CAPÍTULO 3

2250 Words
Noites em claro e uma mulher me tirando o sono. Porque será que isso está acontecendo comigo? Por que ela parece justo para mim? Me levanto depois de mais uma noite m*l dormida. Suspiro, pois estou mais cansado do que ontem. Tem uma semana que meu sono está sendo zero, já que ela começou a aparecer diariamente para mim em meus sonhos. Antes era somente uma ou duas vezes à noite, mas agora parece que ela está correndo mais perigo ainda. Não diz nada como sempre. Eu vou ficar louco com isso, e nem sei como buscar uma saída. Procurei pela internet sobre alguém desaparecido, nada, procurei pelas características dela, mas nada. Eu não achei nada. O que será que houve com ela? Tomo um banho para despertar do meu transe. Me olho no espelho e pareço um bagaço de homem. Minha vida poderia ser menos complicada. Vou para a cozinha e Maria me olha. Sei o que ela está vendo um homem, não é seu patrão. É somente um homem destruído por falta de sono. - O Sr está bem? Ela pede me avaliando. - Estou tentando Maria. - O Sr não tem dormido direito, precisa descansar. Sua aparência está horrível. Tento sorrir, mas é em vão. Enquanto essa garota estiver em meus sonhos, eu não vou conseguir viver bem. - Eu sei que preciso, mas ultimamente não tenho conseguido dormir. Falo olhando para a xícara de café que ela colocou na bancada para mim. - Tenho você como filho, e me preocupo com você. - Eu sei e agradeço. Eu só preciso de tempo. Falo mais para mim do que para ela. Eu preciso mesmo é achar essa garota. Ela ficou me olhando e depois assentiu virando para fazer o seu serviço. Essa semana eu ainda tinha a consulta com o Dr Daniel, mas sinceramente, eu não queria ir, eu não tinha nenhuma novidade, a não ser que ela deu para não me deixar em paz. Nem um só minuto da noite. Mas o que esse Dr podia fazer quanto a isso? Ele não tem o poder de pedir à ela para parar, mesmo porque ela só aparece para mim, já que ninguém da minha família se manifestou. E cada dia que passa eu fico mais intrigado ainda com isso. Eu sou o único a vê-la e nem sei como ajudá-la. Meu dia começou cheio de reuniões e eu não estava prestando atenção em nada. Juro que estava tentando, mas não consegui. Eu estava muito esgotado, para ficar em uma sala ouvindo as pessoas pedindo a minha atenção. Pedi a Hugo, meu braço direito, para resolver tudo e depois me passou. Eu estava indo para casa, para ver se conseguia descansar, dormir um pouco. Cheguei em casa e Maria estranhou eu ali, porém eu não dei explicação, fui para meu quarto e tirei a minha roupa. me deitei e não pensei em nada. Só senti meus olhos pesados, e não vi mais nada. Pierre parar o carro em um lugar estranho. Na verdade, em um bairro diferente do meu. É um lugar não muito luxuoso, mas é um bairro bom. Questiono à Pierre, o porquê da gente está ali, e ele não me responde. O chamei novamente, mas nada. Vejo ele sair do carro e ficar de pé do lado do carro. Esse homem hoje não está bem. Saio do carro e respiro fundo para não brigar com ele, mas antes que eu fale algo, a garota morena aparece do outro lado da rua. Olho de um lado ao outro para atravessar a rua. Atravesso e vou até à mesma, porém ela começa a andar sempre olhando para trás. Dessa vez eu vou atrás dela, eu tenho que saber onde ela está e como ela está. Olho para onde meu carro estava estacionado e não tem nada. Onde Pierre foi? Porque não me esperou? Eu preciso dele para resgatar essa garota. Não posso ficar pensando nisso, volto à minha atenção para a garota. Ela está suja de sangue, suas roupas estão rasgadas. Meu Deus ela está totalmente em perigo. Que tipo de pessoa faz isso com uma mulher? Que tipo de pessoa faz isso com outra pessoa? Andamos umas três quadras de onde estava, e chegamos em uma casa. Não tem muro, somente uma cerca de p*u pintada de branco. Ela passa à cerca, sobe à pequena escada e entra na casa sem abrir a porta. Ela atravessou à mesma e eu fiquei assustado, porém subi