Antes de sair do hospital, Jasper me liga porque havia esquecido suas chaves comigo. As vezes tinha certeza que ele fazia isso de propósito só para me ver novamente. Não ligava, era muito fofo. Ele voltou ao hospital alguns minutos depois.
Quando me viu, me cumprimentou com um beijo suave, como quem já estivesse com saudades. Era assim que eu me sentia do lado dele o tempo inteiro.
— Oi, amor! — Falou — E cadê sua mãe e sua irmã?
— Na sala de espera. — Peguei rapidamente as chaves que estavam dentro da minha bolsa e o entreguei.
— Não querem carona? Estou indo para uma ocorrência perto de lá.
— Perto quanto?
— 15 km. — Admitiu, sorrindo.
Eu arregalei os olhos.
— Não! Não vai mudar a rota por causa de mim. Fique tranquilo, de táxi deve dar uns 20 dólares.
— Tem certeza?
Eu fiz que sim para lhe assegurar que tudo estava bem.
— Sim, eu tenho certeza. Agora vá para casa, você ainda tem muito o que fazer.
— Nosso jantar ainda está de pé? — Indagou, segurando minha mão.
— Obvio que sim — Respondi. Ele me lançou uma piscadela e foi embora.
Mamãe, eu e a Sofia finalmente voltamos para casa juntas. Quando chegamos, fiz questão de esquentar a água da banheira, Sofia tomou banho e depois comeu qualquer coisa saudável que tivesse.
Sentei depois de um dia cansativo e observei a mamãe respirando ofegante para mim.
— O que está havendo, mãe?
Ela abaixou a cabeça, mas consegui captar o seu semblante triste.
— Mãe? — Insisti — É a Sofia? Ela já está bem melhor, já está em casa...
— Não é nada disso, quer dizer, eu também fico preocupada com isso, mas este não é o motivo.
— Então o que foi?
Ela suspirou.
— É o seu pai...
— O que tem ele?
— Acho que ele está me traindo.
Tomei um susto naquele momento. Meu pai? Ele era sem dúvidas um homem que eu admirava, então ouvir aquilo não era somente um choque, mas uma decepção.
— Calma, não é nada certo ainda, mas sim, é algo que pensei sim.
Eu respirei fundo, tentando entender o que aquelas palavras significavam.
— De onde você tirou isso? — Questionei.
— Mulheres sabem dessas coisas — Ela falou, prontamente. Era verdade. Mulheres sempre sabem dessas coisas, não dava para negar. Eu mesma sempre desconfio se algo vai errado. Mas eu quis acreditar que fosse mentira. — Provavelmente é só porque estou no meu período. — Acrescentou, na tentativa de fazer nós duas acreditarmos naquilo, mas a semente já havia sido lançado, não esqueceria nem tão cedo.
Eu me levantei de onde estava e a abracei. Era a única arma que eu tinha nas mãos. Nada que eu disse podia fazer muda-la de opinião.
— Provavelmente é isso sim, mas você deveria conversar com ele, sabe? Vocês sempre foram bons de dialogar...
Ela fez que sim com a cabeça e retribuiu meu abraço. Eu sabia que minha mãe estava sofrendo com a possibilidade de estar sendo traída, ela era vaidosa demais para isso. Mas eu queria ter o poder de colocar em sua cabeça que nada disso era culpa dela, se ele fez algo, o único que deveria se envergonhar é ele. Todavia o coração é enganoso, e tem situações que nos fazem nos sentir culpados por conta de coisas que não dependiam de nós.
♡
Mais tarde, me tranquei no quarto e procurei qualquer informação na internet sobre o homem do hospital. Eu acabo de me dar conta que não sabia nada sobre ele... seu nome, sua idade, seu trabalho, seu número de telefone. Eu precisava saber mais sobre ele!
Pesquisei no f*******:, no Google, no Check-in do i********: do hospital, mas não encontrei nada.
Decidida a saber um pouco mais sobre ele, peguei o carro e fui até o hospital. Era como se eu estivesse hipnotizada, ou algo assim. Eu não sei, mas sentia como se fosse uma necessidade.
Estacionei, e entrei no hospital. Não lembrei que precisaria conversar com a recepcionista para convence-la de me deixar entrar.
— Oi — digo com um sorriso no rosto —Estou aqui para uma visita.
— Você não é a menina que deu entrada aqui com sua irmã?
Eu disse que sim bem baixinho, na que ela não escutasse a resposta.
— Mas ela já levou alta... — Comentou, vasculhando os papéis — Na verdade, ela até já foi embora.
— É, eu sei — Admiti — Mas na verdade, eu vim porque enquanto estávamos lá dentro, conheci um rapaz e eu realmente acho que seria bom para ele se distrair.
Ela suspirou e pegou outro papel nas mãos.
— Ok, qual o nome do paciente?
Eu congelei. É claro que ela me perguntaria isso.
— Vamos, querida, eu não tenho o dia todo — Acrescentou.
— Eu não sei — Murmurei.
Ela largou a caneta no balcão, retirou os olhos de grau dos olhos e olhou para mim.
— Não sabe? — Indagou.
Eu fiz que não com a cabeça.
— Então infelizmente não posso deixar você entrar. — Disse, finalmente.
Eu dei a meia volta totalmente frustrada. Não conseguia acreditar que voltaria pra casa assim, sem nenhuma informação dele.
Só que, coincidência ou não, quando me virei ele estava lá. Ele estava sentado com as mãos cobrindo o rosto, eu sabia que era ele. Mas não podia simplesmente abordá-lo, como profissional eu deveria ser serena.
Me aproximei, fiquei de cócoras na sua frente para ficarmos no mesmo nível e toquei-lhe sua coxa. Na hora ele olhou pra mim, assustado.
— O que você quer? Não foi embora ainda? — Questionou.
— Descobri que não sei o seu nome. — Falei, sorrindo. Ele me olhou curioso, confuso.
— Viajou até aqui para saber meu nome?
— Sim — Afirmei. — E seu telefone. Não temos como trabalhar juntos se não sei suas informações básicas.
Ele riu. Pela primeira vez desde que conversamos ele deu risada.
— Nate — Respondeu, e agora aquele homem tinha um nome. — Não tenho telefone, eu vou comprar um. Pode me ligar do telefone do hospital enquanto isso.
Eu aquiesci. Era bom saber que pelo menos parte dele confiava em mim.
— Me chamo Safira.
— Prazer, Safira.
— Nos falamos amanhã, as 07h. — Disse, me levantando e finalmente fui embora, dessa vez, muito satisfeita.