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1643 Words
Dia 11 — por Milena. Minha terça-feira ia normal até o horário do fim do expediente, Eduardo me levou até o endereço da tal vidente, confesso que quando chegamos meu estômago revirava e eu tinha a impressão que vomitaria de nervosismo. — Vai lá, eu te espero aqui. — ao ouvir a voz de Eduardo eu voltei a realidade. — Tudo bem. — concordei respirando fundo, como eu não tinha outra escolha, tomei coragem e desci do carro. Desci do carro e entrei na tal casa, logo no primeiro cômodo eu dei de cara com uma mulher sentada atrás de uma pequena mesa. — Posso te ajudar? —ela perguntou para mim. — Sim, eu... eu tenho hora marcada com a vidente. — Com a madame Dinah? — Isso. —respondi. — Qual o seu nome? — Mile... Davi. —me corrigi a tempo. — Certo. —a mulher conferiu num caderno. —madame Dinah já está lhe aguardando. — indicou a porta onde eu deveria entrar. Meio sem jeito eu fui entrando no outro cômodo, o mesmo era meio escuro e tinha uma decoração estranha, cheio de panos e quadros, no centro havia uma mesa redonda e nela uma mulher estava sentada. — Aproxime-se. —a senhora, que deveria ter meia idade, apontou em direção a cadeira a sua frente. —sente-se, não precisa ter medo. — obedeci. —o que te trouxe aqui hoje? — Nem sei por onde começar. — admiti com um sorriso sem graça. — e nem sei se a senhora vai acreditar. — Não tenha tanta certeza disso, mãe Dinah já ouviu muita coisa nessa vida. —falou. — Bom. —respirei fundo. —então vamos lá. —comecei a lhe relatar tudo que havia acontecido desde sexta à noite, a senhora me ouviu atentamente mas por sua expressão eu não sabia ao certo se ela acreditava ou não. — e é isso. —falei assim que terminei o relato. — É uma bela história. —a mulher parecia pensativa e um pouco desconfiada. — Você não acredita, não é mesmo? — Eu não disse isso. —respondeu. — vamos ver o que as cartas dizem. —pegou um baralho e começou a embaralhar as cartas. —elas nunca mentem. —completou, não sei porque mas senti um frio na espinha, permaneci quieta e aguardei, logo a vidente espalhou algumas cartas sobre a mesa e as encarou com a testa franzida. —as cartas confirmam sua história, você realmente está passando por uma grande provação. — Provação? —a mulher não respondeu e apenas virou mais cartas. — Você e este rapaz estão conectados, ligados por um laço forte. — Que laço? — São descrentes. —ela olhou diretamente nos meus olhos. —descrentes naquilo que rege o mundo. — E o que seria? — O amor! —ela respondeu e sorriu, demorei um tempo para digerir aquilo e concluí que era ridículo, essa mulher só estava tentando me ludibriar e a i****a aqui quase chegou a acreditar. — Isso é perda de tempo. —me levantei rapidamente, me recusaria a continuar ali ouvindo aquelas asneiras, tudo para essas videntes está ligado a relacionamentos ou sentimentos, eu sabia exatamente o que era amor, era algo que só servia para destruir as pessoas, algo que não trazia nada de bom. — Lembre-se: quando alcançarem seus propósitos tudo se ajeitará. —m*l ela terminou de dizer e eu já fui saindo rápido dali. — Ei rapaz. —a recepcionista me chamou. —tem que pagar a consulta. —é claro que tinha que pagar, esse povo só pensa em dinheiro. — Deixe o ir. — a vidente surgiu do nada atrás da recepcionista. — essa consulta é de graça. —não agradeci e só sai. Quando sai Eduardo ainda me esperava no carro, caminhei até ele, abri a porta do carona e entrei sem dizer uma só palavra. — E então como foi lá? — Sinceramente eu não sei. — Ela não disse nada? — Ela disse "quando alcançarem seus propósitos tudo se ajeitará." — repeti as mesmas palavras ditas pela cigana. — O que quer dizer isso? — ele perguntou. — Se eu soubesse. — falei ao mesmo tempo em que arqueava os ombros, em seguida respirei fundo e tombei a cabeça para trás recostando a mesma no encosto do banco. — isso foi uma perda de tempo. — Talvez não... — Sério que você acha que não? Eu fui lá tentando achar uma resposta para meu problema e sai com mais um enigma para resolver. — ao terminar de dizer o silêncio se instalou entre nós, também não esperava que Eduardo dissesse nada, até porque tenho certeza que ele estava tão perdido quanto eu. — eu só estou cansada, daria tudo para voltar ao meu corpo, voltar a minha vida. — Tenho uma ideia que vai te fazer se sentir melhor. — Eduardo disse do nada. — Que ideia seria