o começo? — Fingi uma irritação inexistente. Só queria perturbar um pouco a mente daquela loira. Ela já estava uma pilha de nervos com todas as arrumações de palco, figurino e blábláblá para nossa estreia. E se descobrir que esse chilique é só de brincadeira — oque, provavelmente, vai acontecer em alguns minutos, — vai me matar antes que eu possa dar a primeira rodopiada lá em cima.
Sim, vocês leram certo. Nós conseguimos e vamos nos apresentar. Sofie e Rebeca fizeram um milagre e nos transformaram em dançarinos ótimos. Depois de muitos gritos, brigas, quedas e risadas, nós finalmente iremos subir em um palco e mostrar tudo que essas meninas nos ensinaram. Tudo e mais um pouco. O traje não estava me incomodando, era quase a mesma coisa que eu visto diariamente. Um terno, sendo que esse é composto por velcros e tem uma cor vermelha intensa. E assim que segue, o do Eduardo é amarronzado e Ricardo é preto, todo preto na verdade. É até meio sinistro.
— Prontinho.
Aprovei meu reflexo, finalmente estou sem aquele cabelo caindo no olho. Ela cortou dos lados, deixando ele meio grande e curto... É difícil de explicar, nunca fui ligado com essas coisas de cabelo.
— Graças a Deus! — Agarrei a Becca, escutando-a reclamar que estou apertando demais. Começo a encher o rosto dela de beijos. — Você me livrou daquela juba loira estupidamente chata! Merece um monte de beijos!
Ela grunhiu, tentando se soltar do meu abraço. Ainda rindo, afrouxei aos poucos.
— Ricardo, você fica ai olhando esse i*****l me sufocar e não faz nada?! — Bufou, limpando os locais onde beijei, fazendo uma careta — dramática até demais — de nojo.
Rick só deu de ombros, sem tirar os olhos do seu reflexo no espelho.
— Em defesa do meu amigo, antes que você acabe matando ele com essa caixinha de microfone que você está começando a arremess... REBECA! — Eduardo agarrou antes que batesse no pseudo Narciso, vulgo Ricardo, que só arregalou os olhos para toda a cena, parecendo se dar conta do que estava acontecendo. — Essa foi por pouco!
— Sof, agarra essa doida aí... Sofie? — Chamei, permanecendo sem resposta.
Eduardo franziu o cenho, colocando a caixinha em cima do balcão. O camarim não é grande assim para Sof se perder. Rebeca agarrou a gravata de Ricardo, que soltou um grunhido grave. Fiquei quieto, observando a cena com atenção.
— Eu te amo, mas se começar com esse negócio de ficar se amando e me esquecer, eu te castro. — Falou tão sério que até os pelinhos do meu pescoço se arrepiaram de medo. Oque não aconteceu com o doido, que só riu, puxando-a pela nuca para um beijo rápido.
— Você não arrancaria a parte minha que mais te faz feliz.
Os dois riram e eu balancei a cabeça negativamente. É saindo daqui para uma consulta intensiva com um psiquiatra. Vou acabar ficando louco de tanto conviver com eles. É muita doidice.
— Cheguei, meu povo! — Sof aparece empilhando três caixas na mão. Ah, até me esqueci. Elas estão muito bonitas, tão bonitas que quase não saíam de casa. Para chegar aqui na boate foi um processo, já que os dois ciumentos procuravam defeito — lê-se "qualidade — em qualquer canto do vestido. Muito curto, mostra as costas demais... Becca e Sof só deram dedo para eles e conseguimos não nos atrasar. — E trouxe umas máscaras aí né, sem importância... — Disse como quem não quer nada, com um sorrisinho no rosto. E, em um milésimo, Ricardo e Eduardo já estavam do meu lado, só faltaram fazer o "beap beap".
— Você falou máscaras? — Sim, nós falamos isso em um uníssono perfeito.
Rebeca se pôs ao lado de Sofie, as duas sorriram para nós.
— Olha que bonitinho, Sof. Eles falando juntinhos! — Becca comentou, rindo baixo. Com calma, pegou de uma em uma caixinha das mãos da amiga e colocou em nossas mãos. — Só abram, quando eu disser o nome. — Voltou devagar, exibindo o decote enorme e as costas totalmente nuas.
— Eduardo.
Ele calmamente, abriu a caixa. Pegando com cuidado a pequena máscara da cor verde. Muito verde, na verdade. Ergueu a mão, tentando observar os detalhes.
— Sua máscara é verde e feito com veludo, para simbolizar a esperança e harmonia que passa para nós, a sua responsabilidade. Esses detalhes em dourado, é a sua sabedoria, assim como esses pontinhos pretos. Equilíbrio, Sabedoria e Perigo. — Eduardo olhava intensamente para Sofie, que finalizou dando um pequeno sorriso e amarrando a máscara em seu rosto. Observei tudo muito atento.
— Ricardo.
Ao contrário do Edu, Rick praticamente rasgou a caixa. Tirando de lá uma máscara prateada, cheia de detalhes pequenos. Ele sorriu, fazendo um "yes" com a mão desocupada.
— Porque você tá comemorando sem saber oque ela significa? Pode dizer que é um bobão! — Não resisti e falei, dando de ombros. Recebi um olhar fulminante de Ricardo em troca. Ri alto, ganhando um beliscão bem doloroso do Edu.
Bufo, acariciando meu braço.
— Meninos... — Becca advertiu. — Rick, a prata significa modernidade e em conjunto com esse laranjinha ai, meu amor, diz que você é alegre, inovador e autêntico. A seda mostra que é versátil e leve. E esses detalhezinhos ai, em fita rosa, é sensualidade. Alegria. Sensualidade. Bom humor.
— Tá me chamando de palhaço, pintinha? — Fez um bico imenso e todos nós rimos. Ela se aproximou e colocou a máscara nele, lhe dando uma mordida no ombro em seguida. — Ai! Assim eu gamo!
— Samuel.
Abri devagar, sem muita pressa. Quando a vi, perdi o fôlego.
— Essa foi difícil de fazer... Sam, a sua é complexa. É prateada mas muda de cor quando vai para luz... Tem esses desenhos brilhantes e abstratos e outros apenas negros. E o adorno, digno de um rei para segurar uma safira autêntica, em referência aos seus olhos que a Emily insistia em chamá-los de safiras. — Soltei um sorriso fraco. — Liderança. Atração. Mistério.
Ela se aproximou, amarrando-a delicadamente em meu rosto. Soltei o ar.
— Obrigada.
— Queria que a Emmy pudesse ter feito isso. — Aquiesci, me virando.
A máscara caiu muito bem em mim, a joia encrustada conseguiu realçar o azul dos meus olhos.
— Cinco minutos e vocês entram. — Um cara m*l encarado entrou, avisando. Nós nos encaramos e a ficha finalmente caiu. Vamos dançar! E com máscaras!