as escadas e fui apertar a campainha. Eu comecei a ouvir um barulho lá no fundo. Esse sim não parava, e eu já estava incomodado com o barulho. Acordo assustado e ouço o barulho do celular. Me sento rápido na cama. Dessa vez eu estava quase a resgatando. O barulho do celular tocando ainda não parou. Pego o mesmo em cima do criado mudo. - Renato. Digo sem olhar no visor quem é. - Filho, está tudo bem? Mamãe pede e eu não sei o que está bem a muito tempo. - Estou tentando, mãe. Falei me levantando. - Liguei para sua casa mais cedo e Maria me disse que você não anda bem. Que não tem dormido direito. Os sonhos ainda continuam? - Sim mãe. Esses sonhos e visões não me deixam em paz. - O Dr Daniel não te deu um diagnóstico? - Me deu mãe. Ele disse que deve ser uma pessoa próxima à nossa família, e que ela aparece só para mim, porque vocês podem não acreditar que ela está em perigo. Falo olhando o meu jardim da minha janela panorâmica. - Estranho. Não temos ninguém da nossa família ou amigos perdidos ou desaparecidos. - Eu também estou achando estranho. Mas mudando de assunto, você sabia que Cláudia e Sarah tinham outra irmã, e que a mesma está morta? Questiono ainda intrigado com essa história da irmã das meninas e que nunca ficamos sabendo. - Não amor, não sabia. Seus irmãos não contaram nada para mim e nem para seu pai. Ela diz também surpresa. - Fiquei intrigado e surpreso com isso mãe. Mesmo porque Maycon não quis falar perto de Sarah que já estava abalada com o assunto. - Quando Maycon chegar vou perguntar a ele o que aconteceu. Porém eu agora estou preocupado com você. - Eu vou ficar bem mãe. Pelo menos eu acho. Eu só preciso dormir. - Quer que eu te receite um remédio para dormir? - Deixa eu só verificar uma coisa que passo na sua casa para pegar o remédio. Falo. - Ok meu amor, não deixe de falar comigo. Fico muito preocupada com você. - Obrigada mamãe! - De nada amor. Estou aqui para você e por você, não se esqueça. Dona Márcia sempre carinhosa. Te -amo meu filho. - Também te amo mãe. - Qualquer coisa me liga hein. - Pode deixar. Falo e desligamos. Já está quase anoitecendo e é hoje que eu preciso confirmar esse sonho. Eu lembro da casa, da fachada. Eu só preciso achar o bairro. Vou para o banheiro, tomo um banho. Coloco uma calça jeans escura, uma camisa pólo preta e calço meus tênis. Passo somente as mãos no cabelo e sigo para fora. Não chego até à cozinha, pois sei que Vera vai me obrigar a comer alguma coisa e eu não quero perder mais tempo. Pierre está parado no hall de entrada e me olha. - Venha comigo Pierre. Peço já saindo e ele vem ao meu encalço. Descemos as escadas para a garagem. Pierre, quero que você me leve ao um bairro menos nobre do Rio de Janeiro, não tão pobre. Falo e ele me olha intrigado. - O Sr sabe o endereço? Questiona. - Não. Só quero que você me leve a esse bairro. Digo e entramos em um dos meus carros. Ele dá partida no carro e assim saímos de casa. Eu farei essa tentativa de encontrá-la, mas se não for assim, eu não quero mais ficar com isso em mente. Talvez eu esteja vendo uma pessoa morta. Mas o Dr disse que mortos não aparecem para gente, e então eu estou realmente na Merda, porque tenho visões e sonhos com alguém que deve está além da vida e estou me enganando para salvá-la. Vejo o carro se afastar da área nobre do Rio de Janeiro e se encaminhar para uma área modesta, onde as pessoas não são tão endinheiradas. Pierre me olha através do retrovisor, talvez querendo uma resposta para onde estamos indo. Mas nem eu sei, eu só quero ver a casa que vi em meus sonhos. Quero pelo menos achá-la e ver se tem alguém nela. Já estamos dentro do bairro, e fico olhando para todos os lados para ver se identifico a casa. Nada ainda. Peço à Pierre para continuar andando devagar, não posso perder nada de vista. Estávamos à meia hora já dentro do carro, eu olhando todas as casas e Pierre olhando para mim através do retrovisor, mas eu ainda não havia achado a casa do