Só acontece comigo...cap...12

574 Words
ISABELA FERRARI Ai, que raiva. Que ódio. Que vontade de gritar. Aquela mulherzinha ridícula… Feita sob medida pro Alencar. Falsos, arrogantes, egocêntricos. Um casal digno de reality show. Respiro fundo e volto pra minha mesa, tentando não socar o teclado. Nem consigo pegar o celular que ele vibra — Fer, claro. 📱 LIGAÇÃO ON — Oi, miga! — diz com voz animada demais. — Oi, Fer. O que foi? — Nada. Só queria saber como minha miguxa tá... — Vai, Fer. Fala logo o que você quer. — Assim você me ofende. — dramatiza. — Corta a novela e desembucha. — Que tal um cineminha hoje à noite? — CINEMA, hoje? Fer, hoje é QUARTA. Eu trabalho amanhã. — Só um filminho, prometo! Me distrair, te distrair... aceitar, aceita, aceita! — Se eu aceitar, você para com essa palhaçada? — Paro. — Então tá. Vamos ao cinema. — AAAAA! Hoje, às oito! Cinelovers! — Tô aceitando só porque hoje foi o dia que eu quase pedi demissão. — O quê?! Por quê?! — Em casa eu te conto tudo. — Beleza. Beijo, Isa. — Beijo, Fer. 📱 LIGAÇÃO OFF Guardo o celular. Me preparo pra voltar à sanidade, quando escuto o salto irritante e vejo a loira de vestido vermelho surgir de novo — Aline, a noiva barraqueira. Ela para bem na minha frente, toda metida a vilã de novela mexicana. — Deseja algo, senhorita? — pergunto, mantendo a compostura. — Não... só vim te dar um aviso. — Aviso? — Sim. Não pense que vou deixar você ir pra cama com o MEU noivo, secretarizinha. Dou uma pausa. Pisco. Me certifico de que ouvi certo. — Desculpa, não entendi. — Não se faça de sonsa. Sei que as secretárias do Victor sempre acabam na cama dele. — Olha... senhorita Aline, pode ficar tranquila. Eu tô aqui pra trabalhar, não pra deitar com ninguém. Muito menos com seu noivo. — Assim espero. — diz com um sorrisinho venenoso e sai, desfilando como se tivesse vencido alguma coisa. Fico parada por dois segundos, em silêncio. O nível de loucura que eu presenciei hoje merece um prêmio. Eu? Na cama com o Victor Alencar? Nem se ele fosse o último ser humano na Terra. Nem se me pagassem em barras de ouro. Nem se o mundo tivesse acabado e só restasse eu, ele e um extintor. Mas claro, só comigo que acontece esse tipo de karma. Devo ter matado uma santa na outra vida. Sacudo a cabeça e foco no que importa: o trabalho. Começo a digitar os documentos da próxima semana. Organizar arquivo. Receber e redirecionar e-mails. Atender telefonemas. Anotar e encaminhar. Tramitação de processos. Recepcionar visitantes. Controlar entrada e saída de correspondências. Quase nada, né? E ainda tenho que aguentar a Barbie vingativa achando que eu tenho tempo pra trepar com o chefe. Dou uma risada amarga sozinha. Tô terminando uma minuta de reunião quando o interfone toca. — Senhorita Ferrari. Pode encerrar por hoje. Não volto mais. Respondo apenas com um: — Sim, senhor. Ele desliga. Volto a olhar para a tela. Nenhum “obrigado”. Nenhuma desculpa pela cena anterior. Nada. Apenas Victor Alencar sendo Victor Alencar: Arrogante. Controlador. E, pra meu azar, perigosamente bonito. Mas ele não vai me quebrar. Nem ele. Nem a loira turbinada. Nem esse caos disfarçado de escritório. Eu sou Isabela Ferrari. E vim pra muito mais do que fazer café e engolir sapo.
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