Ainda no caminho ao hospital, percebi que de repente Sofia ficava fraca, pálida, e eu a chacoalhava devagar, a fim de desperta-la. Comecei a temer que algo pior acontecesse, e pedi que Jasper acelerasse o carro. Ele fez isso, fazendo com que chegássemos em cinco minutos no hospital.
Jasper então carregou Sofia nos braços até a recepção, onde a receberam já praticamente desmaiada. Eu não entendia como ela tinha ficado tão m*l de repente. Uma enfermeira trouxe uma cadeira de rodas e pediu alguns documentos, enquanto outros enfermeiros verificavam sua temperatura.
— Eu não entendo, trouxemos ela muito bem, estava só com febre, mas alegre e enérgica, e agora já está praticamente desmaiada. — Disse, tentando não me desesperar.
— Provavelmente ela ficou enjoada dentro do carro, mas não se preocupe, faremos de tudo para descobrir o que está acontecendo com essa mocinha!
— Muito, muito obrigada!
Ela sorriu, gentilmente, pediu que eu assinasse um papel de autorização de exames numa prancheta, depois a recolheu e continuou:
— Vamos levá-la a enfermaria, faremos alguns exames e colocaremos ela para tomar um soro na veia, já que parece bem fraca.
— Tudo bem.
Jasper estava com o braço em volta dos meus ombros, e quando ela falou isso, se prontificou em guiar a cadeira de rodas da Sofia. A enfermeira notou que nós dois andamos em direção ao local, e afirmou:
— Infelizmente, apenas um de vocês poderá acompanha-la, devido ao número de pacientes na enfermaria já estar bem lotado, não temos espaço para mais de um acompanhante. Vocês dois são parentes?
— A Safira, sim. — Jasper respondeu. — Eu sou apenas o noivo dela — Disse olhando para mim.
— Pois bem, Oficial Jasper, queira me desculpar, de verdade.
— Não, não, tudo bem. Eu espero aqui fora.
— Tem certeza, amor? — Perguntei, encarando-o.
— É claro, por favor. — Insistiu, com um beijo na minha testa. — Qualquer coisa, me ligue. Eu te ligo também se precisar me ausentar por causa do trabalho.
Fiz que sim com a cabeça e eu e a Sofia fomos levadas até a ala de enfermaria. Meu celular não parava de tocar no meu bolso, apenas agora havia me dado conta. Eram meus pais, provavelmente preocupados com o nosso sumiço. Eu não queria preocupa-los, então liguei para a mamãe e disse que nós duas estávamos bem, mas que o Jasper achou melhor se a gente procurasse entender o motivo da febre da Sofia. Ela agradeceu e disse que iria ligar novamente em alguns minutos.
Me aproximei de Sofia que estava fraquinha em cima da maca, me perguntei porque que aquilo estava acontecendo justamente com ela, que apesar de muito moleca, sempre teve um coração muito bom.
— Cadê a mamãe e o papai? — perguntou, enquanto eu a observava.
— Estão em casa, não quis preocupa-los, sei que você vai ficar bem. O que você está sentindo?
— Nada, quer dizer, as vezes sinto uma pontada no estômago como se estivesse levando um soco, e estou um pouco enjoada, mas fora isso, não sinto nada.
— Você é muito forte. — Comentei.
— Por que está sendo gentil?
— Aproveite. — Brinquei e ela riu.
— Cadê o Jasper?
— Não o deixaram entrar, a enfermaria não tem espaço para mais de um acompanhante...
Ela não respondeu mais nada, ao invés disso retornou a fechar os olhos e adormeceu.
Me levantei em busca de água, enquanto andava em volta dos leitos, o choro, a agonia, os sussurros de notícias ruins eram ensurdecedores. Parei por um instante para ouvir um médico afirmar a mãe de uma criancinha de colo que sua filha não sobreviveria muito mais que 12 dias. Aquilo me paralisou, me deixou em choque, enojada, precisei me sentar.
Descobri que não sou forte como pensei que era. Havia muito tempo que eu não colocava meus pés em um hospital, eu quase nunca adoecia e se era a Sofia que ficava doente, minha mãe sempre a levava, então acabou que, em muitos anos, nunca mais havia estado aqui.
É um lugar de muita dor, principalmente os casos graves. Neste caso, estávamos na urgência, o que só piorava tudo. Finalmente encontrei o que procurava: o bebedor. Cheguei mais perto e enchi o copo de plástico de água. Então, algo me chamou a atenção novamente.
Eu ouvi um choro maduro e silencioso, que parecia vir de um homem. Olhei em minha volta, precisava saber de onde esse choro vinha.
Então, eu vi. Não podia descreve-lo em características pois ele estava no chão com a cabeça escondida entre os joelhos, com casaco de capuz. Eu quis tanto me aproximar e perguntar o motivo de seu choro, mas não tive coragem de fazê-lo.
Sou 90% psicóloga, sei que nesses momentos, não queremos ouvir estranhos supondo que sabe de alguma coisa sobre o futuro, principalmente se não sabemos de nada. Não podia chegar nele e dizer que independente de tudo, as coisas ficariam bem, pois seria mentira. Eu não sei de nada.
Então, me retive. Terminei aquele copo de água e bebi mais outro, depois disso voltei até a Sofia e adormeci na cadeira.
Mais tarde, alguns enfermeiros vieram e recolheram seu sangue, depois a levaram numa ultrassonografia. Mamãe ligou e eu avisei que talvez precisássemos ficar um pouco mais, já que tudo estava indo mais lento do que eu pensei que seria.
A notícia boa era que a Sofia não apresentava piora, e a r**m é que os médicos estavam muito misteriosos. Ou não. Não sei. Talvez seja apenas meu nervosismo e medo.
Fora isso, uma coisa ainda inquietava minha mente, não conseguia tirar da cabeça aquele rapaz chorando mais cedo. Mas eu precisava esquecer, sei que situações como esta costumam causar gatilhos em mim. Eu gosto de entender o sofrimento das pessoas, talvez seja por que sou psicóloga — quase —, ou talvez seja minha curiosidade, não sei. Mas tinha certeza de algo: não podia mais procurar aquele rapaz.