Sábado era, sem dúvida alguma, o meu dia preferido da semana. Não ter que ir ao colégio, não ter que ver Juliana e Thiago juntos. Isso era o céu, na Terra.
Sozinha no meu quarto, enquanto eu me arrumava para sair com o Augusto, eu pensava na conversa que eu havia tido com a Camilla, durante a semana. Ela pediu para eu não fazer o Augusto como um "t**a buraco", e, parando para pensar, por um momento eu agi assim com ele. Mesmo sabendo que não temos nada, romanticamente falando, eu pensei sim, em como seria ter alguém para me distrair desse sentimento que, infelizmente, eu tenho pelo Thiago.
Terminei de me arrumar, borrifando um pouco do perfume no meu pescoço, coloquei o meu cordão, brinco e relógio e por fim, estava pronta. Tinha optado por uma saia jeans, uma blusa ombro a ombro branca e uma sandália baixa nos pés.
Desci as escadas da minha casa, que me levaram até a sala principal da casa, enquanto seguia em direção à porta, encontrei a minha mãe que vinha na direção contrária a minha.
- Você está linda. - ouvi sua voz.
- Obrigada! - agradeci dando uma voltinha e me mostrando para ela.
- Você tem dinheiro ai, né? - perguntou me olhando.
- Tenho sim, mãe. - respondi olhando para ela que assentiu.
- Você já sabe, mas eu vou reforçar. - falou e eu só balancei a cabeça concordando. - Você não deve fazer nada que não queira, o nosso motorista vai ficar a sua disposição para te buscar a hora que quiser. - afirmou me olhando firme. - Se você se sentir desconfortável ou intimidada com algo, não pense duas vezes em me ligar, ou para o seu pai, e claro, se divirta. - falou e sorriu.
- Obrigada, mãe. - agradeci, não somente pelas recomendações, mas por ser essa mãezona que me ama e se preocupa comigo. - Eu te amo.
- Eu também te amo, minha florzinha. - falou e eu sorri.
Quando eu sai da sala, segui em direção à garagem da nossa casa, onde o motorista já estava a postos, já que mais cedo eu havia dito a ele, que precisaria dos seus serviços.
— Boa tarde! — saudei assim que cheguei perto do carro.
— Boa tarde, senhorita! — respondeu abrindo a porta do carro para mim. — Podemos ir? — perguntou depois de se acomodar no banco.
— Podemos sim. - respondi, já com o celular em mãos vendo a última mensagem que eu recebi do Augusto, era dele avisando que já havia saído de casa.
- A qualquer hora que queira vir embora, é só me dar um toque, que estarei te esperando na frente do shopping. - ouvi a voz do senhor Carlos, nosso motorista.
- Obrigada, senhor Carlos. - agradeci. - Pode ter certeza, que se eu precisar, ligarei para o senhor.
- Certo. - falou agora dando partida no carro.
{...}
Andei pela praça de alimentação do shopping, ouvindo as vozes se misturando, risadas de crianças. Procurei pelo Augusto e acabei o encontrando perto do Burguer King, segui naquela direção, quando me viu, ele abriu um sorriso e veio me encontrar no meio do caminho.
— Oi. - falou sorrindo.
— Oi, quase não te encontro. - falei.
- Como você tá? - perguntou, me olhando nos olhos.
- Eu tô bem e você? - perguntei, ainda de pé.
- Tô bem. - respondeu. - Vem, vamos nos sentar ali. - apontou para a mesa em que ele estava sentado antes e eu só concordei.
Andamos até a mesa, e nos sentamos.
- Eu tinha certeza de que você ia me enrolar, e não viria sair comigo. - ouvi a voz do moreno à minha frente.
- Por que achou isso? - questionei o olhando confusa.
- Não sei, só tinha essa impressão. - deu de ombros.
- Nossa, eu passo essa impressão? - perguntei em tom de brincadeira. - Bom saber.
- Não, você.. é.. não foi isso.. - gaguejou e eu ri.
- Eu tô brincando. - falei rindo e ele me olhou sério por um tempo, mas depois riu também.
- Mas e ai como foi a semana? - perguntou puxando assunto.
- Foi tranquilo, estudei bastante, semana que vem começa a semana de provas, então tô mais focada. - falei. - Meu último ano no ensino médio, não quero vacilar. - terminei falando. - E a sua, como foi? - questionei.
- Foi corrida, na verdade, meu pai quer que eu ingresse em uma faculdade esse ano ainda, eu prefiro iniciar ano que vem, quer dizer, já estamos no meio do ano. - falou e deu um sorriso meio tenso.
- Mas você já falou sobre isso com ele? - perguntei.
- Já, mas quem diz que o meu pai me ouve? - perguntou retoricamente.
- Eu não posso dizer que te entendo, mas tenta conversar com ele novamente, fala seu ponto de vista, esclarece os motivos pelo qual você prefere iniciar a faculdade do próximo ano. - falei e ele me olhou. - De repente você falando mais claramente, ele entenda,. - dei de ombros.
- Vou pensar nisso. - falou olhando por cima do meu ombro, pensativo. - Vamos comer? - chamou.
- Vamos sim. - falei e já me preparei para levantar.
- Você prefere comer aqui ou em outro lugar? - perguntou.
- Aqui mesmo. - falei olhando o tamanho da fila do caixa dos outros restaurantes dali.
- Certo. - falou e se levantou e eu fiz o mesmo em seguida.
Fomos caminhando até a fila e conversando sobre assuntos aleatórios. A conversa com Augusto fluía de maneira fácil, ele é engraçado, sabe ouvir, não deixa o assunto morrer por um minuto, porque se dependesse de mim para puxar assunto, nós ficaríamos calados durante bastante tempo, já que eu sou péssima para puxar assunto.
Pegamos os nossos lanches, assim que a nossa senha apareceu na pequena tela do estabelecimento, cada um pegou a sua bandeja e fomos caminhando até a mesa, onde estávamos sentados antes, isso depois de encher os nossos copos com o refrigerante desejado.
Comemos enquanto conversamos sobre assuntos banais, nos conhecendo melhor, aquele passeio com ele estava tão bom que eu nem percebi a hora passar, o celular ficou guardado na bolsa durante todo o tempo, só fui notar a hora porque a minha mãe me ligou querendo saber se algo tinha acontecido, já que eu tinha saído de casa durante a tarde e já eram oito da noite e eu ainda não havia chegado em casa.
Por esse motivo eu resolvi ir embora.
- Ei, foi muito legal sair com você. - falei enquanto descemos as escadas rolante.
- Da próxima vez, será ainda melhor. - falou e eu ri.
- E vai ter uma próxima vez, é? - perguntei vendo ele ficar meio sem graça.
- Se você quiser, é claro. - falou rápido.
- Claro que eu quero. - afirmei olhando para ele.
- Que bom. - suspirou fazendo drama. - Porque se você não quisesse, eu teria que te convencer a vir, até porque eu não desistiria facilmente.
- Que bom! - falei satisfeita com a sua resposta.
Fomos até a frente do shopping onde o meu motorista já me aguardava.
- Obrigada pelo dia. - falei.
- Eu que agradeço. - respondeu. - Até a próxima, então? - questionou chegando mais perto.
- Até a próxima. - afirmei.
Ele veio mais perto, me abraçou e deixou um beijo no canto da minha boca e eu só sorri e me despedi. Entrei rapidamente no carro e fui em silêncio até em casa, pensando em como minha vida estava bagunçada.