essa? — perguntei um pouco desconfiada. — Vamos dar um pulo novamente naquela barraquinha de caldo de cana? — E você ainda pergunta? Comida resolve tudo. — brinquei. — ta mais do que topado o convite. — Bora lá então. — Eduardo ligou o carro e seguiu para onde estria a barraquinha. Não sei se era a frustação, ou se era só minha fome mesmo, mas diferente da outra vez eu tomei dois copos de caldo de cana e ainda comi dois pasteis de carne, na volta para casa eu já estava explodindo, não queria nem jantar, apenas queria um banho quente e um boa noite de sono. — Olha só, o cara do churros até ai. — Eduardo disse pouco antes de chegar no nosso prédio. — Churros? Onde? Eu quero. — Você não falou que estava passando m*l de tanto comer? — ele perguntou para mim. — Já melhorei. — respondi imediatamente. — eu sempre adorei churros, mas minha mãe nunca deixou eu comer a vontade pois dizia que açúcar demais faz m*l, mas como eu não to no meu corpo eu posso aproveitar. — Então aproveita. — Eduardo parou o carro e no mesmo instante eu levei a mão na maçaneta para sair do carro. — Você não vai querer? — Não sou muito fã de doce. — Pois não sabe o que está perdendo. — dei de ombros e desci, comprei dois churros para viagem e em seguida voltei ao carro. — Você vai acabar passando m*l assim.— Eduardo brincou. — Para de me jogar praga. — falei me fingindo de irritada, ele apenas riu e voltou a dirigir seguindo direto para o prédio. Assim que chegamos Eduardo estacionou o carro na garagem e subimos. — Eu to morto. — Eduardo disse largando as chaves no chaveiro. — posso tomar um banho primeiro? — Pode tomar, enquanto isso eu devoro minhas delicias. — enquanto ele tomava seu banho eu devorei em instantes um dos churros, eu até pretendia comer o outro também, mas estava tão cheia que resolvi deixar para depois. Depois que Eduardo tomou seu banho foi a minha vez de tomar o meu, demorei um bom tempo debaixo do chuveiro, enquanto a água quente batia sobre minhas costas eu me lembrava cada palavra que a vidente tinha dito. "[...] —as cartas confirmam sua história, você realmente está passando por uma grande provação. — Provação? —a mulher não respondeu e apenas virou mais cartas. — Você e este rapaz estão conectados, ligados por um laço forte. — Que laço? — São descrentes. —ela olhou diretamente nos meus olhos. —descrentes naquilo que rege o mundo. — E o que seria? — O amor! —ela respondeu e sorriu, demorei um tempo para digerir aquilo e concluí que era ridículo, essa mulher só estava tentando me ludibriar e a i****a aqui quase chegou a acreditar. — Isso é perda de tempo. —me levantei rapidamente, me recusaria a continuar ali ouvindo aquelas asneiras, tudo para essas videntes está ligado a relacionamentos ou sentimentos, eu sabia exatamente o que era amor, era algo que só servia para destruir as pessoas, algo que não trazia nada de bom. — Lembre-se: quando alcançarem seus propósitos tudo se ajeitará. —m*l ela terminou de dizer e eu já fui saindo rápido dali. [...]" Aquilo me atormentou de uma forma estranha, o que exatamente aquela mulher quis dizer com isso, será que era algum tipo de código? Ou era só uma charlatã querendo enganar uma trouxa, aposto que nem acreditar em mim ela acreditou. Ao sair do banho encontrei Eduardo jogado no sofá, zapeando pelos filmes da Netflix. — O que vamos assistir? — me sentei no outro sofá. — Não tem nada de bom nessa Netflix. — ele reclamou. — que tal jogarmos um videogame? — Eu nunca joguei. — fiz careta, Eduardo olhou bem para minha cara, por um segundo permaneceu serio mas logo em seguida caiu na risada. — Eu te dou umas dicas. — falou. — só não prometo te deixar ganhar. — Bom saber. — eu ri também. — assim quando eu ganhar você não vai poder vir com a desculpa que não jogou para valer, que me deixou ganhar. — Se você acha que tem chances de ganhar! — falou para me provocar. — O que ta esperando que não pegou em jogo ainda? — é claro que eu não resistia a uma boa disputa, mas também devo admitir que eu nunca tinha jogado na minha vida e nem sabia por onde começar. — Se animou agora, né? — Eduardo brincou enquanto conectava o jogo, ele escolheu um de corrida, na sua cabeça seria mais fácil para mim ir pegando o jeito, só na sua cabeça mesmo, eu era uma péssima motorista até mesmo no jogo, bati várias vezes e é claro que Eduardo me deu uma surra.
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