meu sonho. Estava já começando a ficar cansado dessa procurar, quando disse a Pierre para retornar ao nosso bairro. Ele foi até o fim da rua e deu à volta na rua de baixo. Meus olhos automaticamente vão para a primeira casa da esquina. Merda, é a casa do meu sonho. Cerca de madeira, pintada de branco. Uma pequena escada que dá até a entrada da porta principal. Peço a Pierre para parar. Ele assim o faz. Saio do carro e olho para os lados. Droga, as casas aqui são praticamente todas iguais. Parece que é o padrão delas. Porém eu vou investigar pelo menos em duas, as outras vou pedir à Jonathan para fazer um levantamento dos moradores. Será mais fácil. - Está tudo bem Sr? Pierre pede para sair do carro praticamente junto comigo. - Sim. Fique aqui. Só vou checar uma coisa, se precisar de você te ligo. Digo e já entrei no portão de madeira. Subo as escadas e bati campainha. Fico ali uns minutos e nada. Desço e vou para a casa da frente sob os olhares de Pierre. Ele deve estar nervoso, já que odeia imprevistos. Não sabe o que esperar. Entro na casa da frente e bati campainha. Já são quase sete da noite, e as pessoas devem está chegando em suas casas depois dos afazeres do dia. Minutos depois a porta é aberta por... - Willian? Questiono surpreso e ele me olha mais surpreso ainda. - Renato? O que faz aqui? Indaga com uma cara de surpresa. - Estava procurando uma casa de um amigo por aqui e pelas características achei que fosse essa. Digo não querendo revelar para ele realmente o motivo da minha estada ali. - Nossa cara, acho que você está meio enrolado, porque as casas aqui são todas do mesmo padrão. Ele não te deu o número? - Não. Você pode me dar um copo de água? Peço querendo entrar na casa dele. Sei que Willian não seria capaz de fazer maldade com alguém, mas não seria demais verificar. - Claro, entre e fique à vontade. Ele fala me dando passagem para entrar. Aceno um espera para Pierre e adentrei a casa. Fico olhando para a sala e não tem muitos móveis. É somente o sofá com tapete que está com cara de novo. Willian volta com o copo de água e me dá. - Obrigado! Falo e tomo um gole. Você mudou para cá há pouco tempo? Questiono reparando que não tem muitas coisas na casa. - Sim. Lembra que eu estava na Rússia. Então vim morar aqui, já que a casa da mamãe ainda está reformando. - Sei. Mas você iria morar na casa da sua mãe com sua esposa? Peço sorrindo. - Sim, mamãe e Luana estão ainda na Rússia, e não pensam em voltar tão cedo. Certo. - Willian. Uma mulher aparece na sala vestida de branco. Deve ser médica ou algo assim. - Renato deixa eu te apresentar à minha esposa. Willian fala com um sorriso no rosto. Retribuo o sorriso. - Essa é a Karla, minha esposa, a Sra Prates. - Prazer, Sra. Renato Vilaça. Falei estendendo a minha mão e ela me estendeu a sua e assim nos cumprimentamos. - Prazer Sr Renato. - Willian eu já tenho que ir. Deixa eu ver se eu ligo para meu amigo e ele me passa o endereço certo. Indago e já vou me encaminhando para a porta. - Apareça quando quiser. Temos que colocar o papo em dia. Willian fala e eu o cumprimentei com um aperto de mão. - Pode deixar. E como foi na empresa hoje? Peço - Excelente. Vou me adaptar muito fácil. Sorrio. Willian sempre foi muito inteligente e esperto. - Espero. Agora deixe eu ir. Até mais. Falo e já fui para o carro. Pierre abre à porta do mesmo para mim e a hora que sento no banco vejo Willian fechar a porta. Eu devo estar ficando louco, um paranoico. Procurar uma garota entre todas essas casas deve ser como procurar agulha em um palheiro. Peço a Pierre para me levar de volta para casa. Estou cansado desses sonhos, dessas visões que não estão me levando a lugar nenhum. A partir de hoje não vou mais dar vazão a essas visões e sonhos. Se ela está morta não precisa de ajuda, se ela estiver viva, a família já deve está a procurando. Não vai ser eu, um estranho que vou procurar e achá-la. 
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